sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A Excelência das Obras de Deus


A excelência é algo natural de Deus. Todas as maravilhas trazidas à existência nos dias da criação foram concluídas com a célebre frase: “Viu Deus que era bom”.

Deus é excelente. Aliás, todos os conceitos acerca da excelência o têm como fonte. Sua glória e seu poder, sua riqueza e seu nome, sua grandeza e majestade, seu louvor e sua criação, sua sabedoria e fidelidade, sua bondade e paciência, sua habilidade e capacidade, seus propósitos e salvação, seu perdão e sua ajuda, seu plano e tudo o mais que pode ser atribuído a Deus, são excelentes.

A excelência é comum a Ele. Ele não precisa tornar excelente o que faz. O produto inicial e final de suas mãos é excelente. Não precisa melhorar sua arte, nem precisa explodir nada para obter a excelência por meio de acidentes da natureza. Admire o Everest, as Cataratas do Iguaçu ou o Grand Canyon e você concluirá que as obras de Deus são excelentes.Como não desejar isso para as nossas vidas? Como não querer também as suas bênçãos excelentes? É isso que desejamos para você e sua família: a Excelência de Deus para todos os seus planos e propósitos e que sua vida seja guiada por um espírito sobremodo excelente (Dn 5.12).

Vidas Alheias, o Alvo do Evangelho


Estamos cumprindo o Ide de Jesus a todos os povos. Foi isso que Jesus fez e ensinou. Sua missão incluía exclusivamente as vidas de outrem. Ele amava as pessoas ao ponto de se entregar por elas. Antes da cruz do Calvário, Ele já havia passado por vários sacrifícios e em todos eles, a vida alheia foi a mais beneficiada. Mesmo sem ter um lugar para repousar a cabeça, preparou-nos um lugar no céu, pertinho de seu Pai. Nem sempre tinha o que comer, mas nunca deixou um faminto sem o pão da vida. Quando a sede lhe cercava, diferente de Moisés, Ele oferecia de si mesmo a água da vida. Quando todos repugnavam os miseráveis, imorais e doentes, Eles lhes transmitiam compaixão, decência e cura. Jesus é realmente o maior personagem da História da Humanidade.

Quem o via, se admirava de sua postura. Quem o ouvia, se maravilhava com a sua doutrina. E quem Ele tocou, nunca mais foi o mesmo. O paralítico junto ao tanque de Betesda nunca mais sofreu entre os doentes. O cego Bartimeu à beira do caminho nunca precisou usar a capa da vergonha. E o espaço é pouco demais para falar de Jairo, Maria Madalena, Lázaro, Mateus, o ex-endemonhinhado gadareno, a mulher samaritana, Zaqueu, Nicodemos... A lista é grande, mas ainda cabe o seu nome. Você não quer mudar de vida? Não quer ter a paz inundando cada poro de seu corpo? Então permita que Jesus entre em seu coração e estabeleça o seu reino dentro de você. Que a graça do Senhor Jesus habite abundantemente em você e tenha paz.

O Ide de Jesus


Realizar a Obra de Evangelização não é tarefa fácil. Demanda tempo, desprendimento, coragem, fé, amor, e não raras vezes dinheiro. Cruzadas, cultos ao ar livre, pontos de pregação, novas frentes de trabalho são apenas algumas das inúmeras formas de se evangelizar uma cidade e ganhá-la para o Reino de Deus. Obedecendo o Ide de Jesus (MT 28.20; Mc 16.15; At 1.8) e recebendo de Deus a incumbência de levar de boas-novas a todos os povos, romperemos com as novas fronteiras, resgatando as almas do poder do inferno (Jd 22,23).

O Senhor Jesus ordena (ide). Sua ordem é abrangente (por todo o mundo), objetiva (pregar o evangelho) e muito fácil de identificar os sinais de sucesso (quem crer e for batizado será salvo).

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Temperamentos


“Tendo por certo isto mesmo, que Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6).

O temperamento é o conjunto básico de nosso ser; é a combinação de diferentes características, transmitidas geneticamente, as quais inconscientemente, controlam nosso procedimento. Devido à diferença dos temperamentos, as pessoas poderão ter reações ou comportamentos diferentes perante a mesma situação. Nas melhores pessoas encontramos os maiores defeitos e nas piores pessoas, as maiores virtudes.

Conhecer nosso próprio temperamento é fundamental para que possamos buscar uma canalização positiva de nossas atitudes advindas do temperamento e o fortalecimento das nossas qualidades.

As pessoas podem ser classificadas em quatro grupos de temperamentos: Sanguíneo, Melnacólico, Colérico e Fleumático.

1. Sanguíneo

Qualidades: Comunicativo, destacado, entusiasta, afável, simpático, bom companheiro, compreensivo, crédulo.

Defeitos: Fraco de ânimo, volúvel, indisciplinado, impulsivo, inseguro, egocêntrico, barulhento, exagerado, medroso.

Pedro era sangüíneo. O sangüíneo tem o “sangue quente”. As falhas de Pedro estavam justamente no calor do seu coração. Ele exibia calor, intensivamente em suas emoções e ação dinâmica. Ninguém foi tão falante, tão vibrante e tão decisivo como Pedro. Amava ao Senhor intensamente e era o seu companheiro de todas a horas (Mt 17.1; Jo 21.17). Demonstrava publicamente as suas emoções para com o Senhor (Lc 5.1-11; Jo 6.69). Era desinibido e sincero (Lc 5.8). Comunicativo, sempre respondia com entusiasmo às emoções do seu coração (Mt 14.28-29; Jo 18.10). Submetendo suas fraquezas ao Senhor e cheio do Espírito Santo, Deus o fortaleceu (1Pe 5.10). Através do livro de Atos podemos ver que seus defeitos foram sobrepujados pelas qualidades, que se realçam em poder nas palavras (1Pe 2.14-40); constância (1Pe 3.1); coragem (1Pe 4.13); sabedoria (1Pe 4.19-20); alegria (1Pe 5.41); humildade (1Pe 10.25-26); amor (1Pe 10.21-28), amabilidade (1Pe 11.4); fé (1Pe 12.6); paciência (1Pe 12.16) e liderança (1Pe 15.7).

2. Melancólico

Qualidades: Habilidoso, minucioso, sensível, perfeccionista, esteta, idealista, leal, dedicado.

Defeitos: Egoísta, amuado, pessimista, teórico, confuso, anti-social, crítico, vingativo, inflexível.

Moisés era melancólico. Muitos personagens da Bíblia demonstraram possuí-lo, mas o mais destacado foi Moisés. Moisés era talentoso (At 7.22); abnegado (Hb 11.23-27); perfeccionista (Deus usou essa qualidade para lhe dar os detalhes da Lei, da justiça divina e do Tabernáculo); leal (os livros da Lei, revelam isso) e extremamente dedicado (Ex 32.31-32). Mas sofria de um complexo de inferioridade que trazia à tona todas as fraquezas do melancólico (Ex 3.11-13; 4.1,3,10,13). Muitas vezes se deixava dominar pela ira (Nm 20.9-12) e pela depressão (Nm 11.11-15). O seu encontro com o Senhor no Monte Horebe e a freqüente busca da sua face, contudo, fizeram dele um homem cheio do Espírito Santo, um líder destemido, e tornou-se “o homem mais manso da Terra” (Nm 12.3). Suas qualidades se destacaram e foi o grande legislador de Israel.

3. Colérico

Qualidades: Enérgico, resoluto, independente, otimista, prático, eficiente, decidido, líder, audacioso.

Defeitos: Iracundo, sarcástico, impaciente, prepotente, intolerante, vaidoso, auto-suficiente, insensível, astucioso.

Paulo era colérico. A principal qualidade do colérico é a força de vontade, que faz dele uma pessoal enérgica, eficiente, resoluta, e um líder cheio de audácia e otimismo. Paulo foi um portador desse temperamento notável, o livro de Atos e suas cartas no-lo revelam (Gl 1.10; Fp 3.10-14; Gl 1.15-18; At 14.19-24). Apesar deste caráter ativo, prático, dinâmico e corajoso, Paulo antes de conhecer a Jesus e receber o Espírito Santo, demonstrou-se um homem cruel, zangado, hostil e amargurado (At 9.1); insensível (At 7.58-59); astucioso e prepotente (At 9.2). Ele testificou de si mesmo, o que vemos em 1Tm 1.12-16. Porém, o enchimento diário do Espírito Santo, a entrega de suas falhas a Deus (2Co 12.7-10), fizeram dele um líder apto a escrever (Gl 5.16-22). Olhando para suas fraquezas, ele afirmou: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Fp 4.13).

4. Fleumático

Qualidades: Calmo, tranqüilo, cumpridor de deveres, eficiente, conservador, pratico, líder, diplomata, bem-humorado.

Defeitos: Calculista, temeroso, indeciso, contemplativo, desconfiado, pretensioso, introvertido, desmotivado.

Abraão era fleumático. Todas as qualidades do fleumático estavam presentes na vida do fiel Abraão. Ele era pacífico, prático e bem humorado (Gn 13.8-9); leal, calmo e eficiente (Gn 14.14-16); cumpridor de seus deveres (Gn 14.20); conservador em seus princípios (Gn 14.22-24). Deus o provou em todas as suas promessas, mas ele permaneceu firme na fé. Dele disse Deus: “Eu o tenho conhecido” (Gn 18.19). Todavia, ele apresentava também os defeitos desse tipo de temperamento. Com o crescimento da sua vida espiritual e submissão a Deus, assumiu suas posições e foi liberto da incredulidade (Hb 11.8-9); do medo (Hb 11.17) e fortalecido na fé (Gn 22.8). Apesar de seu temperamento, o seu direcionamento à Deus, o fez um dos maiores homens que já viveu.

Não podemos mudar nosso temperamento. Ele faz parte de nosso ser. Mas podemos usá-lo sabiamente e com o controle do Espírito Santo, de maneira tal que até o que parece defeito passa a ser virtude. Todos devemos saber que não somos perfeitos. Contudo, não nos desanimemos Temos apenas que crescer no amadurecimento em Cristo (Rm 12.1-2; 6.11-13; Fp 4.13). Todas as pessoas se enquadram em um ou mais temperamentos. À proporção que forem sendo transformados pelo Espírito Santo, os defeitos do seu temperamento serão anulados e sua qualidades aperfeiçoadas.

