terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Jônatas Edwards (1703 - 1758)

Há dois séculos que o mundo fala do famoso sermão: Pecadores nas mãos de um Deus irado e dos ouvintes que se agarravam aos bancos pensando que iam cair no fogo eterno. Esse fato foi, apenas, um dos muitos que aconteceram nas reuniões em que o Espírito Santo desvendava os olhos dos presentes para eles contemplarem as glórias do Céu e a realidade do castigo que está bem perto daqueles que estão afastados de Deus.

Jônatas Edwards, entre os homens, era o vulto maior nesse avivamento, que se intitulava O grande despertamento. Sua vida é um exemplo destacado de consagração ao Senhor para o desenvolvimento maior do intelecto e, sem qualquer interesse próprio, de deixar o Espírito Santo usar o mesmo intelecto como instrumento nas suas mãos. Amava a Deus, não somente de coração e alma, mas também de todo o entendimento. "Sua mente prodigiosa apoderava-se das verdades mais profundas". Contudo, "sua alma era, de fato, um santuário do Espírito Santo". Sob aparente calma exterior, ardia nele o fogo divino, como um vulcão.

Os crentes atuais devem a esse herói, graças à sua perseverança em orar e estudar sob a direção do Espírito, a volta às várias doutrinas e práticas da igreja primitiva. Grande é o fruto da dedicação do lar em que Edwards nasceu e se criou. Seu pai foi o amado pastor de uma só igreja durante um período de sessenta e quatro anos. Sua piedosa mãe era filha de um pregador que pastoreou uma igreja durante mais de cinqüenta anos.

Dez das irmãs de Jônatas, quatro eram mais velhas do que ele e seis mais novas. "Muitas foram as orações que os pais ofereceram a Deus, para que o único e amado filho fosse cheio do Espírito Santo, e que se tornasse grande perante o Senhor. Não somente oravam assim, fervorosa e constantemente, mas mostravam-se igualmente zelosos em criá-lo para Deus. As orações, à volta da lareira, os estimularam a se esforçarem, e seus esforços redobrados os motivaram a orarem mais fervorosamente... O ensino religioso e permanente resultou em Jônatas conhecer intimamente a Deus, quando ainda criança".

Quando Jônatas tinha sete ou oito anos, houve um despertamento na igreja de seu pai, e o menino acostumou-se a orar sozinho, cinco vezes, todos os dias, e a chamar outros da sua idade para orarem com ele.

Citamos aqui as suas palavras sobre esse assunto: "A primeira experiência, de que me lembro, de sentir no íntimo a delícia de Deus e das coisas divinas, foi ao ler as pala-vras de 1 Timóteo 1.7: 'Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível; ao único Deus seja honra e glória para todo o sempre. Amém'. Sentia a presença de Deus até arder o coração e abrasar a alma de tal maneira, que não sei descrevê-la... Gostava de passar o tempo olhando para a lua e, de dia, a contemplar as nuvens e os céus. Passava muito tempo observando a glória de Deus, revelada na natureza e cantando as minhas contemplações do Criador e Redentor... Antes me sentia demasiado assombrado ao ver os relâmpagos e ouvir a troar do trovão. Porém mais tarde eu me regozijava ao ouvir a majestosa e terrível voz de Deus na trovoada". Antes de completar treze anos, iniciou seu curso em Yale College, onde, no segundo ano, leu atentamente a famosa obra de Locke: Ensaio sobre o entendimento humano. Vê-se, nas suas próprias palavras acerca dessa obra, o grande desenvolvimento intelectual do moço: "Achei mais gozo nisso do que o mais ávido avarento, em ajuntar grandes quantidades de ouro e prata de tesouros recém-adquiridos".

Edwards, antes de completar dezessete anos, diplomou-se no Yale College com as maiores honras. Sempre estudava com esmero, mas também conseguia tempo para estudar a Bíblia, diariamente. Depois de. diplomar-se, continuou seus estudos em Yale, durante dois. anos e foi então separado para o ministério.

