terça-feira, 7 de abril de 2015

Esforça-te!

"Apenas esforça-te e sê corajoso, cuidando de obedecer a toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; não te desvies dela, nem para a direita nem para a esquerda; assim serás bem-sucedido por onde quer que andares" (Josué 1.7).

"Apenas..."
- Somente.
- Só isso.
- Nada mais.
- Prioritariamente.
- Primeiramente.

"... esforça-te e sê corajoso..."
- Tenha força e seja corajoso.
- Tenha garra e não tenha medo.
- Seja determinado e não seja covarde.
- Seja resistente e intrépido.
- Persista e avance.


"... cuidando de obedecer a toda a lei..."
- Você tem a mão, mas eu tenho a força.
- Você tem a ferramenta, mas eu tenho o manual.
- Você tem vontade, mas do meu jeito é melhor.
- Você executa, mas o projeto é meu.
- Você pode, mas eu te levo além disso.

"... que meu servo Moisés te ordenou..."
- Honre os que vieram antes.
- Lembre dos que te ensinaram.
- Aprenda com os antepassados. 
- Aprimore o que você aprendeu.
- Siga o exemplo do que deu certo.

"... não te desvies dela..."
- Não mudar o rumo.
- Não alterar a rota.
- Não vá em outra direção.
- Não volte atrás.
- Não olhe para trás.

"... nem para a direita..."
- Não seja radical. 
- Não seja extremista.
- Não seja inflexível.
- Não seja santarrão
- Não seja tão exigente.

"... nem para a esquerda..."
- Não seja liberal.
- Não abra mão de princípios.
- Não negocie valores.
- Não seja imparcial.
- Não seja neutro.

"... assim serás bem-sucedido..."
- Terá o necessário para viver bem.
- Aprenderá com as situações.
- Compreenderá os propósitos indefinidos.
- Regozijará em fazer a minha vontade.
- Terá a minha presença que te sustém.

"... por onde quer que andares"
- Quando entrar e sair.
- Quando comprar e vender.
- Quando for e quando voltar.
- Aqui, ali e acolá. 
- Hoje, amanhã e depois.

Eu não estou dando conta!

Não estou dando conta de ouvir um evangelho alternativo. Um evangelho capitalista, que reconhece bênção no âmbito material, que adere à teologia de mamom, que diz que está tudo bem se o corpo se sentir bem.

Não estou dando conta de ir ao culto e perceber que lá tem tudo, menos culto. Esse culto alterado, adulterado, que remove o Trono de Deus, sem se importar com Deus e glorifica a si mesmo; que me faz se sentir um pouquinho parecido com Deus em sua glória, nunca em sua vontade.

Não estou dando conta de ver dia-a-dia uma Igreja afundada e não fundamentada. Cavamos em outro solo que não é Cristo afim de achar um outro Messias que nos fale sempre com brandura, que reconheça os nossos esforços, que nos atenda no primeiro chamado. Essa teologia que transforma Deus num empregadinho e que nos promove a senhores do Senhor e reis do Rei.

Não estou dando conta de ver uma Igreja que aplaude o efêmero e abraça o supérfluo como se isso fosse o novo mover de Deus. Esse avivamento tão pregado e aparentemente tão esperado, é sectarista, fracionário, ignorante, divisor e cego. É sectarista porque parece que só vem sobre os mais iniciados. É fracionário porque divide a vida natural da vida cristã como se Deus só enxergasse o que somos no ambiente do culto. É ignorante porque não busca bases e exclui aquela que deveria ser o pilar de sustentação - a Palavra de Deus. É divisor porque propõe uma linha que separa santos e santos do Santo, onde o servido que é grande e quem serve tem como honra servir, não a Deus, mas aos seus gurus. E é cego porque o deus deles fez-lhe isso - arrancou-lhe o sentido de enxergar, de procurar, de fundamentar, de cavar, de buscar e de comparar.

Não estou dando conta mais de ver tanta idolatria. Fingimos um culto místico que aceita de tudo, inclusive entretenimento que exclui o evangelho. Mas consideramos que isso é bom e que é melhor o culto dissimulado do que culto nenhum.

Não estou dando conta de ver as doutrinas, principalmente a de Cristo que exaltam o nosso Salvador, serem substituídas por sacrifícios tolos, que diminuem a Cruz e a Redenção e que nos valorizam tanto a ponto de criar um Cristo constrangido e reprimido.

Não estou dando conta de ver a Igreja tão mal e achando que está tudo bem. Já não nos preocupamos com a saúde espiritual de ninguém. Queremos a casa cheia e esquecemos que no meio do povo há cegos, coxos, aleijados e miseráveis. Mas um detalhe: cada um desses deficientes acredita estar muito bem, ainda que esteja impossibilitado de ver, ouvir, falar, mover-se e sentir sua invalidez.

Não estou dando conta dessa transformação que nos faz ser credor de Deus, como se Ele nos devesse sempre e muito. Assimilamos muito rápido a ideia de que tudo o que faço na Obra, gera um crédito com Deus. Pobres miseráveis! Tudo o que lhe entregamos, já não veio dEle a nós?