Deus precisava tanto de Paulo colérico, que teve coragem de chegar diante das autoridades e dizer: “estou falando Daquele Jesus que vocês crucificaram, e que não ficou no túmulo, mas ressuscitou dos mortos”, como precisava do amor e carinho de João fleumático, que tratava a todos com palavras doces como: “filhinhos... amados”. É importante notar que Deus não mudou o temperamento deles, mas canalizou-os, controlando-os com Seu Espírito, fez deles bênçãos. É isso que Ele quer fazer com você.

Deus quer usá-lo como você é:

  • Se você é sangüíneo, use sua habilidade de comunicação para falar do reino de Deus.

  • Se você é melancólico, use toda sua sensibilidade, habilidade e dedicação ao Reino de Deus.

  • Se você é colérico use toda sua audácia, coragem e eficiência, como Paulo, para falar em qualquer tempo e em qualquer lugar, sobre o Jesus crucificado, mas ressurreto.

  • Se você é Fleumático, use seu amor sua maneira carinhosa de ser, para mostrar ao mundo que vive no ódio e no desamor, o amor Daquele que deu o Seu único Filho por nós e que nos amou primeiro.

Deus nos fez como somos. Seja o que você é, e apenas canalize para Deus o seu temperamento. Deus quer tão somente controlá-lo com Seu Espírito, de maneira tal que tudo em você seja para glória dEle.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Hino à Bíblia


Bíblia, Livro dos livros, és a Escrita de Jeová.

Bíblia, a Eternidade da Divindade em Ti está.

Bíblia, Livro dos livros, és o Tesouro das gerações.

Oh, minha Bíblia, Fanal de gozo, és o Repouso dos corações.

Bíblia, Livro dos livros, dos patriarcas e das visões.

Livro de Unção Bendita e de infinitas Revelações.

Bíblia, Livro dos livros, Sol que ilumina os dias meus.

Oh, minha Bíblia, Livro do crente, és o Presente vindo de Deus.

Bíblia, de Duplo Gume, Tu és o Lume na escuridão.

Bíblia, Arca da Lei, onde encontrei a Salvação.

Bíblia, por tudo isso, encontrei Cristo para me remir.

Oh, minha Bíblia, Livro que passa manando Graça, sem se extinguir.

Letra: Edson Coelho

Interpretação: Ozéias de Paula

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A Grande Obra de Neemias (9ª parte)


CONSIDERAÇÕES SOBRE A OBRA DE DEUS

Um homem que foi chamado para o santo ministério tem à sua frente a mais sublime de todas as convocações, isto é, ser um trabalhador direto da Seara do Mestre.

Por ser grande a obra, o Senhor comissionou homens e mulheres voluntários, totalmente dependentes dEle, para capacitá-los, a fim de que Sua vontade seja executada.

No texto em tela encontramos o próprio Neemias dispondo-se a reconstruir as muralhas de Jerusalém, uma tarefa que estava há 100 anos por fazer.

No reino de Deus podemos aprender uma série de princípios com Neemias. Ele tinha um projeto material, nós temos um projeto espiritual. Temos que restaurar e construir a humanidade, devastada pelo pecado, numa casa espiritual (Igreja do Deus vivo). Isto tem que ser feito reconciliando o homem com Deus, em justiça (2Co 5.17-21; 1Pe 2:5).

1. A obra somente será feita se estivermos afinados com os propósitos de Deus

Neemias conhecia os propósitos de Deus para Jerusalém e isso fez com que ele inquirisse sobre seus irmãos e a condição da cidade. Fez com que ele procurasse soluções e ativasse o povo na restauração das muralhas.

A glória de Deus não podia ser refletida enquanto o povo estivesse em desgraça e a cidade em ruínas. Enquanto o homem está em pecado, a glória de Deus não é refletida. A redenção é "para louvor da glória de sua graça" (Ef 1.6).

Um obreiro disposto a renunciar tudo para cumprir a vontade de Deus e não a sua própria, terá toda a aprovação necessária dos altos céus para cumprir cabalmente sua missão no reino de Deus.

2. A obra somente será feita se estivermos preocupados com as pessoas

Quando Neemias ouviu sobre a aflição do povo e as muralhas arruinadas, ele sentou-se e chorou, lamentou-se alguns dias, e jejuou e orou (Ne 1:4-11). Ele soube que a culpa não era de Deus, que guardou a aliança, mas do homem, que a rompeu.

O problema é sempre o pecado nosso e dos outros. Precisamos nos compadecer profundamente pelos homens perdidos. Ainda que Neemias estivesse centenas de quilômetros de distância, no conforto do palácio do rei, ele chorou pela condição de seu povo.

3. A obra somente será feita se tivermos determinação

Neemias encerrou sua oração (Ne 1:11), pedindo a Deus que o fizesse prosperar. A oração e o desejo de Paulo eram pela salvação dos judeus, até mesmo ser anátema para eles (Rm 10:1; 9:1-3). Ele pediu aos santos para orarem para que as portas se abrissem para ele. Somente este tipo de preocupação resultará em construção.

Um obreiro sem iniciativa está fadado ao fracasso, pois, não é páreo para Satanás. O líder que tem diante de si um rebanho deve ter determinação, ou seja, ainda que sua benção esteja do outro lado do Jordão, ele atravessará, mas não abrirá mão do que Deus lhe tem prometido.

4. A obra somente será feita se estivermos alerta para as soluções

Quando o rei perguntou a Neemias pela visível tristeza no seu coração, Neemias compreendeu que o rei tinha a solução. Ele orou antes de fazer a petição ao rei (Ne 2:1-8).

Se estivermos realmente determinados a construir, avenidas se abrirão para nós e estaremos alerta para reconhecê-las. A grande verdade é que nosso trabalho anda tão lentamente porque nossas mentes estão postas em muitas outras coisas, que não dedicamos muito tempo à oração e meditação sobre os meios e modos de alcançar os perdidos.

5. A obra somente será feita se descobrirmos os modos e meios para realizá-la

Neemias, imediatamente, na sua chegada a Jerusalém, analisou as muralhas e então alistou os chefes dos judeus, encorajando-os a fazer alguma coisa sobre a necessidade. Como resultado, eles exclamaram: "Disponhamo-nos e edifiquemos" (Ne 2:18).

A grande Seara do Mestre está carente de homens e mulheres (líderes), amadurecidos e dedicados que gritem, "Disponhamo-nos e edifiquemos". Estes podem ser daqueles que viveram entre os escombros das vidas arruinadas muito tempo, mas que, pelo encorajamento de algum Neemias, responderão.

6. A obra somente será feita se cada homem fizer sua parte

Note no capítulo 3 aqueles que foram incumbidos de fazer a obra, cada um no seu devido lugar, na muralha. Por esforço unificado a tarefa foi completada em cinqüenta e dois dias.

Temos muitos entre nós que estão querendo deixar que poucos façam toda a construção. O aperfeiçoamento de todos os santos é "para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo... segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor" (Ef 4:11-16).

7. A obra somente será feita se não ficarmos intimidados pelo inimigo

Sambalate e Tobias usaram de reprovação, engano, temor e comprometimento para desencorajar a obra. Se estivermos convencidos de que a edificação desta casa espiritual é a obra de Deus, para sua glória, não permitiremos que nada nos impeça. Algumas vezes temos que lidar com aqueles que se opõem à obra de Deus, mas precisamos não parar de construir para brigar.

Talvez tenhamos que lutar com uma ferramenta numa mão e uma espada na outra, mas a edificação tem que continuar. Não ousemos parar para fazer acordos com o mal na planície de Ono; nossa obra é demasiadamente importante. Quando o homem do único talento teve medo e enterrou seu talento, ele foi condenado. "Disponhamo-nos e edifiquemos" para a glória e a graça de nosso Deus em Jesus Cristo.

8. A obra a ser feita depende de observar que:

  • A devoção piedosa de Neemias deve servir de inspiração para todos os que amam a adoração correta. Ele abandonou uma posição favorecida para se tornar humilde líder entre o povo de Deus. Recusou até mesmo a contribuição material a que tinha direito, e condenou terminantemente o materialismo como um laço. Seguir e guardar zelosamente a adoração de Deus foi o que Neemias advogou para a inteira nação (Ne 5:14, 15; 13:10-13).

  • Neemias foi um esplêndido exemplo para nós por ser inteiramente altruísta e discreto, um homem de ação, destemido em favor da justiça em face do perigo (Ne 4:14, 19, 20; 6:3, 15). Tinha o correto temor de Deus e estava interessado em edificar seus conservos na fé (Ne 13:14; 8:9). Aplicou vigorosamente a lei de Deus, especialmente no que tange à adoração verdadeira e à rejeição de influências estrangeiras, tais como os casamentos com pagãos (Ne 13:8, 23-29).

  • A completa confiança de Neemias em Deus, e seus humildes pedidos devem incentivar-nos a desenvolver uma atitude similar de devota dependência de Deus. Note como suas orações glorificavam a Deus, indicavam o reconhecimento dos pecados do seu povo, e solicitavam que o nome do Senhor fosse santificado (Ne 1:4-11; 4:14; 6:14; 13:14, 29,31).

  • Na ausência dum líder sábio, quão rapidamente se infiltram o materialismo, a corrupção, e a apostasia! Isto certamente deve inculcar em todos os dirigentes do povo de Deus hoje a necessidade de estarem ativos, alertas e zelosos no tocante aos interesses de seus irmãos cristãos, e de compreensão e firmeza ao guiá-los nos caminhos da verdadeira adoração.

A Grande Obra de Neemias (8ª parte)


LIÇÕES EXTRAÍDAS DA “GRANDE OBRA” DE NEEMIAS

“E purificaram-se os sacerdotes e os levitas; e logo purificaram o povo, e as portas, e o muro” (Ne 12.30).

O obreiro do Senhor Jesus tem sobre si a responsabilidade de conduzir e manter com todo o cuidado e diplomacia o rebanho que lhe foi confiado. Na condição de mordomo, as ordens recebidas de seu Senhor devem ser pontualmente executadas.

Nessa nobre missão existirão grandes desafios a exemplo de Neemias que enfrentou oposições infernais, assim o obreiro também será alvo de investidas do inimigo para desestabilizá-lo.

Faz-se necessário aplicar alguns princípios vivenciados por Neemias, haja vista o resultado vitorioso alcançado.

1. A reconstrução dos muros de Jerusalém deve ser considerada como um tipo do crescimento do reino de Deus na terra.

Os muros derrubados (Ne 1.3) podem tipificar as defesas debilitadas do reino de Deus.

