domingo, 29 de novembro de 2009

Ailton Muniz de Carvalho - Um Apelo à Outra Visão

Durante praticamente um mês nossa Igreja anunciou nos cultos a realização de um seminário escatológico com a presença do pastor e cientista Ailton Muniz de Carvalho. Pastor e cientista? Pode? O pastor da nossa Igreja, Antonio Baltazar, passou-me o material que seria ministrado e fiquei muito assustado. Sabia da existência de outras correntes escatológicas, estudadas em seminários e cursos teológicos e depois divulgadas em seminários ministrados por mim em várias Igrejas.

Enquanto lia as linhas do seu material, foi-me fugindo a capacidade de refutar a maioria dos seus pensamentos. Existe uma profunda análise de cada texto da Bíblia, sem falar nas inúmeras referências cruzadas, a maioria explicando coisas que ninguém jamais ousou pronunciar. Textos que a maioria dos ensinadores e estudiosos (incluo-me nesta classe) procuram evitar por causa das dificuldades hermenêuticas na interpretação como por exemplo:

  • alguns de vós não experimentarão a morte (Mt 16. 28);
  • as duas testemunhas no período tribulacional (Ap 11.3-10);
  • símbolos e figuras de apocalipse;
  • as setenta semanas de Daniel;
  • a geração do arrebatamento;
  • entre outras.

O autor trataria em seu seminário de questões polêmicas como:

  • Barack Obama - ó último presidente dos EUA;
  • Brasil - Potencial Econômica do período tribulacional;
  • entre outras.

A que me deixou três noites sem dormir tornou-se tema das minhas futuras conversas. Depois de pregar na primeira noite (a primeira das doze que ainda viriam), por trás de um homem tão inteligente, para mim se revelava também um homem muito simples, de admiração às coisas comuns. Permita-me usar esse espaço para falar da formação do Pr. Ailton Muniz:

  • Nascido em 2 de julho de 1952, na cidade de Belmonte, extremo sul do litoral da Bahia;
  • Engenheiro Industrial formado em 1977.
  • Doutor em Partícula Nuclear, com diversas especializações no exterior.
  • Atuou em diversas empresas nacionais e internacionais, chegando a cargos de diretoria.
  • Realizou várias viagens internacionais para implantação de projetos e treinamentos.
  • Professor de Teologia por opção, Ministro do Evangelho por eleição, Cristão por convicção, o autor se orgulha em ser o primeiro ocupante da cadeira de número 33, da APEL (Academia Paulista Evangélica de Letras), cujo patrono é o saudoso Pr. Paulo Leivas Macalão

Tentei colocar bem resumido o seu currículo, mas eu mesmo demorei quinze minutos para dizer tudo o que ele é. No segundo dia de sua estada em nossa Igreja, fui convidado a almoçar com ele; que honra! Comemos um delicioso peixe ao molho branco desfrutando de uma conversa saudável sobre a Obra de Deus e a Bíblia. Teminamos de almoçar e fui inquerido pelo Pr. Baltazar a fazer perguntas difíceis da Bíblia. Como considero-me um estudioso das Sagradas Escrituras e minha mente é conduzida pelas dúvidas (jugo serem necessárias para a descoberta dos detalhes que existem além do óbvio), abordei o tema escatológico da Grande Tribulação. Passado quinze minutos que ele, concomitantemente (essa palavra é a "cara" dele) falava e riscava um pedaço de lenço de papel do restaurante, as pessoas ao redor foram atraídas pela nossa conversa. As horas passaram e um número considerável de pessoas fitaram seus olhos a nossa conversa, sendo encorajadas a fazerem perguntas sobre o "difícil" tema.

Muitas pessoas ficaram perturbadas com a maioria de sua preleções. Quando confessei-lhe que havia conseguido dormir, ele disse-me: "É isso que eu quero despertar nas pessoas. A teologia não é uma ciência estática. Ainda existem grandes revelações".