Foi nessa altura que seu biógrafo escreveu acerca de seu costume de dedicar certos dias para jejuar, orar e examinar-se a si mesmo.

Acerca da sua consagração, com idade de vinte anos, Edwards escreveu: "Dediquei-me solenemente a Deus e o fiz por escrito, entregando a mim mesmo e tudo que me pertencia ao Senhor, para não ser mais meu em qualquer sentido, para não me comportar como quem tivesse direitos de forma alguma... travando, assim, uma batalha com o mundo, a carne e Satanás até o fim da vida".

Alguém assim se referiu a Jônatas: "Sua constante e solene comunhão com Deus, em secreto, fazia com que o rosto dele brilhasse perante o próximo, e sua aparência, semblante, palavras e todo o seu comportamento eram acompanhados por seriedade, gravidade e solenidade".

Aos vinte e quatro anos casou-se com Sara Pierrepont, filha de um pastor, e desse enlace nasceram, como na família do pai de Edwards, onze filhos.

Ao lado de Jônatas Edwards, no Grande Despertamento, estava o nome de Sara Edwards, sua fiel esposa e ajudadora em tudo. Como seu marido, ela nos serve como exemplo de rara intelectualidade. Profundamente estudiosa, inteiramente entregue ao serviço de Deus, ela era conhecida por sua santa dedicação ao lar, pelo modo de criar seus filhos e pela economia que praticava, movida pelas palavras de Cristo: "Para que nada se perca". Mas antes de tudo, tanto ela como seu marido eram conhecidos por suas experiências em oração. Faz-se menção destacada especialmente dum período de três anos, durante o qual, apesar de gozar de perfeita saúde, ficava repetidas vezes sem forças, por causa das revelações do Céu. A sua vida inteira foi de intenso gozo no Senhor.

Jônatas Edwards costumava passar treze horas, todos os dias, estudando e orando. Sua esposa, também, diariamente o acompanhava na oração. Depois da última refeição, ele deixava toda a lida, a fim de passar uma hora com a família.

- Mas, quais as doutrinas de que a igreja havia esqueci¬do e quais as que Edwards começou a ensinar e a observar de novo, com manifestações tão sublimes?

Basta uma leitura superficial para descobrir que a doutrina, à qual deu mais ênfase, foi a do novo nascimento, como sendo uma experiência certa e definida, em contraste com a idéia da Igreja Romana e de várias denominações.

O evento que marcou o começo do Grande Despertamento foi uma série de sermões feitos por Edwards sobre a doutrina da justificação pela fé, que fez os ouvintes sentirem a verdade das Escrituras, de que toda a boca ficará fechada no dia de juízo, e que "não há coisa alguma que, por um momento, evite que o pecador caia no Inferno, senão o bel prazer de Deus".

É impossível avaliar o grau do poder de Deus, derramado para despertar milhares de almas, para a salvação, sem primeiro nos lembrarmos das condições das igrejas da Nova Inglaterra, e do mundo inteiro, nessa época. Quem, até hoje, não se admira do heroísmo dos puritanos que colonizaram as florestas da Nova Inglaterra? Passara, porém, essa glória e a igreja, indiferente e cheia de pecado, se encontrava face com o maior desastre. Parecia que Deus não queria abençoar a obra dos puritanos, obra que existiu unicamente para sua glória. Por isso, no mesmo grau que havia coragem e ardor entre os pioneiros, houve entre seus filhos, perplexidade e confusão. Se não pudessem alcançar, de novo, a espiritualidade, só lhes restava esperar o juízo dos céus.O famoso sermão de Edwards, ''Pecadores nas mãos de um Deus irado", merece menção especial.

O povo, ao entrar para o culto, mostrava um espírito leviano, e mesmo de desrespeito, diante dos cinco pregadores que estavam presentes. Jônatas Edwards foi escolhido para pregar. Era homem de dois metros de altura; seu rosto tinha aspecto quase feminino, e o corpo magro de jejuar e orar. Sem quaisquer gestos, encostado num braço sobre a tribuna, segurando o manuscrito na outra mão, falava em voz monótona. Discursou sobre o texto de Deuteronômio 32.35: "Ao tempo em que resvalar o seu pé".

