quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Não Somos Mais os Mesmos

Não somos mais os mesmos.

Vivemos um evangelho que se preocupa só com o interior, que cuida do exterior como se fosse um deus. Essa preocupação com o interior não significa que zelamos da comunhão, consciência, amor e fraternidade. É simplesmente bonito dizer que Deus quer o coração e que se o coração for dele, todo o mais será. Ledo engano!

Nossa fé só existe dentro das quatro paredes. Fora de lá, somos como os outros. Contamos piadas imorais, xingamos, zombamos, somos desonestos e mentirosos. Perdi a contas das vezes que vi crentes dizer impropérios contra a Igreja, governo, política. Quantas vezes será preciso dizer que a vida cristã não é dicotômica?

Perdemos mais tempo discutindo linhas teológicas do que lendo o maior tratado de teologia, a Bíblia. Queremos encontrar respostas pra tudo baseado no "eu acho" e esquecemos que muitos de nossos anseios está a uma oração de distância.

E por falar de orações, será que ainda sabemos o que é isso? Mesmo dentro de nossas igrejas somos ensinados a decretar, exigir, revoltar-se. Estimulam-nos mais a dizer: "eu não aceito" do que "seja feita a tua vontade".

Faz quanto tempo que você não vê pessoas sendo batizadas com o Espírito Santo? Quanto tempo que não ouve uma verdadeira profecia? Não sente saudade de ver uma cura milagrosa? Nossas campanhas resumem-se ao aqui e agora. Não somos mais como antigamente. Existe mais pentecostais dispostos a negar a contemporaneidade disso do que se imagina. O não-revestido conformou-se. Mas o poder está aí.

Nosso cristianismo de poder está morrendo e nossa espiritualidade tornou-se virtual e utópica. É bonito cantar canções proféticos, é hilariante fazer orações proféticas e mobilizar o povo a buscar o milagre que nunca chega. Somos parecidos com o aleijado a beira do tanque de Betesda. Ouvimos Jesus perguntar: "queres ser são" mas continuamos com o olho no tanque, baseando nossa fé numa crendice jamais testemunhada.

Estamos como a Igreja de Sardes. Nosso nome vive, mas estamos mortos. Podíamos classificar várias tragédias que estão acontecendo no nosso meio evangélico (se você pensou que me refiro a igreja loval, coloque uma luneta), mas vou parar. Ainda tenho esperança de um cristianismo menos teórico. Sinto saudade de línguas espirituais, profecias, interpretação de línguas, dons de cura (esses, então), revelações (palavra do conhecimento), soluções de problemas (palavra da sabedoria), discernimento (taí a razão de tanta besteira entronizada), fé e maravilhas. Sinto saudades.

Que o Senhor nos ajude! Ainda dá tempo, não sei como, mas creio. E é isso que me sustenta, saber que Deus está interessado no nosso retorno aos seus imutáveis e eternos princípios.

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