A temporada preliminar de jejum e oração (Ne 1.4-11) pode ser o tipo da atitude mental que deve preceder a todos os grandes empreendimentos espirituais.

O sacrifício de Neemias de um importante posto pelo bem da causa (Ne 2.5) pode ser um tipo do serviço sacrificial sempre necessário quando se leva a cabo uma grande obra.

A inspeção da cidade à noite (Ne 2.15-16) pode tipificar a necessidade de enfrentar os fatos antes de começar o trabalho construtivo.

A busca de cooperação (Ne 2.17-18) pode ser o tipo de elemento essencial em toda obra bem sucedida.

O recrutamento de todas as classes (cap. 3) pode ser o tipo da importância de uma organização completa.

2. Podemos empregar os mesmos métodos para vencer obstáculos na obra espiritual.

O escárnio (Ne 2:19), vencido pela confiança em Deus (Ne 2:20).

A ira e o desprezo (Ne 4:3), vencidos pela oração e pelo trabalho árduo (Ne 4:4-6).

A conspiração (Ne 4:7-8), vencida pela vigilância e a oração, (Ne 4:9).

O desânimo dos amigos (Ne 4:10-12), vencido com uma coragem constante (Ne 4:13-14).

A ganância egoísta (Ne 5:1-5), vencida pela repreensão e pelo exemplo de abnegação (Ne 5:6-17).

A obra foi concluída, e os inimigos ficaram perplexos pelo constante esforço (Ne 6:1-15).

3. O exemplo pessoal de Neemias deve ser seguido por cada líder.

Um homem de coração simples (sem egoísmo, mesmo tendo uma alta posição junto ao rei) que se entristece com a condição da miséria e desprezo de Sião (Ne 1.4).

Um homem de oração em todo o tempo e sob quaisquer circunstâncias, vivendo, assim, em comunhão com Deus (Ne 1.5-11; 2.4; 4.4,9; 5.19; 6.9,14; 13.14,22,29 e 31).

Um homem de decisão, resolvido a conhecer, pessoalmente, a verdadeira situação (Ne 2.12).

Um homem de trabalho, sacrificando-se para a Causa de Deus (Ne 2.5).

Um homem capaz de inspirar outros ao trabalho (Ne 2.17 e 18); ele mesmo trabalhando (Ne 4.23).

Um homem com uma concepção gloriosa da santidade e da nobreza do trabalho para Deus (Ne 6.3). Deixar a obra de Deus, em que se empenhara para compactuar com os nobres do tempo era, para Neemias, indigno de um servo de Deus! Quatro vezes fora tentado a interromper a obra, mas, em nenhuma se deixou vencer (Ne 6.3-17).

Um homem que se não deixava desanimar nem se perturbava pelas oposições, interna e externa.

Um homem disposto a dar glória a Deus para todas as manifestações de Sua sabedoria (Ne 2.12 e 7.5).

4. O inimigo é despejado!

Neemias foi enérgico e fez o despejo do adversário da obra de Deus. Diz o capítulo 13 e versículo 8: “Fiquei muito zangado (indignado) e joguei fora tudo o que tinha dentro do quarto. E então exigi que o quarto fosse purificado completamente...”. Neemias pegou os móveis de Tobias e jogou tudo na rua e volta e ordena uma purificação completamente aquele quarto e em todo o Templo, porque estava contaminado com a moradia de um profano!

O líder do rebanho tem que ter determinação para cumprir toda a vontade de Deus! Visando santidade dentro da Casa de Deus o obreiro é um atalaia contra todo adversário que se levantar ou se abrigar na Casa de Deus.

O obreiro do Senhor, por ser zeloso com algo que não lhe pertence, isto é, a Igreja noiva de Cristo, deve ter autoridade para expulsar toda onda de pecado e laços de demônios que tentam se acomodar no arraial do povo de Deus.

O momento do despejo é “agora”. Neemias foi enérgico! Ele fez o despejo do adversário da obra de Deus. Que tal você lançar fora agora todos os “Móveis de Tobias” que esta ocupando espaço dentro deste quarto que faz parte da casa de Deus?

Deus não chama procrastinadores (pessoas que tem o hábito de deixar tudo para depois). Deus quer obreiros para uma realização imediata, haja vista, o Diabo estar diuturnamente tentando minar as bases espirituais da Igreja.

Que tenhamos coragem! Os medrosos não têm espaços no reino de Deus.

A Grande Obra de Neemias (7ª parte)


UMA GRANDE OBRA COM UM DESFECHO ESPIRITUAL

“E os da linhagem de Israel se apartaram de todos os estrangeiros, puseram-se em pé e confessaram os seus pecados e as iniqüidades de seus pais” (Ne 9.2).

A vitória de Neemias frente aos seus inimigos somente foi conquistada através muita dedicação e luta espiritual. Uma grande batalha é travada no reino do Espírito, quando como filhos de Deus desejamos levar uma vida em Deus vitoriosa! Nenhum cristão alcançará proezas sem lutas!

Além da oposição e da guerra travada contra nós pelo diabo e seus demônios, há outro fator que devemos considerar, ou seja, a guerra existente em nosso homem interior, onde combatem a carne e o espírito, "porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis" (Gl 5.17).

1. Confissão e arrependimento de pecados (Ne 9.1-4)

O texto diz: "Ora, no dia vinte e quatro desse mês, se ajuntaram os filhos de Israel em jejum, vestidos de sacos e com terra sobre as cabeças. E os da linhagem de Israel se apartaram de todos os estrangeiros, puseram-se em pé e confessaram os seus pecados e as iniqüidades de seus pais. E, levantando-se no seu lugar, leram no livro da lei do Senhor seu Deus, uma quarta parte do dia; e outra quarta parte fizeram confissão, e adoraram ao Senhor seu Deus. Então Jesuá, Bani, Cadmiel, Sebanias, Buni, Serebias, Bani e Quenâni se puseram em pé sobre os degraus dos levitas, e clamaram em alta voz ao Senhor seu Deus".

Muitos de nós acumulamos pecados sem confissão no dia-a-dia. Acabamos por ser envolvidos numa ciranda diabólica, em que a nossa vida como crentes fica inoperante diante de Deus, indo por água a baixo todo esforço na manutenção de uma restauração.

Às vezes muitos comparecem diante de Deus como compareciam os fariseus dos dias de Jesus, que praticavam um culto recheado de mentiras e hipocrisia. Por esta razão, o Senhor, usando uma profecia de Isaías (Is 29.13), os advertiu com severidade: "Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim" (Mt 15.8).

Não se muda este curso a não ser através de um verdadeiro reconhecimento de nossos pecados, num quebrantamento, mediante a ação e o poder do Espírito em nós.

Pelo relato de Neemias, podemos notar que o povo agiu movido pelo Espírito de Deus, que os levou a uma verdadeira conversão de seus caminhos ímpios. Alguns destaques no texto são dignos de nota:

a) Humilharam-se. Assim expressa a palavra: “... se ajuntaram os filhos de Israel em jejum, vestidos de sacos e com terra sobre as cabeças..." (v.1). A humilhação verdadeira diante do Senhor faz com que Ele se volte para nós. De acordo com o salmista, Deus se lembra de nós em nossa humilhação: “... que se lembrou de nós em nossa humilhação, porque a sua benignidade dura para sempre" (Sl 136.23).

b) Confessaram seus pecados. Está relatado que: “... puseram-se em pé e confessaram os seus pecados e as iniqüidades de seus pais..." (v.2); “... outra quarta parte fizeram confissão..." (v.3). Reconhecer nossos pecados contra Deus e confessá-los é uma atitude sábia para mudar nossos caminhos. Não podemos fazer vista grossa, ignorando nossos pecados, pois "o que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia" (Pv 28.13).

c) Clamaram a Deus. É a expressão de necessidade: “... e clamaram em alta voz ao Senhor seu Deus" (v.4). A palavra "clamar", nos leva a pensar num timbre de voz alterado. De acordo com o Dicionário Michaelis, clamar significa: "bradar", "gritar", "proferir em altas vozes", "vociferar", "suplicar", "implorar". Ao sabermos de nossa situação de miséria em razão de nossos pecados, devemos clamar por libertação, invocar por socorro diante do Senhor.

Com certeza, estes ingredientes nos mostram com clareza, uma nova atitude, um novo comportamento, uma verdadeira humilhação diante do Senhor, uma autêntica confissão de pecados presentes e passados e um grande clamor pela misericórdia divina.

Diante desta grande disposição Deus não poderá deixar de agir. Assim o Senhor disse a Salomão: “... e se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se desviar dos seus maus caminhos, então eu ouvirei do céu, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra" (2Cr 7.14).

A Palavra de Deus sempre nos convoca a mudarmos. Vejamos:
  • Jl 2.13: "E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes; e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque ele é misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em benignidade, e se arrepende do mal".

  • At 3.19: "Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor".

  • Ap 2.5: "Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; e se não, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres".
Nada mais toca o coração de Deus do que uma alma humilhada, arrependida de seus pecados, disposta a mudar de vida. Davi provou o perdão e a misericórdia de Deus e pode exclamar com alegria: "O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus" (Sl 51.17). Ele também expressa: "Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito" (Sl 34.18).

2. Uma verdadeira adoração a Deus (Ne 9.5-31)

A Palavra é clara: "E os levitas Jesuá, Cadmiel, Bani, Hasabnéias, Serebias, Hodias, Sebanias e Petaías disseram: Levantai-vos, bendizei ao Senhor vosso Deus de eternidade em eternidade. Bendito seja o teu glorioso nome, que está exaltado sobre toda benção e louvor" (v. 5).

Certamente, esta é uma área que temos grandes dificuldades em nosso relacionamento com o Deus Criador. Talvez em razão do corre-corre de nosso dia-a-dia, do acúmulo de tarefas que nossa sociedade exige, do tempo que passa repentinamente, não nos detemos para um tempo suficiente de adoração em nossos cultos públicos ou pessoais. Mesmo quando estamos cultuando, parece que nossa mente compromissada, tão envolvida pelas coisas deste mundo, não se desativa, não se desliga, e perdemos o melhor da adoração e comunhão com o Senhor.

A verdadeira adoração, como já vimos anteriormente, só pode ser alcançada "em espírito e em verdade" (Jo 4.23-24), e ela exige tempo, momentos de comunhão sem pressa. Como isto é quase impossível para nós! Porém, precisamos parar, arrumar tempo, para começar a aprender o que é adorar a Deus verdadeiramente.