Depois de explicar a passagem, acrescentou que nada evitava, por um momento, que os pecadores caíssem no Inferno, a não ser a própria vontade de Deus; que Deus estava mais encolerizado com alguns dos ouvintes do que com muitas pessoas que já estavam no Inferno; que o pecado era como um fogo encerrado dentro do pecador e pronto, com a permissão de Deus, a transformar-se em fornalhas de fogo e enxofre, e que somente a vontade do Deus indignado os guardava da morte instantânea.

Prosseguiu, então, aplicando o texto ao auditório: "Aí está o Inferno com a boca aberta. Não existe coisa alguma sobre a qual vós vos possais firmar e segurar. Entre vós e o Inferno existe apenas a atmosfera... há, atualmente, nuvens negras da ira de Deus pairando sobre vossas cabeças, predizendo tempestades espantosas, com grandes trovões. Se não existisse a vontade soberana de Deus, que é a única coisa para evitar o ímpeto do vento até agora, serieis destruídos e vos tornaríeis como a palha da eira... O Deus que vos segura na mão, sobre o abismo do Inferno, mais ou menos como o homem segura uma aranha ou outro inseto nojento sobre o fogo, durante um momento, para deixá-lo cair depois, está sendo provocado em extremo... Não há que admirar, se alguns de vós com saúde e calmamente sentados aí nos bancos, passarem para lá antes de amanhã..."

O resultado do sermão foi como se Deus arrancasse um véu dos olhos da multidão para contemplar a realidade e o horror da posição em que estavam. Nessa altura o sermão foi interrompido pelos gemidos dos homens e os gritos das mulheres; quase todos ficaram de pé, ou caídos no chão. Foi como se um furacão soprasse e destruísse uma floresta. Durante a noite inteira a cidade de Enfield ficou como uma fortaleza sitiada. Ouvia-se, em quase todas as casas, o clamor das almas que, até aquela hora, confiavam na sua própria justiça. Esperavam que, a qualquer momento, o Cristo descesse dos céus com os anjos e apóstolos ao lado, e que os túmulos entregassem os mortos que neles havia.

Tais vitórias, contra o reino das trevas, foram ganhas de joelhos. Edwards não abandonara, nem deixara de gozar os privilégios das orações, costume que vinha desde a meninice. Continuou a freqüentar, também, os lugares solitários na floresta onde podia ter comunhão com Deus. Como um exemplo citamos a sua experiência com a idade de trinta e quatro anos, quando entrou na floresta, a cavalo. Lá, prostrado em terra, foi-lhe concedido ter uma visão tão preciosa da graça, amor e humilhação de Cristo como Mediador, que passou uma hora vencido por uma torrente de lágrimas e pranto.

Como era de esperar, o Maligno tentou anular a obra gloriosa do Espírito Santo no "Grande Despertamento", atribuindo tudo ao fanatismo. Em sua defesa Edwards escreveu : "Deus, conforme as Escrituras, faz coisas extraordinárias. Há motivos para crer, pelas profecias da Bíblia, que sua obra mais maravilhosa seria feita nas últimas épocas do mundo. Nada se pode opor às manifestações físicas, como as lágrimas, gemidos, gritos, convulsões, falta de forças... De fato, é natural esperar, ao lembrarmo-nos da relação entre o corpo e o espírito, que tais coisas aconteçam. Assim falam as Escrituras: do carcereiro que caiu perante Paulo e Silas, angustiado e tremendo; do Salmista que ex-clamou, sob a convicção do pecado: 'Envelheceram os meus ossos pelo meu bramido durante o dia todo' (Salmo 32.3); dos discípulos, que, na tempestade do lago, clamaram de medo; da Noiva, do Cântico dos Cânticos, que ficou vencida, pelo amor de Cristo, até desfalecer..."