Não estou dando conta desse Evangelho de morte que se alimenta de cadáveres e, à semelhança das funerárias, tem neles o seu lucro. Esquecem-se que, por mais que limpem e perfumem o defunto, nunca conseguirão impedir a decomposição que acontece de dentro pra fora.

Não estou dando conta de ver a confusão que estão fazendo com o genuíno Evangelho, aquele sem fermento e sem mistura alguma. Na visão da Igreja, o valor está em ter. Na visão do Evangelho, o valor está em ser. Trocamos a essência pela superficialidade. Trocamos o intrínseco pelo banal. Trocamos o coração pela aparência.

Não estou dando conta de ir ao culto e nem de longe ser ministrado. O culto, que deveria ser o ápice da minha vida cristã, porque desfruto ao mesmo tempo de paz e comunhão por estar entre os meus irmãos, é caracterizado por shows independentes. O flash das máquinas e a preocupação excedente de ter algo para mostrar para o mundo nas redes sociais, arrancam de nós a expectativa do culto, a glória do culto, a admiração do culto. Lá dentro, a porfia impera no mesmo ritmo de uma corrida de Fórmula 1, onde o melhor ultrapassa a todos sem se importar se este vai se chocar contra uma parede de concreto.

Não estou dando conta de viver numa comunidade que não vive em unanimidade. Não reconhecemos, mas estamos nos tornando mais perverso a cada dia. A capacidade de abandono, indiferença e desamor da Igreja é uma coisa absurda. Somos soldados com armas em direção de nós mesmos.

Não estou dando conta de ver a desigualdade social imperando entre nós que deveríamos pregar e viver o que nos é comum. Não identificamos o pastor ou dirigente pela fala ou serviço e sim pela indumentária, geralmente com uma etiqueta famosa e cara. Fizemos do púlpito uma vitrine onde quem está em baixo sonhar em chegar lá, quando, segundo o nosso Mestre, os aspirantes à grandeza deveriam ser servos de todos. Lamentável!

Não estou dando conta dos sermões direcionais que sempre visam atender necessidades do aqui e agora, que tenta despertar em quem ouve um maior contribuinte, alguém que dê tudo o que tem pela Igreja e não por Cristo. Que aliás, desprezam o trabalho de missionários que estão morrendo e de famílias inteiras que estão no corredor da morte.

Não estou dando conta desse evangelho que ao invés de nos fazer casa, faz-nos cavalos e assim voltamos à escravidão tendo um demônio sobre nós e não um Senhor. O Evangelho que promete o alívio, é substituído pela Teologia dos Fariseus que impõe uma carga que nem eles conseguem carregar.

Não estou dando conta de ver que os milagres modernos são parecidos com o que alegam os espíritas, transformando os homens em curandeiros, parecidos com macumbeiros. Abrir um corpo para evidenciar um milagre não tem base bíblica. A pobreza é tão grande que precisam fazer truques para realizarem um falso milagre. Alguns chegam a dizer que o próprio Senhor disse que faríamos obras maiores do que Ele, mas não disse que faríamos algo que Ele não fez. O registro bíblico deixa uma barreira intransponível, não de impedimento, mas de modelo para os milagres que continuam ainda hoje.

Não estou dando conta de ver os nossos líderes perderem a prioridade do Reino. Vejo muitos deles se alimentando, não do reconhecimento da ovelha, mas daquilo que deveria permanecer nela, até mesmo porque se tirar, pode impedir a vida dela. Mas a lã já não satisfaz; querem mais. E isso as oprime, adoece e mata.

Não estou dando conta de ver que os líderes estão mais doentes do que aquelas a quem oferecem saúde. São semelhantes a cegos que guiam outros cegos. Essa cegueira precipita-los-á para cada vez mais fundo. O resultado será uma vida asfixiada, mergulhada em trevas e morta. Não uma morte atestada clinicamente, mas uma morte impressa pelo Diabo, que mata sem tirar a existência. Uma vida cansada mas extremamente ativa, requisitada e aplaudida, que confunde o zumbi, que a despeito de estar morto, anda como se estivesse no piloto automático, cumprindo apenas instintos primitivos, nesse caso, instintos egoístas.

Não estou dando conta de ver a Bíblia ser diminuída, ofendida e pessimamente interpretada por alguém que alega ter recebido uma nova revelação. Que a partir disso ditam modelos de vida cristã, ignorando princípios básicos de amor e compaixão. Crêem eles, não na Bíblia, mas na sua visão personalista, que, imitando, finge ser deus, confundindo as mentes dos menos instruídos.

Não estou dando conta de ver que o sério trabalho pastoral é desconstruído por qualquer um aparentemente mais espiritual. Qualquer um que mostre a fórmula da vitória ou que exponha um jeito vendável de obter o favor de Deus, diminui aquilo que foi edificado por anos, levando a Igreja a desconfiar da verdade do pastor local.

Como não estou dando conta, eu quero prestar contas. Quero manter em mim a convicção de que não fiz tudo, mas que me gastei pra apresentar o maior número de serviço para o Reino. Quero que o Reino continue sendo minha prioridade, minha razão de ser cristão. Quero ser preparado pela Igreja para servir ao mundo e não disputar um lugar dentro dela mesma. Quero viver na expectativa de que, a qualquer momento, a oração modelo de Jesus, pode tornar-se realidade: "Venha o teu Reino". Nada mais importa!