quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Nossas Construções

Geralmente, as construções são valorizadas pela beleza arquitetônica. Gaba-se ao dizer quantos milhões foram investidos. Há vanglória em cada exclusividade.

Mas esquecemos que nem sempre tudo o que está a mostra representa a imponência e segurança se os alicerces não foram tão valorizados quanto o visível. Pra que investir tanto se vai ficar debaixo da terra, invisível aos mais detalhistas? Ledo engano: todo o belo e admirável, sem os cuidados de um bom alicerce, um dia ruirá! O que foi feito nas recâmaras será apregoado de um poste muito alto.

Toda palavra frívola que você disser, toda mentira encobridora, todo lixo varrido pra debaixo do tapete, todo pecado não confessado, todo pensamento malicioso, toda ação destruidora, tudo, tudo, tudo um dia será trazido às claras.

A vida reta é inabalável e inegociável, os olhos de Deus não dormem, somos vigiados 24h. O pecado jaz à porta, quer nos dominar, é necessário resisti-lo.

Vigiemos! Vida santa já!

Traidores

Um império hipócrita está reinando agora. Todos falam a mesma coisa quando estão reunidos, mas individualmente são traidores da massa. Não há unidade na coletividade, nem bom senso na individualidade.

As Escrituras nos falam dos homens traidores dos últimos dias, e isso não acontece fora da Igreja, porque os de lá não estão de mãos dadas conosco. Charles Swindoll disse que a Igreja é o único campo de batalha em que apontamos as armas para os companheiros. É difícil reconhecer, mas nós somos os nossos maiores traidores.

Vivemos a época do falso ensino de que não podemos perder ninguém, e com isso ignoramos falhas de caráter, porque acreditamos que a Igreja é um hospital para os doentes. Eu pergunto: Você vai ao hospital para continuar doente ou espera que o médico, a partir do diagnóstico, lhe receite o remédio que lhe trará a cura?

O Evangelho é o bisturi do médico. Perseguição não acaba com a Igreja, mas o pecado é sempre fatal.

É tempo de acabar com os tronos que foram erguidos e deixar a verdade do Evangelho nos constranger, fazer-nos corar de vergonha.

Deixe Deus cuidar da Igreja, deixe Cristo ser o Senhor dela, deixe o Espírito Santo orientar os seus ministros. Não quero saber do estatuto, quero saber o que Deus diz sobre isso ou aquilo. Não quero ver predileção, quero ouvir o Espírito dizer: "Separe este". Não quero encontrar o sermão na internet, quero cavar com uma mão e receber com a outra. Não quero dizer: "Estou sentindo", quero que todos vejam que minhas decisões são inspiradas por Deus e por isso são incontestáveis. Não quero esperar por algo que nunca chega, quero viver para receber aquilo que a Escritura me garante. Não quero ser pastor por causa do status, quero me doar pelo rebanho para apresentar o maior número ao que me comissionou e receber dele segundo a sua reta justiça. Não quero ser de meias palavras, quero pregar o Evangelho como Cristo pregou, mostrando o Caminho, a Verdade e a Vida.

Não quero ser traidor do Evangelho. Ajuda-me, Senhor!

Não Somos Mais os Mesmos

Não somos mais os mesmos.

Vivemos um evangelho que se preocupa só com o interior, que cuida do exterior como se fosse um deus. Essa preocupação com o interior não significa que zelamos da comunhão, consciência, amor e fraternidade. É simplesmente bonito dizer que Deus quer o coração e que se o coração for dele, todo o mais será. Ledo engano!

Nossa fé só existe dentro das quatro paredes. Fora de lá, somos como os outros. Contamos piadas imorais, xingamos, zombamos, somos desonestos e mentirosos. Perdi a contas das vezes que vi crentes dizer impropérios contra a Igreja, governo, política. Quantas vezes será preciso dizer que a vida cristã não é dicotômica?

Perdemos mais tempo discutindo linhas teológicas do que lendo o maior tratado de teologia, a Bíblia. Queremos encontrar respostas pra tudo baseado no "eu acho" e esquecemos que muitos de nossos anseios está a uma oração de distância.

E por falar de orações, será que ainda sabemos o que é isso? Mesmo dentro de nossas igrejas somos ensinados a decretar, exigir, revoltar-se. Estimulam-nos mais a dizer: "eu não aceito" do que "seja feita a tua vontade".

Faz quanto tempo que você não vê pessoas sendo batizadas com o Espírito Santo? Quanto tempo que não ouve uma verdadeira profecia? Não sente saudade de ver uma cura milagrosa? Nossas campanhas resumem-se ao aqui e agora. Não somos mais como antigamente. Existe mais pentecostais dispostos a negar a contemporaneidade disso do que se imagina. O não-revestido conformou-se. Mas o poder está aí.

Nosso cristianismo de poder está morrendo e nossa espiritualidade tornou-se virtual e utópica. É bonito cantar canções proféticos, é hilariante fazer orações proféticas e mobilizar o povo a buscar o milagre que nunca chega. Somos parecidos com o aleijado a beira do tanque de Betesda. Ouvimos Jesus perguntar: "queres ser são" mas continuamos com o olho no tanque, baseando nossa fé numa crendice jamais testemunhada.

Estamos como a Igreja de Sardes. Nosso nome vive, mas estamos mortos. Podíamos classificar várias tragédias que estão acontecendo no nosso meio evangélico (se você pensou que me refiro a igreja loval, coloque uma luneta), mas vou parar. Ainda tenho esperança de um cristianismo menos teórico. Sinto saudade de línguas espirituais, profecias, interpretação de línguas, dons de cura (esses, então), revelações (palavra do conhecimento), soluções de problemas (palavra da sabedoria), discernimento (taí a razão de tanta besteira entronizada), fé e maravilhas. Sinto saudades.

Que o Senhor nos ajude! Ainda dá tempo, não sei como, mas creio. E é isso que me sustenta, saber que Deus está interessado no nosso retorno aos seus imutáveis e eternos princípios.