Certo é que na Nova Inglaterra começou, em 1740, um dos maiores avivamentos dos tempos modernos. É igualmente certo que este movimento se iniciou, não com os sermões célebres de Edwards, mas com a firme convicção deste, de que há uma "obra direta que o Espírito divino faz na alma humana". Note-se bem: Não foram seus sermões monótonos, nem a eloqüência extraordinária de alguns, como Jorge Whitefield, mas, sim, a obra do Espírito Santo no coração dos mortos espiritualmente, que, "começando em Northampton, espalhou-se por toda a Nova Inglaterra e pelas colônias da América do Norte, chegando até a Escócia e a Inglaterra". De uma época de maior decadência, a Igreja de Cristo, entre a população escassa da Nova Inglaterra, despertou e foram arrebatadas de trinta a cinqüenta mil almas do Inferno durante um período de dois a três anos.

No meio das suas lutas, sem ninguém esperar, a vida de Jônatas Edwards foi tirada da Terra. Apareceu a varíola em Princeton e um hábil médico foi chamado de Filadélfia para inocular os estudantes. O nosso pregador e duas de suas filhas foram também vacinados. Na febre que resultou, as forças de nosso herói diminuíram gradualmente até que, um mês depois, faleceu.

Assim diz um de seus biógrafos: "Em todo o mundo onde se falava o inglês, era considerado o maior erudito desde os dias do apóstolo Paulo ou de Agostinho".

Para nós, a vida de Jônatas Edwards é uma das muitas provas de que Deus não quer que desprezemos as faculdades intelectuais que Ele nos concede, mas que as desenvolvamos, sob a direção do Espírito Santo, e que as entreguemos desinteressadamente para o seu uso.

Orlando Boyer (Heróis da Fé - CPAD)

Daniel Berg & Gunnar Vingren

Ao se aproximar do Oceano Atlântico, o rio Amazonas divide-se à direita e à esquerda. Nesse trecho, alarga-se muito e recebe, à direita, o nome de rio Pará, formando o amplo espaço aquático da baía de Marajó, desaguando em seguida no oceano. Para alcançar Belém, capital do Estado do Pará, os navios vindos do Atlântico penetram a baía e navegam as águas em sentido contrário ao curso do rio, aproxi¬mando-se do porto da cidade pela margem esquerda.

No dia 19 de novembro de 1910, deze¬nas de pessoas acompanhavam as manobras de navegação de um grande navio que se aproximava do Cais de Belém. A realização de várias atividades portuárias naquela manhã não permitiu que o navio Clement atracasse no cais. Por esse motivo, um barco foi enviado para transportar os passageiros do navio que chegara de Nova Iorque e acabara de lançar âncora ao largo do porto.

Quando o barco se aproximou do cais, trazendo os passageiros, um grupo de homens, mulheres e crianças começou a acenar, a sorrir, a gritar, a bater palmas, a pronunciar nomes, numa efusão de alegria autenticamente brasileira. Ao desembarcarem, os passageiros viram-se rodeados pelos parentes e amigos, que, entre palavras, sorrisos e abraços, ajudavam-nos a levar a bagagem. Quando quase todos já haviam desembarcados, dois homens, empunhando firmemente as alças de suas malas, pisaram solenemente na plataforma do cais. Não havia ninguém à espera deles. Porém, o desembarque desses dois estrangeiros em solo brasileiro, numa clara manhã de novembro, terá em breve um grandioso significado para a história do Movimento Pentecostal no Brasil.

Nesse momento, os pés desses dois homens estão a pisar firmemente o solo de um país que eles ainda desconhecem, mas em breve aqueles pés tornar-se-ão cansados e feridos, porém formosos sobre os montes, pedras, selvas, espinhos e cidades brasileiras, quando os dois missionários saírem a anunciar as Boas-novas de salvação. Aqueles dois homens ainda não enten-dem nenhuma palavra da língua portuguesa, mas são capazes vde falar em mistério com Deus. Ambos não refletem em seus semblantes a alegria que se vê estampada nos rostos amorenados dos homens, mulheres e crianças que falam alto, se abraçam e se afastam do cais, mas nos corações daqueles dois estrangeiros arde a chama do Espírito Santo, um fogo suficiente para produzir cânticos e júbilos tão intensos, .que em breve irromperão nos lábios e nos corações das primeiras almas resgatadas das trevas para fazerem parte do grande rebanho da Assembléia de Deus no Brasil.