Durante suas ministrações, confesso que tive vontade de arrancar-lhe o microfone e eclipsar a sua voz a fim de que ninguém mais ouvisse aquelas palavras (falo isso confiado na liberdade que adquirimos um para com o outro). Mas, como bom ouvinte, mantie o controle e esperei ver no que ia dar. O resultado? Minha mente ainda se pega viajando sobre a maioria de suas palavras. A Igreja pode ter esquecido dele, mas a minha vida de investigação teológica (falo sem demagogia) é Antes de Ailton e Depois de Ailton.

Acredito que suas palavras precisam ser ouvidas. Suas revelações bíblicas precisam ser divulgadas. Suas palavras precisam ser escritas várias e várias vezes. Aprendi a respeitá-lo, tornamo-nos amigos, mesmo considerando a incrível distância que nos separa (ele mora em São Paulo/SP e eu em Porto Velho/RO).

Hoje desfrutamos de muita amizade. Sempre que tenho oportunidade, ligo para sua casa e converso sobre muitas coisas. Não posso deixar de escrever: quando se refere a mim, ele chama-me de professor, mas confesso, minhas palavras são pobres para descrever o modo como devo referir-me a ele.

Sem muitas palavras, Nilonei Ramos.

sábado, 28 de novembro de 2009

Tendências Teológicas do Século 21

Chegamos ao limiar das inovações. Inovações estas que dominam todo o cenário sejam na Igreja, na política, na economia, na geografia e na história. O quadro do mundo atual é caótico. A fé do mundo está morrendo. O fogo que ardeu no século passado e impulsionou a Igreja da geração anterior, rompendo fronteiras geográficas e culturais, tem-se enclausurado entre quatro paredes, tentando “preservar” aqueles veteranos da fé.

Por mais que lutemos para preservar a identidade da Igreja (visível), o cristianismo puro e simples (nas palavras de C. S. Lewis) está cada dia mais minguado. Para mudar o atual estado em que nos encontramos, temos de agir. Como diz Hank Hanegraff, “um câncer está devorando a Igreja de Cristo. Ele precisa ser extirpado”. Algo tem de ser feito. Mas o que faremos ante as novas tendências?

Primeiro, devemos entender o que são tendências teológicas. Essa compreensão envolve as primeiras duas palavras do tema proposto. Como o léxico Aurélio define:

  1. Tendência, do latim tendentia, “inclinação”, “propensão”, “vocação”, “pendor”, “força que determina o movimento de um corpo”, “intenção”, “disposição”. É a mudança do original por influência do meio em que está inserido.
  2. Teologia, do grego theología, “estudo das questões referentes ao conhecimento da divindade, de seus atributos e relações com o mundo e com os homens, e à verdade religiosa”, “estudo racional dos textos sagrados, dos dogmas e das tradições do cristianismo”, “tratado acerca das verdades absolutas de Deus”.

Tendências Teológicas são mudanças licenciosas dos conceitos imutáveis de Deus promovidos por aqueles que negando a fé original, enredam em tornar convenientes suas doutrinas falsas, entremeando verdades absolutas com mentiras advindas de seus delírios malignos. Em simples palavras, é a secularização da teologia, fruto da aversão aos pensamentos de Deus.

Segundo, devemos buscar mais a Deus de forma sincera para não incorrermos nos mesmos erros daqueles que dizendo conhecer a Deus, negam com suas obras. É-nos necessário voltar à Palavra como o faziam os crentes de Beréia, “examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (At 17.11). É tempo de amadurecermos na “fé que uma vez foi dada aos santos” (Jd 3).

É lamentável ainda termos em nossos dias crentes volúveis que desprezam as Escrituras e abraçam, sem discernimento, modismos, inovações, falsos ensinos, doutrinas falsas, burlarias teológicas e mensagens que mais parecem com espiritismo e terapias de auto-ajuda do que o verdadeiro evangelho. Ou nos voltamos às Sagradas Escrituras como única fonte suficiente do conhecimento de Deus, ou brevemente não seremos mais o povo barulhento que perturbava as nações.

Terceiro, devemos clamar a Deus para que envie ceifeiros para sua seara. Ceifeiros da Palavra, que fale a verdade, que impunha a espada que é a Palavra de Deus (Ef 6.17), que tragam luz às trevas que cobrem as mentes da maioria dos cristãos que foram ensinados a acreditar em tudo o que os seus líderes e esqueceram-se de conferir com as Escrituras.