No texto em apreço, podemos perceber como o povo "parou" e um sentimento de adoração real desceu sobre eles abundantemente. A mensagem fez com que o povo:

a) Bendisseram a Deus (v.5): "E os levitas Jesuá, Cadmiel, Bani, Hasabnéias, Serebias, Hodias, Sebanias e Petaías disseram: Levantai-vos, bendizei ao Senhor vosso Deus de eternidade em eternidade. Bendito seja o teu glorioso nome, que está exaltado sobre toda benção e louvor". Bendizer significa "dizer", "louvar", "dignificar". Precisamos aprender a expressar em palavras as qualificações do Deus Eterno. Em nossos momentos de adoração, devemos abrir nossos lábios para dizer que o Senhor é poderoso, criador, benigno, bondoso, santo, e tantos outros predicativos que elevam o Seu nome.

b) Reconheceram que Deus é poderoso em obras:
  • Na criação (v.6): "Tu, só tu, és Senhor; tu fizeste o céu e o céu dos céus, juntamente com todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela existe, os mares e tudo quanto neles já, e tu os conservas a todos, e o exército do céu te adora". Enquanto o cientista ateu procura explicar a criação através de falsas teorias, reconhecemos que tudo foi criado por Deus, “... porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele" (Cl 1.16).

  • Em favor de seu povo (vv.7-31): A história foi relembrada desde a chamada de Abraão até a introdução em Canaã. Veja o versículo 31: "Contudo pela tua grande misericórdia não os destruíste de todo, nem os abandonaste, porque és um Deus clemente e misericordioso". Deus não apenas dirige a história, mas se preocupa com a história de seu povo! Embora em muitas situações venhamos desagradar a Deus, Ele não nos abandona à nossa própria sorte, pelo contrário cuida de cada um de nós! Como nos diz o escritor da Carta aos Hebreus: “... não te deixarei, nem te desampararei" (Hb 13.5).
Adoração implica em:

  • Bendizer pela consagração de bens pessoais (1Cr 29.10, 11): "Pelo que Davi bendisse ao Senhor na presença de toda a congregação, dizendo: Bendito és tu, ó Senhor, Deus de nosso pai Israel, de eternidade em eternidade. Tua é, ó Senhor, a grandeza, e o poder, e a glória, e a vitória, e a majestade, porque teu é tudo quanto há no céu e na terra; teu é, ó Senhor, o reino, e tu te exaltaste como chefe sobre todos". O apelo de Davi solicitando ofertas para a construção do templo foi respondido positivamente pelo povo, o que foi motivo dele bendizer ao Senhor com palavras dignificantes.

  • Bendizer continuamente e perpetuamente (Sl 145.1): "Eu te exaltarei, ó Deus, rei meu; e bendirei o teu nome pelos séculos dos séculos". A expressão "pelos séculos dos séculos", tem a conotação de uma prática contínua, ininterrupta, para sempre.

  • Bendizer reconhecendo os atributos divinos (Dn 2.20): "Disse Daniel: Seja bendito o nome de Deus para todo o sempre, porque são dele a sabedoria e a força". Daniel poderia ter sido morto juntamente com todos os sábios da Babilônia, caso o sonho do rei não fosse revelado, juntamente com sua interpretação. Nesta situação de risco de vida, diante da revelação de Deus, Daniel reconhece que verdadeira sabedoria e o poder são provenientes do Todo-Poderoso.
Quando de coração assim agimos, Deus se agrada de nós, derramando benesses a nosso favor. Grandes batalhas espirituais serão ganhas através do louvor e adoração a Deus! Utilizemos este recurso amplamente!

3. Renovação da aliança com o Senhor (Ne 9.32-37; 10.1-39).

"Contudo, por causa de tudo isso firmamos um pacto e o escrevemos; e selam-no os nossos príncipes, os nossos levitas e os nossos sacerdotes" (Ne 9.37).

Como podemos ver no capítulo 9, os levitas, relembram em detalhes a história do povo de Israel, mostrando como Deus em todo o tempo esteve presente abençoando, cuidando, amparando e os conduzindo até aquele momento. No entanto, mesmo sendo abençoado grandemente pelo Senhor, o povo passou por diversas rebeliões, e nos dias de Neemias, a aliança com Deus estava totalmente esquecida, descaracterizada.

Como se observa, havia necessidade de uma renovação, de um novo propósito, onde o povo se propusesse à obediência aos mandamentos e ordenanças divinas e Deus continuasse a abençoá-los.

É muito fácil para nós nos esquecermos de bênçãos passadas, procurando ignorar momentos em que a ação de Deus em nosso favor foi abundante! Ou, pelo menos, fazemos de conta que nada de extraordinário nos aconteceu e vivemos uma vida espiritual à deriva, açoitados de um lado para outro por ventos mundanos, egoístas, materialistas.

Não podemos esquecer que ao entregarmos nossa vida a Jesus, firmamos com Ele uma aliança que teve como ingrediente principal o sangue do Cordeiro imaculado. No dizer de Pedro “... não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver... mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo" (1Pe 1.18-19). Este foi o custo do pacto de Deus conosco! Se a lembrança desta aliança está desgastada e vivemos aleatoriamente nossa vida cristã, se faz necessária a renovação.

Se nossa aliança com Deus está desgastada, devemos ser conscientes de que a culpa é nossa, nunca de Deus. Deus jamais falha em cumprir sua parte! Nós somos infiéis. Deus, porém, é fiel. Como nos diz a Palavra de Deus: "se somos infiéis, ele permanece fiel; porque não pode negar-se a si mesmo" (2Tm 2.13). A fidelidade de Deus para com seu povo é motivo mais do que suficiente para refletirmos, voltarmos atrás, abraçarmos com firmeza a aliança do Calvário!

4. Consagração (Ne 12.27-43; 13.1-30).

Assim está escrito: "Ora, na dedicação dos muros de Jerusalém buscaram os levitas de todos os lugares, para os trazerem a Jerusalém, a fim de celebrarem a dedicação com alegria e com ações de graças, e com canto, címbalos, alaúdes e harpas. Ajuntaram-se os filhos dos cantores, tanto da campina dos arredores de Jerusalém, como das aldeias do netofatitas; como também de Bete-Gilgal, e dos campos de Geba e Azmavete; pois os cantores tinham edificado para si aldeias ao redor de Jerusalém. E os sacerdotes e os levitas se purificaram, e purificaram o povo, as portas e o muro" (vv 27-30).

A palavra "consagrar", significa "santificar", "dedicar-se", "ser separado", "ser colocado à parte", "sagrado". Os muros estavam prontos, precisavam agora ser dedicados, consagrados a Deus. Uma grande cerimônia foi realizada, onde os levitas, os filhos dos cantores, instrumentistas, foram convocados para a grande festa de consagração. Antecedendo a cerimônia de consagração, uma grande purificação teve início, onde “... os sacerdotes e os levitas se purificaram, e purificaram o povo, as portas e o muro" (v.30).

Ninguém poderá ser santificado se estiver manchado, sujo pelo pecado! Certamente, não poderá haver qualquer consagração, sem que primeiro nossos pecados sejam tratados.

De acordo com os rituais do Velho Testamento, as purificações normalmente eram realizadas através da água. Sabemos que a água simboliza a Palavra de Deus que nos purifica, nos limpa, tornando-nos aptos para entrar na presença de Deus. Quando Jesus lavou os pés de seus discípulos, numa lição de humildade, percebendo Pedro o valor daquela cerimônia, pediu ao Senhor que não somente lhe lavasse os pés, mas suas mãos e sua cabeça (Jo 13.1-9).

Consagração dos muros e as próprias vidas ao Senhor:

a) Na dedicação dos muros (Ne 12.27-43).

Uma grande convocação foi realizada envolvendo os levitas de todos os lugares, cantores das campinas e arredores de Jerusalém, das aldeias, etc. Ordenou-se a purificação dos sacerdotes, levitas e o povo em geral, juntamente com as portas e os muros. Foram também convocados os príncipes de Judá. Dois grandes coros foram formados e saíram em procissão percorrendo a cidade até à Casa de Deus. Finalmente, ofereceram grandes sacrifícios em meio a muita festa, júbilo e alegria.

b) Ao estabelecerem sacerdotes e levitas (Ne 12.44-47; 13.10-14).

O trabalho dos levitas e sacerdotes foi novamente organizado, com homens ocupando postos em todos os serviços no Templo. Foram restabelecidos os dízimos e as ofertas para sustento do Templo, da classe levítica e sacerdotal. Anteriormente os levitas e sacerdotes haviam deixado o ministério do Tempo, em razão da falta de recursos, pela negligência do povo às contribuições.

c) Extirpando o mundanismo (Ne 13.1-9, 23-29).

Uma das grandes dificuldades enfrentadas na restauração do povo foi a questão do casamento misto. Esta prática remontava aos dias de Balão, profeta mercenário, contratado por Balaque, rei de Moabe – nação inimiga de Israel, para corromper o povo de Deus (Números 22-25). Esta mistura, trouxe ao povo de Deus costumes errados, práticas pagãs, corrupção da linguagem, pecado, etc. Às duras penas, o povo teve que romper com o "elemento misto". Até mesmo locais construídos e freqüentados por estes "elementos mistos", tiveram que ser purificados e adequados novamente para o serviço de Deus.

d) Reconhecendo a graça de Deus (Ne 13.30-31).

Após as reformas e o ritual de consagração, Neemias concluiu seu livro de maneira maravilhosa com a seguinte frase: "Lembra-te de mim, Deus meu, para o meu bem" (Ne 13.31). A palavra "lembrar" aqui nos sugere a idéia de concessão de bênçãos, da manifestação do favor de Deus.

Uma verdadeira consagração jamais acontecerá se não estivermos dispostos a perder privilégios, deixar posições estáveis, renunciar coisas adquiridas e abandonar o mundanismo.

Precisamos de uma grande limpeza, extirpando de nossas vidas o vil, o desnecessário, os embaraços e o pecado. Muitas vezes não estamos literalmente envolvidos com o pecado, mas mantemos uma certa proximidade, uma afinidade com ele, ignorando que a qualquer momento podemos ser envolvidos num caminho sem retorno, prejudicando a carreira que nos foi proposta pelo Senhor.

Vimos que a confissão de pecados, a adoração verdadeira, a renovação da aliança e a consagração de nossas vidas, são requisitos importantes para mantermos uma restauração. Todos estes requisitos precisam ser trabalhados e desenvolvidos por nós com seriedade, pois só assim seremos vitoriosos!