Nascidos na Suécia, eles embarcaram em Nova Iorque naquele navio desconfortável que acabara de chegar a Belém. Além da grande fé que trazem nos corações, e da pouca bagagem contida em suas malas, eles dispõem de uma quantia tão pequena de dinheiro, que não lhes permite aceitar que os carregadores transportem suas malas.

Um deles é alto, forte, pele clara, cabelos e bigodes escuros, olhar sereno e decidido. O outro é de estatura mediana, loiro, olhos azuis, a olhar com firmeza e sereni¬dade para todas as coisas. O mais alto chama-se Daniel Berg. O outro, Gunnar Vingren. Ambos foram enviados por Deus para trazer o Pentecoste ao Brasil.

Quando ainda estavam em Nova Iorque, Daniel e Vingren haviam decidido comprar passagens de terceira classe, a fim de economizarem o pouco dinheiro de que dispunham. Conseqüentemente, quase não puderam se alimentar durante a viagem, pois a comida que serviam aos passa¬geiros dessa classe era de má qualidade. Por esse motivo, ao se distanciarem do cais, a primeira resolução que tomaram foi localizar.um restaurante, quando então, e pela primeira vez, puderam servir-se de pratos autenticamente brasileiros.

Após saírem do restaurante, Vingren perguntou a Daniel:

- E agora Daniel, para onde vamos?

- Vamos subir por esta rua, Vingren, e certamente Deus nos orientará sobre o que devemos fazer.

A cidade eterna

Carregando suas malas, os dois embaixadores do Deus Altíssimo começaram a subir lentamente a rua. Tudo o que viam ali era infinitamente diferente do que tinham visto nos Estados Unidos e na Suécia. As torres altas das belas casas em estilo colonial contrastavam com os casebres extremamente pobres que circundavam a cidade. Ruas pedregosas e poeirentas se ramificavam em várias direções opostas ao rio. Transitando normalmente por essas ruas, vários leprosos, que haviam acorrido à Belém ao ouvirem dizer que naquela cidade fora descoberta a cura da lepra, expunham ao olhar dos transeuntes os seus corpos mutilados pela doença. Ao contemplarem este quadro doloroso, um sentimento de compaixão e de amor invadiu os seus corações.

Enquanto caminhava observando a paisagem que se estendia adiante dos seus olhos, é provável que Daniel Berg tenha-se lembrado de sua pequena cidade natal, Vargon. Certamente, nada havia em comum entre aquela que era conhecida na Suécia como "a Ilha do Lobo", e a cidade de Belém. Porém, ao contemplar aquelas ruas e aqueles homens e mulheres curiosos, muitos deles pobremente vestidos, a andarem para lá e para cá como ovelhas desgarradas que não têm pastor, Daniel Berg deve ter-se lembrado dos montes, das fontes abundantes e dos lagos cristalinos de Vargon, a cidade montanhosa, o lugar predileto dos reis da Suécia para a realização de caçadas.

E certamente naquela hora desejou falar àquele povo da existência de um lugar muito diferente de Belém, e até mais belo e infinitamente mais vasto do que sua cidade natal; um lugar onde não há ruas pedregosas e acidentadas, nem casas mal iluminadas e pobres, ou pessoas sem mãos, sem orelhas, sem nariz e sem dedos a andar pelas ruas.