Que o Senhor desperte em nós o fogo da sua Palavra que arde em nós quando há exposição da sua verdade e que, à semelhança dos discípulos no caminho de Emáus, a despeito da noite em que se encontravam, corramos para anunciar a verdadeira boa nova do Evangelho.

Sola Scriptura!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Isso também passará

Fui impulsoinado a escrever as linhas que se seguem depois de ouvir um relato de um irmão que após passar por várias experiências envolvendo concursos e vestibulares, nos quais, em sua maioria, ele sempre era reprovado. Sua maior tristeza não estava no fato da reprovação, mas na vergonha que sentia ao ver seus amigos que, segundo ele, às vezes nem estudava ou se preparava e eram aprovados. Suas alegações eram as mais honestas e justas possíveis. Dizimista, temente a Deus, correto em suas atitudes, sincero para com Deus, de testemunho admirável e caráter ilibado. Reconhecia as bençãos de Deus sobre a sua vida, mas o que seu coração realmente queria, até este momento não recebera do Senhor. Quando esse irmão veio conversar comigo, eu sinceramente não tive palavras, por que sabia que qualquer coisa que eu dissesse o feriria e seria facilmente reprovada por ele. O que dizer numa situação como esta? É claro que isso é apenas a ponta do iceberg para o que alguns estão enfrentando hoje, mas o que dizer para alguém que está há anos enfrentando uma doença, o desemprego, a ruína da família, o desprezo e outras coisas terríveis de suportar?

Sinceramente, minhas palavras nesse assunto são fracas para expressar o que penso a respeito de Deus e as provações. Minhas experiências são de pouca valia diante de tantas provas que tenho visto os seus santos enfrentarem.

Tive uma infância sofrida por que quando nasci, meu pai havia saído de casa, voltou quando eu tinha cinco anos de idade, moramos dois anos com a presença de um pai, depois disso ele saiu de vez, e nossa relação se reduziu a alguns encontros anuais, até finalmente nos vermos raramente quando ele vem à cidade. Meus irmãos sentem desprezo por ele, mas eu me esforço para vê-lo sempre.

Aos sete anos, fui acometido de um mal, passei a ter convulsões, ataques epilépticos. Tive de abandonar os estudos em 1997 porque os médicos acreditavam que o ambiente escolar poderia criar outros traumas. Alguns colegas se afastaram por ver-me naquela situação. Os remédios que tomava começaram a atingir minha mente e tudo o que eu estudava pela manhã, esquecia à tarde. Nunca tive uma namorada quando era jovem, pois ninguém achava legal namorar com um "doido". Sofri com isso até os dezessete anos de idade.

Perdi as contas das vezes que fui levado para casa depois ter sido achado na rua, dentro de ônibus e da Igreja. Minha mãe fez muitas campanhas para que eu fosse curado, até o dia em que eu mesmo fiz uma aliança com Deus. Minhas palavras foram muit simples, mas creio que era isso que Deus queria ouvir. "Se o Senhor me curar desta doença, eu me aplicarei ao estudo da tua Palavra e te servirei por toda a minha na exposição das Escrituras". Deste dia pra cá, nunca mais fui acometido de nenhum dos sintomas que me perseguiam. Parei de tomar os remédios, joguei fora as caixas cheias de eletroencefalograma. O Senhor Jesus operou o milagre em mim.

A mente que antigamente era esquecida, agora desfruta de um "HD" bem caprichado. Graças ao meu Bom Deus. Aos 22 anos, conheci o amor da minha vida, Ana Sara, com quem namorei quatro anos, enfrentando muitas dificuldades, pois estava desempregado e a família não via com bons olhos o nosso namoro. Dia 26 de Abril de 2008, contraí nupcias. Hoje sou um homem casado e tenho visto a cada dia a poderosa mão Deus ao meu lado, orientando-me e fazendo-me conhecer mais de sua vontade e amor.

Minha palavra aos que enfrentam adversidades mil? A mesma de Jesus aos irmãos que receberam a carta aos Hebreus: "Isso também vai passar. Ele já passou por isso". Nenhuma provação é para sempre.

continua...