A Grande Obra de Neemias (6ª parte)


UMA GRANDE OBRA É EMBASADA NA PALAVRA

“E leram o livro, na Lei de Deus, e declarando e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse” (Ne 8.8).

O processo de restauração do culto a Deus aconteceu, assim que os muros foram edificados, as portas levantadas e estabelecidos os porteiros, cantores e os levitas. Esdras, o sacerdote, uniu-se a Neemias, e, em praça pública perante todo o povo, leu o livro da lei de Moisés e explicou o seu sentido, para que todo o povo entendesse a vontade de Deus.

É o clássico texto sobre a leitura da Bíblia. É o grande momento quando Esdras lê a Lei de Deus, diante do povo. Sabemos que a fé vem pelo ouvir e ouvir pela Palavra de Deus, de maneira que o ouvir a Palavra de Deus é o começo de toda a vida espiritual.

1. O Livro de Deus deve ser ansiado (Ne 8.1).

“E chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da Porta das Águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o Senhor tinha ordenado a Israel”.

O anseio pela Palavra de Deus é que fará a diferença na nossa vida cristã. Ele é o livro que deve ser lido por toda a família. Precisamos querer, desejar, amar, nos apegar às Bíblia Sagrada.

2. O Livro de Deus deve estar sempre aberto (Ne 8.5).

“E Esdras abriu o livro perante os olhos de todo o povo; porque estava acima de todo o povo; e, abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé”.

A Bíblia aberta significa que estamos aplicados à sua leitura e meditação. Devemos abrir a Palavra diante das nossas famílias e diante da Igreja de Deus.

3. O Livro de Deus deve ser lido (Ne 8.9).

“E Neemias (que era o tirsata), e o sacerdote Esdras, o escriba, e os levitas que ensinavam ao povo disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor, vosso Deus, pelo que não vos lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da Lei”.

A Bíblia deve ser lida todos os dias. O Salmista disse: “ Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite” (Sl 1.1-2).

A Bíblia ainda diz: “Bem aventurado aquele que lê...” (Ap 1.3).

4. O Livro de Deus deve ser compreendido (Ne 8.8).

“E leram o livro, na Lei de Deus, e declarando e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse”.

A coisa mais importante é compreender o que Deus está nos falando através da Sua Palavra. O obreiro deve se fazer entender ao ministrar a pregação ou estudos bíblicos. Na condição de líderes precisamos sempre nos atentar que “o obreiro aprovado maneja bem a Palavra da verdade”, isto é, sabe o que ela diz e o que significa. Dessa forma ele poderá ensinar o rebanho.

5. O Livro de Deus sempre produz efeito na vida do povo (Ne 8.9).

“E Neemias (que era o tirsata), e o sacerdote Esdras, o escriba, e os levitas que ensinavam ao povo disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor, vosso Deus, pelo que não vos lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da Lei”.

Paulo escreveu que “o evangelho é poder de Deus para todo o que crê” (Rm 1.16). Quem já ouviu a Palavra de Deus, nunca mais será a mesma pessoa. O poder transformador do evangelho fará a diferença na vida de qualquer ser humano.

6. O Livro de Deus deve ser obedecido (Ne 8.14-16).

“E acharam escrito na Lei que o Senhor ordenara pelo ministério de Moisés que os filhos de Israel habitassem em cabanas, na solenidade da festa, no sétimo mês. Assim, o publicaram e fizeram passar pregão por todas as suas cidades e em Jerusalém, dizendo: Saí ao monte e trazei ramos de oliveira, e ramos de zambujeiros, e ramos de murtas, e ramos de palmeiras, e ramos de árvores espessas, para fazer cabanas, como está escrito. Saiu, pois, o povo, e de tudo trouxeram e fizeram para si cabanas, cada um no seu terraço, e nos seus pátios, e nos átrios da Casa de Deus, e na praça da Porta das Águas, e na praça da Porta de Efraim”.

Deus é um Deus de promessas. E, nós, como Seus filhos, temos o direito e uma herança em Cristo Jesus para receber todas as promessas contidas em Sua Palavra. Porém, as promessas só se cumprem na vida daqueles que decidem obedecer. A palavra obedecer, na Bíblia, muitas vezes vem expressa em palavras como seguir, ouvir, escutar.

Todo obediente prospera. “Se quiserdes, e me ouvirdes, comereis o bem desta terra...” (Is 1:19).

Todas as vezes que obedecemos à Palavra de Deus usufruímos o cumprimento dessas promessas em nossas vidas. Em vários textos da Bíblia, encontramos a chamada de Deus para os Seus filhos: obediência.

Precisamos treinar a nossa obediência. Obedecer fala de compromisso. Quando decidimos obedecer ao Senhor, cumprimos a Sua Palavra e Ele cumpre em nossas vidas todas as Suas promessas.

7. O Livro de Deus deve ser amado (Ne 8.18).

“E, de dia em dia, ele lia o livro da Lei de Deus, desde o primeiro dia até ao derradeiro; e celebraram a solenidade da festa sete dias e, no oitavo dia, a festa do encerramento, segundo o rito”.

Quem ama pratica a Palavra de Deus. Quem ama não trai os mandamentos. Amar a Bíblia é amar o próprio Deus.

Conhecer, amar e obedecer à Palavra de Deus é o único meio seguro de não sermos enganados. Que Deus nos ajude a amar a Sua Palavra, a meditar nela de dia e de noite, a obedecê-la em nossa vida diária, e a lutarmos firmemente contra a perversão dessa Palavra pelos falsos mestres e falsos profetas de nossos dias.

A Grande Obra de Neemais (5ª parte)


MÉTODOS DO INIMIGO PARA ACABAR COM A OBRA

“Sambalate e Gesem mandaram dizer-me: Vem, encontremo-nos numa das aldeias da planície de Ono. Eles, porém, intentavam fazer-me mal” (Ne 6.2).

“Lembra-te, meu Deus, de Tobias e de Sambalate, conforme estas suas obras, e também da profetisa Noadias, e dos demais profetas que procuravam atemorizar-me” (Ne 6.14).

"Ao que cuida em fazer o mal, mestre de intrigas lhe chamarão" (Pv 24:8).

Há pessoas cujo negócio é praticar maldade. Eles cogitam, planejam e tramam maldades. São "inventores de males" (Rm 1:30). São derrubadores dos Ministros de Deus. Neemias enfrentou tão grande oposição que no final do versículo 19, do Capítulo 6, diz: “Tobias me mandou muitas cartas com ameaças, a fim de deixar com medo”.

O ladrão estuda para descobrir um jeito de entrar numa casa despercebido. O assassino cuidadosamente planeja como matar alguém sem deixar pistas. O caloteiro procura descobrir maneiras para enganar uma pessoa inocente. O estuprador reflete sobre planos para achar e atacar sua vítima sem ser preso. O batedor de carteiras considera vários ângulos de abordagem para conquistar seu alvo. Grandes mafiosos em prostituição e pornografia utilizam advogados caros para escapar das conseqüências dos seus atos.

O inimigo é muito astuto. Ele usa de várias estratégias, truques sujos, para nos afastar da obra do Senhor. É necessário que tenhamos sabedoria vinda de Deus para podermos enfrentar o inimigo. Precisamos estar preparados para todas as investidas do adversário (1Pe 5:8-9).

Vejamos os métodos usados pelo inimigo para desestabilizar a frente de atividades empunhada por Neemias:

1. Escárnio – Neemias e seu povo foram escarnecidos (Ne 4:1-3).

Uma das armadilhas mais usadas por Satanás é o descaso, e foi essa a primeira que ele usou contra Neemias. Vejam o que as pessoas diziam:

a) Fracos Judeus (Ne 4.2).

Vocês são fracos, desqualificados, não são especialistas em muros. Vocês acham que vão mesmo terminar esta obra? Desistam vocês nunca irão terminar isso, seu Deus não liga para vocês, para que vão oferecer sacrifícios a esse Deus?

Satanás usará sempre esses termos para desencorajar um obreiro que diuturnamente faz a obra que Deus o incumbiu de fazer. Um obreiro que tem convicção de sua chamada sabe perfeitamente que sua fortaleza está no Senhor e na força do Seu poder.

b) Pedras queimadas (Ne 4.2).

Quando as pedras calcárias são queimadas tornam-se muito moles e perdem a durabilidade. Então estavam dizendo: “Este muro vai cair logo não vai durar, até um animal noturno derrubará seu muro, vocês estão perdendo seu tempo, desistam nós somos mais fortes do que vocês, vamos entrar a qualquer hora aí”.

A estratégia do inimigo é dizer que o trabalho está fraco e que é melhor parar tudo. Às vezes o obreiro coloca na cabeça que o trabalho não vai mesmo para frente e que é melhor entregar. Tudo não passa de uma estratégia de Satanás para que pecamos a visão da nossa chamada.

c) Provocadores de ira (Ne 4.5).

Enquanto os homens estavam trabalhando para reconstruir seus muros o inimigo lá estava, provocando, tentando desviar suas atenções da obra, tentando irritá-los a tal ponto que desistissem de tudo.

Quando alguém está querendo viver uma vida que agrada a Deus, passa a ser motivo de zombaria.

Muitas vezes quando um jovem declara que sente o chamado para o ministério os seus “amigos” riem dele.

2. Ataques Diretos - Neemias sofreu ataques frontais (Ne 4.7-8).

a) O inimigo uniu forças (Ne 4.8).

Os arábicos eram liderados por Gesém (Ne 2.19). Os amonitas eram liderados por Tobias (Ne 2.19). Os asdoditas (Filisteu) provavelmente foram incitados por Sambalate.

b) O inimigo agora quer o confronto (Ne 4.8).

O inimigo viu que o escárnio não havia funcionado. Se as estratégias do inimigo contra o nosso ministério ainda não funcionaram, saiba de uma coisa: Ele não desiste nunca!

O inimigo viu que os muros já estavam até a metade, não podiam esperar mais pelas raposas.

Decisão do inimigo: vamos atacar! E a estratégia covarde do inimigo se configura no fato de que o ataque seria secreto (Ne 4.11). É assim que Satanás trabalha para nos derrubar na Obra!

c) Como reagiu Neemias aos ataques do inimigo?

Neemias se preparou para o ataque (Ne 4.9). Um obreiro não assiste passivamente a chegada do adversário sem nada fazer. Ele foi comissionado para proteger o rebanho, custe o que custar.

