quinta-feira, 26 de abril de 2012

Ao Pastor Antonio Baltazar

A poucos dias de inteirar sete anos a frente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Central em Porto Velho (RO), por decisão da CONAMAD – Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil, o Pastor Antonio Baltazar Cardoso foi transferido de nossa cidade para Bauru (SP). Para muitos, a transferência ou mudança de pastor é algo bastante comum, mas para quem acompanhou a trajetória desse homem, a despedida desce seca na garganta, sendo molhada apenas pelas lágrimas que de vez em quando, sem ao menos esperar, escorrem dos olhos das ovelhinhas que ficam.

Falar do sucesso que o acompanhou seria praticamente testemunhar o óbvio que vimos em todas as áreas eclesiásticas. Ministerialmente, a transformação foi da água para o vinho. O número de ministros na capital, de igrejas, de pontos de cultos; praticamente em tudo o número foi multiplicado diversas vezes. Lembro-me com alegria do dia 24 de Outubro de 2006, em comemoração ao aniversário da cidade, que o Pr. Baltazar juntamente com outros pastores fizeram um clamor a Deus por nossa capital, carregando um mapa por toda a Igreja, para que Deus abrisse portas de prosperidade. Todo meu testemunho seria pequeno demais para falar da grandeza de tudo o que aconteceu.

Mas, algo relevante para esta noite chama-nos atenção. Pastor Baltazar está sendo transferido sete dias antes de completar sete anos à frente da Igreja em Porto Velho. Como todos sabem, o número sete tem sentido espiritual nas obras de Deus. Alguns o chamam de o número de Deus por estar atrelado às obras divinas.

Sete é freqüentemente usado nas Escrituras para significar inteireza. Às vezes tem referência a se levar uma obra a cabo. Ou pode referir-se ao ciclo completo de coisas como estabelecidas ou permitidas por Deus. Por concluir a sua obra para com a terra em seis dias criativos e repousar no sétimo dia, Deus estabeleceu o padrão para todo o arranjo sabático, desde a semana de sete dias até o ano de jubileu que seguia o ciclo de sete vezes sete anos (Êx 20.10; Lv 25.2, 6, 8). A Festividade dos Pães Asmos e a Festa dos Tabernáculos duravam sete dias cada uma (Êx 34.18; Lv 23.34).

Sete ocorre muitas vezes com relação a regras levíticas de ofertas (Lv 4.6; 16.14, 19; Nm 28.11) e de purificações (Lv 14.7, 8, 16, 27, 51; 2Rs 5.10).

As “sete igrejas” do Apocalipse, com todas as suas características, fornecem o quadro completo de todas as congregações de Deus na terra (Ap 1.20–3:22).

Deus foi longânimo com os israelitas, mas avisou-os de que, se o desconsiderasse, apesar da Sua disciplina, então os castigaria “sete vezes”, ou seja, cabalmente, pelos pecados deles (Lv 26.18, 21, 28).

Nas partes históricas das Escrituras, sete ocorre freqüentemente para denotar inteireza, ou a realização completa duma obra. Os israelitas exerceram plena fé e obediência por marcharem durante sete dias em volta de Jericó, rodeando-a sete vezes no sétimo dia, após o que a muralha da cidade desmoronou (Js 6.2-4, 15).

Elias mostrou plena fé na eficácia da sua oração a Deus por ordenar seu servo, no monte Carmelo, a ir observar o céu sete vezes antes de aparecer a nuvem de chuva (1Rs 18.42-44).

Naamã, o leproso, teve de banhar-se sete vezes no rio Jordão. Ele, como poderoso general sírio, teve de demonstrar considerável humildade para executar este procedimento recomendado pelo profeta Eliseu, mas Jeová o purificou por ele ter feito isso obedientemente (2Rs 5.10, 12).

A pureza, a inteireza, a perfeição e a excelência das declarações de Deus são comparadas com força e intensidade poéticas à prata refinada num forno de fundição, depurada sete vezes (Sl 12.6).

A misericórdia de Jeová é magnificada pela declaração: “O justo talvez caia até mesmo sete vezes, e ele se há de levantar” (Pv 24.16).

Que Ele merece todo o louvor é declarado pelo salmista: “Eu te tenho louvado sete vezes por dia” (Sl 119.164).

Múltiplos de sete são usados em sentido similar de inteireza. Setenta (dez vezes sete) é usado profeticamente nas “setenta semanas” da profecia de Daniel que trata da vinda do Messias (Dn 9.24-27). Jerusalém e Judá ficaram desolados por setenta anos, por sua desobediência a Deus, “até que a terra tivesse saldado [completamente] os seus sábados” (2Cr 36.21; Jr 25.11; 29.10; Dn 9.2; Zc 1.12; 7.5).

Setenta e sete, repetição de sete no número, equivalia a dizer “indefinidamente” ou “sem limite”. Jesus aconselhou os cristãos a perdoarem seus irmãos a tal ponto (Mt 18.21, 22). Visto que Deus ordenara que aquele que matasse Caim, o assassino, tinha de “sofrer vingança sete vezes”, Lameque, que parece ter matado um homem em defesa própria, disse: “Se Caim há de ser vingado sete vezes, então Lameque setenta vezes e sete” (Gn 4.15, 23, 24).

Sete representa a perfeita obra divina. Traduz a plenitude do querer e efetuar do Deus que vê além-tempo. Foram sete os dias da criação, completando a obra que não precisou de reparos. Foi a sétima geração que agradou a Deus ao ponto de sumir, sendo relatado na história como o primeiro traslado da Bíblia. Sete foram os anos que Jacó trabalhou por sua amada Raquel. Sete são as alianças de Deus com o homem, culminando na eternidade.

Foram sete anos de muitas bênçãos. Não há dúvida que sete anos pastoreando as Assembleias de Deus em Porto Velho, chega ao fim, não da obra de Deus, mas de tudo aquilo que Ele preparou, para que por mãos do Pr. Antonio Baltazar, a Igreja aqui presente fosse agraciada, adornada, abençoada, edificada, instruída, corrigida e admoestada, cumprindo o propósito de Deus através de sua vida e que agora, pelas mãos do Pr. Sebastião Valadares Neto a Igreja permanecerá militante como sempre foi e quem sabe suba as alturas recebendo os últimos adereços das mãos de quem esteve entre nós, voltando sete anos depois, para terminar aquilo que o Todo-Poderoso, que não se perde no tempo, o designou para fazê-lo.

A Igreja Evangélica Assembleia de Deus Central em Porto Velho sente-se honrada por ser tão cuidada por Deus, que envia-lhes pastores segundo o seu conselho. Sabendo que Deus tem planos que não podem ser compreendidos, muito menos explicados, confiamos que sua potente mão estará com o seu povo durante toda a jornada, como foi com o povo de Israel, garantindo-lhe tudo o que precisamos.

Agradecemos ao Pastor Antonio Baltazar os dias em que peregrinou entre nós. Sua dedicação, seu amor pela Obra de Deus, sua amizade, seu companheirismo, seus conselhos foram essenciais para todos. Que o Senhor te leve em paz, guiando-lhe na liderança das Assembleias de Deus em Bauru (SP) melhor do que foi para nós. Muito obrigado!

Pela Igreja Evangélica Assembleia de Deus Central em Porto Velho (RO).

Porto Velho (RO), 25 de Abril de 2012.