Ele lhes falaria da Jerusalém Celestial, a pátria eterna de todos os que aceitam a Jesus como Salvador, e guardam sua Palavra no coração; a Cidade das Doze Portas, em cujas ruas de ouro e cristal, em tempo sempre sereno e claríssimo, brilha o Sol da Justiça; onde, quando se iniciar o jubileu das eternas bem-aventuranças, os salvos e remidos pelo sangue do Cordeiro viverão eternamente nas amplíssimas regiões celestiais.

Primeiras referências sobre os evangélicos

Após andarem durante algum tempo, os missionários resolveram sentar-se em um banco de jardim, e ali fazer uma oração. Em seguida sentiram desejo de voltar na direção do porto. Uma família que também viajara no navio Clement, e falava inglês, os encontrou e lhes indicou um hotel. Ali os missionários entraram em contato com outra pessoa que também falava inglês, e esta informou que conhecia um evangélico naquela cidade, mas não sabia onde morava.

Já era noite. Os missionários trataram então de arranjar um quarto naquele hotel. Ao fazerem um balanço de suas finanças, descobriram que só dispunham de quatro dólares e alguns cêntimos. Não ficaram nada surpresos ao saber que um quarto para duas pessoas custava 16 mil réis (o equivalente, na época, a quatro dólares). Com o restante pagariam a passagem de bonde no dia seguinte.

Ao se recolherem para dormir, Vingren deparou-se com um jornal jogado no chão. Certamente o hóspede anterior o esquecera ali. Apesar de não entender nada da língua portuguesa, o missionário passou a folheá-lo assim mesmo. Súbito, gritou para Daniel:

- Aqui está, Daniel, a resposta de Deus! O redator deste jornal é o irmão Justus Nelson, um pastor metodista que eu conheci na América do Norte. Amanhã nós iremos procurá-lo, e ele certamente nos da¬rá as orientações de que necessitamos.

Naquela noite Daniel Berg e Gunnar Vingren elevaram seus corações ao Onipotente e misericordioso Deus, e agradeceram o cuidado e o amor que Ele estava tendo sobre suas vidas, e a direção e a paz que enchia seus corações. Confiantes em Jesus, o sublime e seguro guia de suas almas, adormeceram.

Em casa do pastor batista

No dia seguinte, após pedirem que Deus os conduzisse, tomaram o café da manhã e saíram à procura do pastor metodista. Ao chegarem à casa do irmão Justus Nelson, este os recebeu alegremente. Após contar-lhes as muitas experiências que vivera ali, o irmão Nelson tratou de conduzir os missionários ao pastor batista local, irmão Erik Nilson, também de origem sueca.

Erik Nilson recebeu alegremente os seus compatriotas e irmãos na fé. Quando soube que estavam hospedados em hotel, convidou-os a morar no porão da igreja, e a auxiliá-lo nos trabalhos da igreja (Batis¬ta), em Belém, situada na Rua João Balby, n" 406. Daniel e Vingren aceitaram o convite. Voltaram para apanhar a pouca ba¬gagem que lhes pertencia, e passaram a morar em um corredor escuro e abafado.

A notícia de que dois missionários haviam recentemente chegado dos Estados Unidos alcançou rapidamente as quatro igrejas evangélicas existentes em Belém. E logo Daniel e Vingren passaram a visitar as igrejas, pois todos queriam vê-los e ouvi-los. Em uma dessas igrejas, os missionários cantaram em duas vozes o hino "Jesus Christ is made to me, ali I need, ali I need" (Jesus Cristo é tudo para mim, tudo o que eu necessito, tudo o que eu necessito), e o poder de Deus caiu maravilhosamente sobre os irmãos!

Já em suas primeiras pregações, Daniel e Vingren passaram a falar acerca do batismo com o Espírito Santo. Este assunto era novidade para quase todos os crentes batistas, e para os das outras denominações também. Porém, alguns deles já tinham ouvido ou lido anteriormente acerca do assunto, mas não sabiam que a promessa do batismo com o Espírito Santo era também para eles. Após a chegada dos missionários, o número de ouvintes da Palavra de Deus aumentou rapidamente. Antes, nem os cultos aos domingos conseguiam encher a metade do templo. Quando Vingren e Daniel Berg passaram a tomar parte ativa nos trabalhos, o templo da igreja Batista encheu de tal maneira que muita gente teve de assistir aos cultos em pé.