Neemias orou ao Deus dos céus (Ne 4.9). Quem entra numa peleja espiritual precisará estar protegido com toda a armadura de Deus.

Neemias distribuiu o povo (4.13). O obreiro inteligente não trabalha sozinho. O povo todo será vencedor da grande batalha travada!

Neemias armou o povo (4.13). Não é só o obreiro que deve estar armado. O povo orientado pela Palavra empunhará a Espada do Espírito, o Escudo da fé e rebaterá todos os dardos inflamados do maligno.

Neemias elaborou um plano: metade trabalhava a outra metade vigiava (Ne 4.16). Os carregadores mantinham uma mão com espada e a outra com a carga (Ne 4.17), os edificadores traziam a espada na cinta (Ne 4.18), todos estavam prontos (Ne 4.23). A organização e decisão conjunta faz o sucesso da obra!

Neemias colocou todos em estado de vigilância (Ne 4.21). Ele orientou o povo a ficar na cidade e trabalhar o dia e servir de guarda durante a noite. O obreiro é alguém que está na torre de vigia, porém, é auxiliado por outros companheiros corajosos a enfrentar todo e qualquer combate.

Neemias exigiu todo o cuidado (Ne 4.22-23). O obreiro e seu rebanho devem estar sempre de com os olhos espirituais abertos.

Neemias pediu que em tudo agissem com sabedoria (Ne 6.1-4). Uma obra, uma batalha só se realiza com sabedoria que vem do alto. Nós a encontramos na Palavra e na comunhão diária com Deus, nosso Pai.

Essa obra que estamos fazendo não tem espaços para medrosos, covardes, incrédulos e mundanos. Só há espaços para pessoas comprometidas.

O vale de Ono ficava a aproximadamente 32 Km de Jerusalém, a intenção de Sambalate e seus amigos era a de afastar Neemias da obra, para que na sua ausência atacassem a cidade e até mesmo com a intenção de matá-lo no vale (Ne 6.1-4).

d) Uma grande obra!

Satanás vai nos fazer convites para nos desviar da obra do Senhor, ele vai insistir. Certamente colocará em nossos caminhos a mulher adúltera, o desejo de enriquecermos e a priorizarmos nossos interesses em detrimento ao reino de Deus. Neemias disse: "Estou fazendo grande obra".

3. Calúnia – Neemias foi caluniado (Ne 6.5-9).

Mais uma investida para afastar Neemias da obra, dessa vez foi a calúnia, a carta foi lida em público com o objetivo de minar sua autoridade, dizendo que ele havia comprado os profetas para falarem dele ao povo e proclamá-lo rei.

A verdade é que quando estamos querendo arrumar nossas vidas diante de Deus, quando estamos querendo erguer novamente os muros da separação do mundo, do pecado e vivermos uma vida santa e que agrada a Deus, Satanás vai tentar nos caluniar, usando pessoas para julgar nossos motivos e intenções. Não desanimemos, pois, “Deus fortalecerá suas mãos”.

4. Traição – Neemias foi traído (Ne 6.10-13).

O profeta diz a Neemias: Deus me revelou que os inimigos vão tentar te matar ainda esta noite, vamos, pois ao templo e nos escondamos lá.

Neemias conhecia seu Deus e sabia que Ele não iria dar uma profecia que contrariasse a lei de Moisés, que impedia que um leigo entrasse no templo.

Quando alguém está andando com Deus e conhecendo a sua palavra, não vai dar ouvido a falsos profetas e a falsas doutrinas (Hb 4:12; 5:14).

a) A maneira como Neemias reagiu

Neemias não deu ouvidos às acusações, mas deu prioridade ao seu objetivo que era a reconstrução dos muros (Ne 6.3).

O obreiro não deve dar prioridade às acusações, antes, deve dar prioridade às coisas que Deus quer fazer em sua vida e ministério.

b) A maneira como José reagiu

José foi vendido pelos seus irmãos, trabalhou na casa de Potifar e a mulher deste o caluniou, e, ele acabou indo para a cadeia injustamente (Gn 39.14-20).

A injustiça é um dos elementos mais poderosos para tornar a pessoa deprimida. Mesmo assim, José não se deixou abater. O segredo da vida de José é que ele confiava em Deus e considerou as acusações como circunstâncias e temporais.

Não importa o tipo e a força da acusação, as promessas de Deus para a sua vida são maiores do que as acusações.

c) A maneira como Mardoqueu reagiu

Estavam os judeus sob o domínio do rei Assuero e havia na província do rei, um homem mal chamado Hamã. Ele aproveitou uma oportunidade estratégica e inteligente e persuadiu o rei a assinar um edito para matar todos os judeus daquele reino (Et 3.8-12). O rei marcou então uma data para que todos os judeus fossem mortos.

Aparece o personagem Mardoqueu que enfrentou a acusação com estratégia. Procurou alguém que pudesse resolver o problema: a rainha Ester (Et 4.7-10). Esta, por sua vez, correu o risco de morrer, pois, se apresentou ao rei sem ter sido chamado por este (Et 4.16). O resultado foi que Ester preparou um banquete e desmascarou a maldade de Hamã (Et 7.1-10).

Temos que ser estratégicos para neutralizar a acusação.

d) Diante das terríveis investidas do inimigo o soldado do Mestre não desiste!

Mesmo em meio a zombaria, ataques, calúnia e traição a obra que Neemias se dispôs a fazer, foi concluída em 52 dias.

O obreiro não se deve preocupar se ao tentar fazer o trabalho com lealdade, sofrer ataques. Isso sempre acontecerá. Esses ataques podem vir até de dentro da sua própria casa ou igreja.

É necessário ter sempre em mente esta grande verdade: “O Deus dos céus é quem nos dará bom êxito”.

5. Além de Sambalate e Tobias há outros exemplos de Mestres de Intrigas, Inventores de Males, que são Qualificados como Derrubadores de Líderes.

a) Rei Saul

Motivado principalmente pela inveja, Saul se dedicou a prejudicar Davi (1Sm 18:6-9). Ele ofereceu a Davi sua filha, Mical, como esposa, pedindo cem prepúcios de filisteus como dote. "Porquanto Saul tentava fazer cair a Davi pelas mãos dos filisteus". O plano fracassou, pois Davi e seus homens mataram duzentos filisteus e não apenas cem (1Sm 18.20-27). Saul tentou matar Davi com sua lança, mas Davi escapou. Ele enviou servos para vigiar a casa de Davi e o matar de manhã. Mical ajudou Davi fugir (1Sm 19.10-17). Correndo de um lugar para outro para ficar fora do alcance de Saul, Davi sabia "que Saul maquinava o mal contra ele" (1Sm 23.9). As ciladas de Saul fracassaram porque Deus estava com Davi.

b) Hamã

Um agagita e inimigo dos judeus, Hamã se tornou primeiro ministro do governo persa. Hamã tramou um plano para exterminar por completo o povo judeu. Ester, uma judia bonita que havia se tornado rainha da Pérsia arriscou a sua vida para expor o plano mal de Hamã. Ester abordou "o rei e se lhe lançou aos pés; e, com lágrimas, lhe implorou que revogasse a maldade de Hamã, o agagita, e a trama que havia empreendido contra os judeus" (Et 8:3). O decreto feito sob a influência de Hamã foi contrariado por outro decreto real.

c) Líderes gananciosos

O profeta Miquéias dirigiu suas palavras alguns nobres ou líderes entre os israelitas que tramavam maldade para se enriquecer. "Ai daqueles que, no seu leito, imaginam a iniqüidade e maquinam o mal! À luz da alva, o praticam, porque o poder está em suas mãos. Se cobiçam campos, os arrebatam; se casas, as tomam; assim, fazem violência a um homem e à sua casa, a uma pessoa e à sua herança" (Mq 2:1-2). Esses homens cobiçosos ficaram acordados à noite planejando sua maldade. "Sua maldade é planejada e proposital, pois, ao invés de se retirarem para dormir a noite, eles ficam acordados tramando e preparando seus planos maus" (H. Hailey).

d) Os principais sacerdotes e escribas

Esses líderes judeus na época do ministério de Jesus estudaram e consultaram entre si, planejando a morte de Jesus. "Então, os principais sacerdotes e os anciãos do povo se reuniram no palácio do sumo sacerdote, chamado Caifás; e deliberaram prender Jesus, à traição, e matá-lo" (Mt 26:3-4). Os principais sacerdotes concordaram em pagar para Judas 30 moedas de prata para que ele traísse Jesus (Mt 26:14-16). Os mesmos líderes, mais tarde, procuraram "algum testemunho falso contra Jesus, a fim de o condenarem à morte" (Mt 26:59).

Esses são poucos dos muitos exemplos na Bíblia de pessoas que podem ser chamadas "mestres de intrigas". Deus considera abominável o "coração que trama projetos iníquos" (Pv 6:18).

A Grande Obra de Neemias (4ª parte)


MEDIDAS NECESSÁRIAS PARA A EXECUÇÃO DE UMA GRANDE OBRA

“Nós, porém, oramos ao nosso Deus, e pusemos guarda contra eles de dia e de noite” (Ne 4.9).

As medidas que foram adotadas por Neemias devem ser postas em prática pelo obreiro do Senhor, caso contrário, não será possível fazer a grande obra que lhe foi confiada. O obreiro do Senhor tem que tomar decisões contra frentes que impedem o seu trabalho.

Neemias tomou duas medidas:

1. Foi preciso retirar os escombros para encontrar os alicerces antigos (Ne 4.10).

O que havia caído eram os muros não o alicerce, e o texto mostra que muitos entulhos ficaram pelo chão. Logo, o primeiro trabalho a se fazer era tirar o lixo que cobria o alicerce. Isso não foi tarefa fácil, diz o nosso texto que os homens ficaram exaustos, chegaram até a desanimar dizendo: "nunca iremos conseguir reconstruir os muros, pois existe muito lixo pesado sobre o alicerce" (Ne 4.10).

Remover lixo não é uma tarefa fácil nem gostosa de se fazer, mas para se reconstruir alguma coisa é preciso tirar o lixo, não se faz uma construção sobre um monte de entulhos.

Talvez você está aqui hoje dizendo: “um dia os muros da minha vida ministerial foram para baixo, o pecado teve liberdade e muito lixo foi acumulado na minha vida”. Satanás quer vê-lo desmotivado. Mas, se você sujou a sua vida com pecado você só precisa reconhecer que errou, pedir perdão a Deus e Ele está pronto a perdoar (1Jo 1.9).

