sexta-feira, 24 de julho de 2009

Acidentes acontecem e Milagres também

Vinte horas. Esse foi o tempo que fiquei internado com a minha esposa no hospital de nossa cidade ontem. Um verdadeiro terror pra qualquer um. Depois de sofrer um acidente na BR 364, fomos levados ao Hospital de Pronto Socorro João Paulo II, fomos atendidos e tivemos de ficar em observação de 18:30h até às 14:30h do outro dia. A data de 22 de Julho ficará para sempre em minha memória. Caímos duas vezes em dez minutos. Na primeira vez, não tivemos nenhuma escoriação, nenhuma lesão. Esse é o primeiro grande milagre do dia. Agradecemos a Deus pelo livramento; já na segunda, fomos parar no hospital. Mas percebi por trás de tudo isso, um rio de amor que cobre a minha vida em todos os aspectos. Confira...
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Não demorou um minuto pra que uma ambulância aparecesse após o acidente. Minha moto, atrapalhando o trânsito, ficou derrubada no chão, enquanto alguns curiosos, mesmo na chuva, tiravam fotos e filmavam a cena de minha esposa deitada no chão. Eu sem saber o que fazer, fui acudir meu amor e ao mesmo tempo, naquele sufoco, agradecia imensamente a Deus pela vitória.
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Pensando no pior que poderia acontecer, atendia meu amor e me esquecia de tudo a minha volta. Nada era mais importante que a minha esposa. Muito machucado (vocês não poem imaginar a dor que sentia enquanto escrevia essas linhas), falava com ela que dizia pra eu não mexer em seu corpo, pois havia batido com a cabeça no chão.
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Comecei a ver a mão de Deus, quando algumas pessoas pediram que eu colocasse a moto em cima do canteiro pra não atrapalhar o trânsito e que trancasse-a e depois viesse buscá-la. Segundo eles, ninguém a roubaria. Mas Deus, que providencia tudo para que seja sempre lembrado em momentos como estes, enviou um servo seu. Irmão Deusdete olhou pra mim e me disse que levaria minha moto. Dei-lhe as chaves, capacetes e entrei na ambulância já com meu amor imobilizada e reclamando de muitas dores. O segundo milagre? Irmão Deusdete na hora certa. Glórias a Deus.
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Entrando às 18:30 h no Hospital, meu amor foi rapidamente atendida e eu, que entrei como paciente, acabei me tornando acompanhante. Uma injeção e todas as minhas dores desapareceram. Já meu amor não. Reclamava de dores do pescoço, cabeça, costelas, braços e eu começava a ficar desesperado. O terceiro milagre estava acontecendo: Deus me dava agora uma resistência maior que eu podia imaginar. Estava resistindo a dor para cuidar de meu amor.
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Depois de atendida, medicada, tirado os raio-x's, com muito custo, consegui uma cadeira para que se sentasse e eu permanceria em pé pelas próximas longas horas. De dieta zero, ela começava a fazer várias perguntas, repetidamente, sem nexo e alguns momentos chorei de vê-la naquela situação. A agonia por ver que minha esposa de nada lembrava era terrível. Liguei para o meu pastor e meia hora depois fui chamado na recepção do hospital. Lá estava, os pastores Antonio Baltazar e Daniel Martins. Com muita insistência o guarda deixou que os dois pastores, um de cada vez, entrasse para ver-nos. Os dois repetiram o mesmo gesto: oraram por nós. E eu chorei. Esse era o quarto milagre: presença amiga na hora difícil.