Conhecendo os segredos da selva

Um mês após haverem chegado ao Pará, os missionários foram convidados pelo irmão Adriano Nobre, que era membro da Igreja Presbiteriana em Belém, para uma viagem à casa dos seus pais. Os pais de Adriano moravam em uma localidade chamada Boca do Ipixuna. Ali os seringueiros extraíam borracha. Durante três dias seguidos, Vingren e Daniel viajaram de barco por diversos rios. Foi então que puderam entrar em contato com aquela selva imensa, com árvores que pendiam seus frondosos galhos para dentro dos rios; com belíssimas orquídeas e grandes cipós arqueados como arcos de triunfo, a saudar o avanço dos dois servos de Deus pelos mistérios da selva!

Árvores arrancadas pelas águas desciam lentamente na correnteza. Derivando-se dos rios maiores, dezenas de afluentes abriam-se em leque, serpenteando por entre a floresta, formando ilhas, alagadiços e igapós. Abrindo o vôo, bandos de pássaros cortavam o límpido e sereno céu sobre as selvas. No alto das árvores, subitamente, macacos pulavam com agilidade de um galho para outro. Havia crocodilos nas margens dos rios, borboletas coloridas que, aqui e ali, voavam no ar onde se respirava o perfume agreste das flores tropicais. Mas também havia as pragas. O carapanã (mosquito) atacava ao anoitecer e só dava tréguas pela manhã, quando era substituído pela mutuca (espécie de mosca sanguessuga).

Curiosos e maravilhados diante do mundo de beleza e mistério que se estendia diante dos seus olhos, os missionários ouviam, durante o dia, cantos, silvos, urros e estalidos que contrastavam com o silêncio que, à noite, caía sobre os animais adormecidos e ocultos entre as gigantescas árvores.

Viajando por rios estreitos e largos, os missionários puderam contemplar a beleza daquelas noites sossegadas, noites em que, no plenilúnio, o majestoso luar se apossa do escuro azul do céu, e as estrelas brilham à flor dos rios como um bando de aves de prata.

Quando se aproximaram da localidade onde moravam os pais de Adriano Nobre, Vingren e Daniel viram, às margens dos rios, casas erguidas sobre pilares de madeira - as palafitas. Ficaram felizes ao saber que no interior de algumas delas moravam famílias evangélicas. Ali participaram de pequenas reuniões de oração, onde puderam pregar a Palavra de Deus e cantar em português alguns hinos decorados. Os missionários comeram do que havia de melhor no interior daqueles humildes lares: farinha, arroz, feijão sem sal, carne seca e café sem leite. No final de um mês e meio, retornaram a Belém.

O primeiro batismo com o Espírito Santo

Para obterem dinheiro e poderem pagar um professor de português, ficou trata¬do que Daniel voltaria a exercer o ofício de fundidor que aprendera nos Estados Unidos, enquanto Vingren estudaria durante o dia. À noite, Vingren ensinaria a Daniel o que aprendera. E assim, com muito esforço, aprenderam o português. O salário de 12 mil réis por dia proporcionou aos missionários condições de se manterem relati¬vamente bem e poderem comprar Bíblias e Novos Testamentos nos Estados Unidos.

Os irmãos passaram a visitar a moradia de Vingren e Berg, e no decorrer do tempo, comprovaram que eles eram homens de oração e de fé, e viviam o que pregavam. Nessa ocasião, os missionários ficaram sabendo que muito antes de sua chegada a Belém, os diáconos da igreja Batista estavam orando todos os sábados, pedindo a Deus que enviasse mais missionários ao Brasil. Portanto, Daniel e Vingren eram considerados por esses irmãos como resposta às suas orações.