Como é fácil guardar lixo! Quem tem porão, sótão ou um quartinho nos fundos da casa sabe muito bem o que é acumular coisas velhas. Às vezes paramos para mexer nestes lugares e achamos tanto lixo que não serve para nada. O problema é que não queremos nos desfazer deles. Assim é a vida no ministério. Às vezes há lixo guardado na mente, no coração e queremos mantê-los a todo o custo. Como é difícil se desprender do lixo.

Essas sujeiras espirituais impedem que nós tenhamos maior comunhão com nosso Deus, que façamos a vontade de Deus, e até mesmo de exercer eficazmente o ministério.

Ser um obreiro espiritual é ter a capacidade de reconhecer um lixo em sua vida e ter a coragem de descartá-lo.

Alicerces antigos falam da doutrina genuína do evangelho que tem estado coberta pelo lixo do pecado, da falta de zelo, do desleixo espiritual resultante da falta de oração e do contato diário com a Palavra.

Para Neemias, jamais a obra seria realizada senão fossem retirados os entulhos.

2. Foi preciso restaurar as portas (Ne 6:1).

As portas eram muito mais do que simples lugar de entrada e saída, era também um lugar de jurisdição, onde as autoridades se encontravam para tratar de negócios.

Também por mais fortes que sejam os muros eles perderão sua função se não houver as portas, e Neemias nos conta outro fato (Ne 3:3; 6; 13; 14; 15), as portas deveriam ser trancadas.

Aprendemos que a porta da vida Ministerial deve ser fechada para o embaraço, o pecado, o desfalecimento e raízes de amargura (Hb 12.1).

Embaraços são sobrecargas que levam um obreiro a desistir da carreira que lhe está proposta. O embaraço traz dificuldade para o obreiro, fazendo com que ele não se movimente com agilidade. A ambição mundana jamais poderá estar no coração do servo de Deus.

Pecado aqui é aquilo que faz alguém mudar o seu rumo da carreira, por estar em direção ao alvo errado. Se um obreiro vive no pecado ficará sem condições de buscar respostas de Deus para o povo.

O desfalecimento na obra foi uma constante na vida dos auxiliares de Neemias. Foram vários os momentos em que o povo quis desistir. O obreiro do Senhor tem que ter fibra, determinação, não pode perder a coragem, nem afrouxar.

O escritor aos Hebreus escreve: “... que nenhuma raiz de amargura, brotando vos perturbe, e por ela muitos se contaminem” (Hb 12.15). Uma raiz de amargura indica uma planta venenosa. Os hebreus chamavam de amarga a toda a planta venenosa, e com grande propriedade, pois a maioria das plantas venenosas, quanto mais amargas são, maior é a dose de veneno. Só a genuína Palavra de Deus não contém veneno. Ela diz não para morte e sim, para a vida (Hb 4.12).

As portas também deveriam ser guardadas (Ne 7:1-3), é preciso colocar guardas leais e tementes a Deus para guardas as portas.

A igreja de Cristo necessita de guardas fiéis. A Palavra diz o que se espera de todos os despenseiros que se ache fiel (1Co 4.2).

É imprescindível entender que:
  • Não é possível fazer a grande obra a nós comissionada em cima de entulho (lixo). O obreiro do Senhor tem que reconhecer o entulho que impede a execução da Obra do Senhor.

  • É necessário trancar as portas para que o inimigo não tenha espaço na Igreja de Deus. O obreiro deve estar numa torre de vigia.

  • Tanto nossas vidas espirituais, como nossas famílias e também as igrejas, precisam de guardas fiéis, responsáveis que não permitam que o pecado, o mundanismo e a imoralidade entrem.

A Grande Obra de Neemias (3ª parte)


A OBRA DEMANDA DEPENDÊNCIA TOTAL DE DEUS

“Tendo eu ouvido estas palavras, sentei-me e chorei, e lamentei por alguns dias; e continuei a jejuar e orar perante o Deus do céu” (Ne 1.4).

O livro de Neemias mostra-nos que este partiu da Pérsia para Jerusalém em 444 a.C., como governador de Judá. Isto ocorreu treze anos após a chegada de Esdras a Jerusalém.

Neemias estava incumbido pelo rei da Pérsia para reconstruir o muro de Jerusalém e fortificar a cidade (Ne 2.7,8).

Neemias tinha grande solicitude pelo seu povo e pela obra de Deus em Judá. Durante quatro meses (Ne 1.1 e 2.1), derramou seu coração diante de Deus, em jejum e oração, com muitas lágrimas, por causa do problema que afligia o povo de Deus em Jerusalém e em Judá.

Neemias estava concentrado em Deus. Mais de doze vezes ele orou, desde quando ouviu pela primeira vez, até quando lidou com a última irregularidade (Ne 13:29-31). Seu projeto era o que Deus tinha posto em seu coração (Ne 2:12). Estava em seu coração porque ele conhecia bem os propósitos de Deus, estava preocupado com a condição do povo de Deus, e estava determinado a fazer alguma coisa para ajudar.

Se estivermos concentrados em Deus em nossos corações, saberemos seus propósitos em reconciliar-se com os pecadores, teremos profunda tristeza no coração por eles, e determinaremos prosseguir à tarefa de redimi-los. Esta meta se apossará de nossas mentes.

O livro de Neemias é todo marcado pela dependência de Deus. É nessa condição que ele concluiu a obra num tempo recorde, isto é, em 52 dias (Ne 6.15).

1. Para Neemias, falar com Deus era uma questão de honra

“E o rei me disse: Que me pedes agora? Então, orei ao Deus dos céus” (Ne 2.4).

“... e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus” (Ne 1.4).

“Ouve, ó nosso Deus, que somos tão desprezados...” (Ne 4.4).

“Lembra-te de mim para bem, ó meu Deus, e de tudo quanto fiz a este povo” (5.19).

“Agora, pois, ó Deus, esforça as minhas mãos” (Ne 6.9).

Observamos que a dependência divina é o segredo para todo o sucesso em qualquer esfera da vida. Deus se coloca na condição de auxiliador daqueles que se deixam dirigir por Sua vontade.

Neemias sabia que enfrentaria muitos empecilhos na realização daquela tão nobre obra, a reconstrução dos muros da cidade.

Sem a dependência de Deus o trabalho de um líder é infrutífero e sem brilho espiritual. Um líder dependente de Deus levará o rebanho a estar na mesma santa dependência.

Deus não usa aqueles que são capacitados ou mais hábeis; o Pai usa os disponíveis, pois são esses que se tornam mais dependentes de Deus. Quanto mais dependentes forem muito mais o Senhor o usará.

Ser dependente de Deus não é ser um bebê chorão, que toda hora chora pedindo colo. Ser dependente de Deus é não fazer nada sem sua permissão.

Alguma criança vai a algum lugar sem pedir primeiro para os pais? Uma criança novinha não pode ir a lugar algum sozinha. Pra onde ela quiser, os pais vão junto, se eles quiserem levá-la. Assim também perante Deus. Um cristão não pode tomar as decisões sem pedir primeiro a permissão de Deus.

Ora, se a nossa vida não é mais nossa, mas de Jesus, então, só vamos onde Deus quer que estejamos. Fazemos o que Deus quer que façamos. Em tudo pedimos a direção de Deus. Em tudo!

2. Orar é demonstrar total dependência de Deus

Ao orar, Neemias mostra que tinha parceria com o Eterno, e que era insuficiente para executar sozinho aquela grande obra.

Talvez seja por isso que nós não oramos como devíamos, pois nós nos julgamos tão capazes e competentes.

Sem oração não há dependência. A oração é a coisa mais importante na vida das pessoas que querem trabalhar para o Reino de Deus. É tão importante, que os Apóstolos se negaram a servir as mesas, não por negligência, mas por entenderem que “a oração e o ministério da Palavra” (At 6:4) eram prioridades.

Quantos de nossos problemas de relacionamentos, falta de recursos financeiros, desânimo e outras coisas mais, poderiam ser facilmente resolvidas, se realmente orássemos: aqui não está se falando de ficarmos diante de Deus, balbuciando palavras sem sentido, enfadonhas que não expressam de fato a realidade em que vivemos. Ao dizer que Neemias orou, a Bíblia diz: "Então orei ao Deus dos céus" (Ne 2.4). Neemias era o líder, ele mais do que ninguém tinha a obrigação de erguer a voz e pedir misericórdia.

A oração é a marca do líder que confia em Deus, como bem dizia Lutero: "quem não tiver fé verdadeira não saberá orar". Liderança sem oração gera ministério sem poder. É comum ouvirmos dizer: “Muita oração, muita poder, pouca oração pouco poder, nenhuma oração nenhum poder".

Seria muito importante reavaliarmos nossa vida de oração diante da obra que Deus tem nos chamada a desenvolver.

A questão não é orar até que Deus nos ouça o que lhe pedimos, mas até entender aquilo que Ele nos pede.

3. O Conteúdo da Oração de Neemias

a) Reconhecimento da soberania divina (Ne 1.5).

Neemias expressa: “Oh Senhor, Deus do céu, Deus grande e temível, que guardas o pacto e usas de misericórdia para com aqueles que te amam e guardam os teus mandamentos”.

Deus sempre estará direcionando respostas àqueles que o temem, reconhecendo seu senhorio. Qual foi a experiência de Davi sendo um homem temente a Deus? Ele mesmo nos responde no Salmo 34.9,10: “Nada falta aos que o temem”.

b) Confissão de pecados (Ne 1.6,7).

Num ato de coragem e sinceridade: “Estejam atentos os teus ouvidos e abertos os teus olhos, para ouvires a oração do teu servo, que eu hoje faço perante ti, dia e noite, pelos filhos de Israel, teus servos, confessando eu os pecados dos filhos de Israel, que temos cometido contra ti; sim, eu e a casa de meu pai pecamos; na verdade temos procedido perversamente contra ti, e não temos guardado os mandamentos, nem os estatutos, nem os juízos, que ordenaste a teu servo Moisés”.

A expressão de Neemias deixa-nos uma lição rica. Ele assim expressa: "... temos pecado”. Passamos a entender que jamais poderemos ser bons líderes, se não tiver a capacidade de reconhecer o pecado em nós primeiramente.