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Eles foram embora e nós ficamos naquele lugar. Difícil de descrever aqueles momentos. Eu me sentia como o paralítico do tanque de Betesda. Cercado por pessoas doentes, compartilhei de algumas histórias. Um homem que teve o braço quebrado pelo genro, diabéticos em fase terminal, acidentados, cancerosos, cabeças quebradas e cada vez chegando mais gente. Naquela noite aconteceria vários acidentes. Eu contei mais de vinte casos de acidentes envolvendo motos. Não conseguiríamos dormir por vários motivos: meu amor estava sentada em uma cadeira (não havia leitos), eu em pé e durante toda a noite, pessoas gritando de dores, um homem morreu, e (preciso dizer) alguns profissionais da saúde não mereciam estar ali. Não estou generalizando, pois naquele ambiente havia uma profissional que não cansava de fazer o bem; seu nome era Lilian. Enfermeira, que demonstrou estar ali não apenas pela profissão, mas por ter aceitado a tarefa de salvar vidas. Esse era o quinto milagre: enfermeira Lilian. Graças a Deus pela sua vida.
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Até às 3h da madrugada eu aguentei ficar em pé ao lado da cadeira do meu amor, mas, por alguns instantes com a luz apagada, eu me sentei no chão, depois me deitei e por uma hora e meia dormi (lágrimas rolam de meu rosto enquanto escrevo isso). Quando acordei, a primeira lembrança foi a de Jesus quando tomou aquele barco. Sobreveio uma grande tempestade, seus discípulos tentando salvar suas vidas e Jesus dormia sobre uma almofada. Inconveniente não. Esse é sexto milagre. Durante algumas ministrações, várias vezes falei que o Senhor afofa a cama para que tenhamos um sono tranquilo em meio as tempestade e eu estava ali experimentando esse milagre de Deus.
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Às 4:30h acordei. Um cheiro fétido de fezes, urina, sangue e suor dominava o ambiente. Insuportável. Escondia o nariz dentro da camisa pra poder continuar ali. Dominado pelo sono, cansaço e dor, quase desfalecendo, quando o telefone tocou, eu atendi, era a nossa pastora Ruthlene que disse estar indo à oração e que nos apresentaria a Deus com os irmãos. Poucas horas depois, foi até o hospital, mas infelizmente, não conseguiu entrar. Esse era o sétimo milagre. Deus sabia de tudo que estavámos passando, mas agora Ele levantava intercessores. Alguém orou por nós.
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Às 8:30h, o médico disse que ela continuaria em observação e que somente o neurologista poderia dizer quando receberíamos alta. Depois de 18 horas sem comer nada, Sara começou a passar mal com fome, os médicos então a liberaram da dieta zero. Parecia que tudo começando a melhorar. Mas, segundo os responsáveis pelos exames finais, teríamos de permanecer ali por mais dezessete dias. Aí, eu não aguentei. Conversamos e decidimos pedir alta por nossa conta. Só estando lá saber o que nos levou a essa decisão. E finalmente, às 14:30h, saímos daquele lugar e vimos pra nossa casa. Cansados, depois de um banho, dormimos.
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Enquanto passávamos por tudo isso, eu sempre me lembrava do paralítico do tanque de Betesda (Jo 5.1-14). Acabei fazendo algumas comparações entre as nossas situações. Esse era o oitavo milagre. Mesmo daquele jeito, Deus visitava minha mente para aprender de seu Amor, supremo amor.
  1. Ele com certeza estava mais necessitado que eu. Já havia sofrido vários anos e eu, somente algumas horas.
  2. Nossas situações são iguais quanto ao propósito: a glória de Deus. Naquele lugar havia várias pessoas. Jesus olhou para aquele homem, Jesus olhou para nós.
  3. Enquanto o paralítico dizia não ter ninguém, Deus levantava ao meu favor várias pessoas. Descobrimos que éramos amados mais do que imaginávamos.
  4. Diferente do paralítico, que não entendeu o que Jesus tinha pra ele, nós entendíamos de primeira mão e aceitamos a sua ajuda.

Agora estamos em casa. Já recebemos várias visitas. E nossa gratidão pelo que Deus fez nos inunda cada vez mais. Este é o nono milagre: estar em casa é a melhor coisa do mundo. Obrigado por tudo. A Deus e a todos.