A primeira coisa verdadeiramente grande que Neemias faz é reconhecer-se pecador diante de Deus. Não somente o pecado dos outros que interessa, mas o nosso próprio pecado. A minha relação de ajuda de condução das pessoas a Deus passa pela confissão das minhas falhas pessoais. Aprendo que: "Eu só posso levar alguém tão perto de Cristo, quanto eu estou" (Reinold Frenzel).

c) Fé na Palavra (Ne 1.8,9).

Um líder que deposita total confiança na Palavra, pode dizer: “Lembra-te, pois, da palavra que ordenaste a teu servo Moisés, dizendo: Se vós transgredirdes, eu vos espalharei por entre os povos; mas se vos converterdes a mim, e guardardes os meus mandamentos e os cumprirdes, ainda que os vossos rejeitados estejam na extremidade do céu, de lá os ajuntarei e os trarei para o lugar que tenho escolhido para ali fazer habitar o meu nome”.

Orar crendo que o que está escrito na Palavra de Deus é digno de confiança e que podemos alcançar. Precisamos entender que Deus nos atende à medida que pedimos de acordo com Sua Palavra: "E esta é a confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa, segundo a Sua vontade, Ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos" (1Jo 5:14-15).

4. Exemplos de homens que viveram totalmente dependentes de Deus

a) Elias (1Rs 17.3,4)

Depender de Deus é estar certo de que na hora em que houver crises de qualquer natureza, haverá uma saída. Quando Elias profetizou que não choveria por um certo período de tempo, Deus providenciou uma saída para o profeta.

Essa foi a exata mensagem divina: “Retira-te daqui, vai para o lado oriental e esconde-te junto à torrente de Querite, fronteira ao Jordão. Beberás da torrente; e ordenei aos corvos que ali mesmo te sustentem” (1Rs 17.3,4).

Quando o ribeiro secou-se o profeta Elias se deslocou para uma terra estrangeira: “Mas, passados dias, a torrente secou, porque não chovia sobre a terra. Então, lhe veio a palavra do Senhor, dizendo: Dispõe-te, e vai a Sarepta, que pertence a Sidom, e demora-te ali, onde ordenei a uma mulher viúva que te dê comida” (1Rs 17.7-9).

O que se segue a essa experiência é que depender de Deus não significa estar livre de dificuldades, mas ter a certeza de que Deus é fiel e suprirá todas as necessidades (Fp 4.13).

Aprendemos com essa experiência que quem é dependente de Deus, tem o suprimento necessário de pão e água, ainda que o povo passe fome e sede.

Billy Graham tem dito constantemente: “Se Deus tirar a mão da minha vida, estes lábios se tornarão lábios de barro”.

b) O rei Davi (Sl 3.5).

Algo que aprendemos com Davi, é viver na dependência de Deus. Ao citar o Salmo três há uma linda expressão de confiança. No versículo cinco ele expressa: “Eu me deitei e dormi, acordei, porque o Senhor me sustentou”. Aprendemos uma grande lição nesse texto: Davi declara que é dependente de Deus, em tudo, até para dormir e acordar!

c) O Senhor Jesus (Pai seja feita a tua vontade...).

Seu Ministério terreno é a expressão exata dessa dependência. Jesus sempre quis saber qual era a vontade do Pai. Vejamos alguns exemplos:

Em Mt 14.23: "E, despedidas as multidões, subiu ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava Ele, só”.

Em Lc 11.1: "De uma feita, estava Jesus orando em certo lugar; quando terminou, um dos Seus discípulos Lhe pediu: Senhor, ensina-nos a orar como também João ensinou aos seus discípulos”.

Em Lc 3.21: "E aconteceu que, ao ser todo o povo batizado, também o foi Jesus; e, estando ele a orar, o céu se abriu”.

Em Mt 26.36: "Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a Seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto Eu vou ali orar”.

Em Mt 26.42: “Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade”. Mesmo no Getsêmani, antevendo as dores da crucificação foi totalmente depende do Pai.

5. Dependência divina – regra para um ministério bem sucedido

Para ser vitorioso e ter uma vida bem sucedida, só há uma receita: estar na dependência divina. O crente tem que entender que Sem Jesus, nada pode fazer. Foi o próprio Senhor quem disse: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5).

6. Dependência divina compartilhada por homens de Deus

Spurgeon respondendo sobre o sucesso do seu ministério disse: “Trabalho de joelhos! Trabalho de Joelhos!”.

Wesley L. Duewel em seu livro Em Chamas para Deus diz: “O sucesso do ministério pastoral não está no tamanho da sua Igreja, nem na sua arrecadação, nem nos planos e métodos de trabalho, mas, antes, no tempo em que o seu líder investe em oração”.

E. M. Bounds escreveu: “Muita oração é o sinal e selo dos grandes líderes de Deus”. Ele, ainda, afirma: “Nenhum conhecimento substitui a oração ou a falta dela. Nenhuma sinceridade, diligência, estudo, dom suprirá a sua falta. Falar com os homens sobre Deus é uma grande coisa, mas falar com Deus sobre os homens é uma coisa ainda maior. Pois palavras sem oração, são palavras mortas”.

Bounds assim disse: “líderes que não oram prejudicam a causa de Deus”.

A Grande Obra de Neemias (2ª parte)


A OBRA É EXCELENTE!

“Estou fazendo uma grande obra, de modo que não poderei descer. Por que cessaria?” (Ne 6.3).

“Fiel é esta palavra: Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra deseja” (1Tm 3.1).

Tal qual Neemias, o obreiro do Senhor tem diante de si o desafio de cumprir bem o mandado que lhe foi confiado pelo Dono da Obra.

Paulo chama essa obra espiritual de “excelente”, ao expressar a grandeza do ministério em 1Tm 3.1: “Fiel é esta palavra: Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra deseja”.

“Excelente” significa melhor do que os melhores; algo extremamente desejável e perfeito.

1. A obra é excelente pelo privilégio daqueles que são chamados para a sua realização

Neemias era o homem certo, na hora certa e no lugar certo. Atender o chamado de Deus é algo imensurável. A pregação do evangelho é privilégio que até os anjos anelam ter (1Pe 1.12). Os ministros usufruem do privilégio que os próprios anjos gostariam de gozar.

É um privilégio ser arauto, o proclamador oficial da mensagem do rei. É um privilégio ser o atalaia, homem que vigia sobre a sua cidade. É um privilégio ser chamado para ser testemunha do que Cristo faz por nós.

2. A obra é excelente pela nobreza do seu glorioso propósito

Embora Neemias estivesse a serviço do bem-estar de seus irmãos e sob a autoridade divina, seu trabalho, em princípio (reconstrução dos muros e das portas) estavam ligados a valores materiais. Somente num segundo momento o resultado de suas atividades alcançou objetivos espirituais (o povo se arrependeu dos pecados e adorou a Deus).

Os objetivos das obras deste mundo fenecem, são efêmeros, seus valores são temporais (1Jo 2.17). Até mesmo a profissão da medicina, tão nobre e respeitada, cuida apenas de coisas temporais, pois a vida que temos neste mundo é passageira.

O propósito primordial da Obra de Deus é o resgate de almas eternas (Mt 4.19). Uma alma tem mais valor do que o mundo inteiro (Mc 8.36). Esta é a causa da nobreza da obra em que estamos.

Esta verdade fascinava o grande coração de Jesus Cristo (Jo 4.34). Esta verdade abrasava o coração de Paulo (Rm 9.3). Esta verdade compungia a alma de João Knox: ajoelhado na praia ele orava ao Senhor: “Dá-me a Escócia ou eu morro”. Esta grande verdade, hoje, deve fazer vibrar as nossas almas.

3. A obra é excelente pela grandeza de seus resultados

Neemias e Esdras viram o resultado do efeito da Palavra de Deus na vida do seu povo (Ne 8).

A colheita é garantida e certa, ainda que semeemos com lágrimas (Sl 126.5,6). A Palavra que levamos não volta vazia (Is 55.11). A obra que fazemos tem recompensa (2Cr 15.7). A nossa obra não é vã (1Co 15.58).

Homens de rua têm se tornado pregadores do evangelho; prostitutas têm se tornadas mulheres santas e drogados testemunham o poder libertador da Palavra.

A Grande Obra de Neemias (1ª parte)


Neemias, cujo nome significa “Deus Consola”, era servo judeu do rei persa Artaxerxes. Era copeiro do rei. Esta era uma posição de grande confiança e honra, e desejável, pois dava acesso ao rei em ocasiões em que este estava de espírito alegre e disposto a conceder favores. Entretanto, Neemias era um daqueles fiéis exilados que preferiu Jerusalém acima de qualquer “causa de alegria” pessoal. Não era posição ou riqueza material que ocupava o primeiro lugar nos pensamentos de Neemias, mas, antes, a restauração da adoração de Deus.

Em 456 a.C., os “que remanesceram do cativeiro”, o restante judeu que retornara a Jerusalém, não estavam prosperando. Estavam numa situação lamentável (Ne 1.3). A muralha da cidade era um entulho, e o povo era um vitupério aos olhos de seus adversários sempre presentes. Neemias estava pesaroso. Contudo, era o tempo determinado do Senhor Deus para que se fizesse algo a respeito das muralhas de Jerusalém. Com ou sem inimigos, Jerusalém com sua muralha protetora precisava ser construída como marco no tempo, em conexão com uma profecia que Deus dera a Daniel sobre a vinda do Messias (Dn 9.24-27). Por conseguinte, Deus guiou os eventos, usando o fiel e zeloso Neemias para executar a vontade divina.

Neemias fica grandemente perturbado com o relato de Hanani, que retornou a Susã, vindo de Jerusalém, trazendo notícias sobre os grandes apuros dos judeus ali, e sobre o estado derrocado da muralha e dos portões. Ele jejua e ora ao Senhor como o “Deus dos céus, o Deus grande e atemorizante, guardando o pacto e a benevolência para com os que o amam e que guardam os seus mandamentos” (Ne 1:5). Confessa os pecados de Israel e pede que Deus se lembre do Seu povo por causa do Seu nome, assim como prometera a Moisés (Dt 30.1-10).

Nesse ínterim, o rei pergunta a Neemias sobre o motivo de seu semblante triste, Neemias lhe conta sobre a condição de Jerusalém e pede permissão para voltar e reconstruir a cidade e sua muralha. Seu pedido é concedido, e ele viaja imediatamente a Jerusalém.

A história da “grande obra” tem o seu início quando Neemias vai à Jerusalém visando fazer algo pelos seus irmãos, ou seja, a reconstrução dos muros e de suas vidas espirituais.