Além do mais, o fato de os dois missio¬nários viverem naquele porão em condições tão precárias e continuarem sadios e dispostos a pregar a Palavra de Deus a qualquer hora do dia ou da noite, era uma indiscutível prova de que Deus os enviara.

Os irmãos que se reuniam na moradia dos missionários passaram a receber com mais assiduidade ensinamentos acerca do batismo com o Espírito Santo e da cura divina. No quartinho existente naquele porão, e nos lares de alguns crentes da igreja Batista, vários cultos passaram a ser realizados. Num desses cultos, Gunnar Vingren perguntou a uma irmã que sofria de câncer nos lábios, se ela estava disposta a abandonar todos os remédios que usava e crer que Jesus a podia curar naquele momento. Ela respondeu que sim. Os irmãos oraram e o Senhor a curou completamente!

Aquela irmã chamava-se Celina de Albuquerque, e nos cultos de adoração que se seguiram, ela começou a pedir a Jesus o batismo com o Espírito Santo. Naquela mesma semana, após o culto de quinta-feira, acompanhada da irmã Nazaré, ela continuou buscando a face do Senhor, e à uma hora da madrugada, Jesus a batizou com o Espírito Santo e com fogo, e ela falou durante mais de duas horas em outras línguas com Deus! Segundo o que docu¬mentou Gunnar Vingren, "foi a primeira operação do batismo com o Espírito Santo feita pelo Senhor Jesus Cristo em terras brasileiras".

No outro dia, a irmã Nazaré, que vira a irmã Celina ser batizada, relatou aos demais membros da igreja tudo o que testemunhara. Naquele mesmo dia, orando em companhia de outras irmãs no local onde os missionários realizavam cultos de oração, a irmã Nazaré também foi batizada com o Espírito Santo, e cantou um hino no Espírito! Com exceção de um evangelista e da esposa de um diácono, todos os demais irmãos que testemunharam a manifestação do poder de Deus na vida daquelas duas irmãs, creram que tudo aquilo era obra do Espírito Santo.

A visita do pastor e suas conseqüências

Certa noite, quando vários irmãos reunidos no porão onde moravam os missionários, oravam e cantavam hinos de louvor a Deus, o pastor Erick Nilson, para surpresa de todos, ali apareceu. Gunnar Vingren e Daniel Berg já sabiam que ele não apoiava a doutrina do batismo com o Espírito Santo. Nem ele nem Raimundo Nobre, que estava estudando para evangelista. Sabiam também que o pastor Nilson, logo que chegara ao Brasil, começara a pedir que Deus cumprisse nele essa promessa. Depois de catorze dias de ele buscar a Deus, suplicando em todas as horas disponíveis do dia e da noite que o Senhor o revestisse de poder, finalmente Deus começou a derramar poder sobre ele, porém sua esposa, amedrontada, pediu-lhe que parasse com ''aquilo", e não permitiu que ele recebesse a grandiosa promessa. A partir de então, Nilson tornou-se inimigo da doutrina pentecostal.

Quando o pastor entrou no recinto, os irmãos se levantaram para saudá-lo. Fez-se total silêncio na sala. Os missionários convidaram-no a participar do culto im¬provisado, mas ele recusou. Diante da surpresa e do ligeiro temor de alguns irmãos, o pastor identificou com o olhar a cada um dos crentes ali presentes, e disse:

- Vejo que chegou a hora de tomar uma decisão. Há algum tempo venho observando discussões acerca de certas doutrinas que não admito como certas. Isto nunca aconteceu desde que comecei a pastorear a igreja aqui em Belém. Sei, contudo, que os responsáveis por essa situação são os irmãos Gunnar Vingren e Daniel Berg, que, possuídos de um sentimento separatista, têm semeado dúvidas e inquietação no seio da igreja.

- Irmão Erik Nilson, - respondeu imediatamente Gunnar Vingren - Deus é testemunha de que não estamos aqui possuídos de nenhum sentimento separatista, e nem desejamos a desunião dos irmãos. Pelo contrário, queremos que todos sirvamos a Deus unidos no mesmo Espírito. Porém, queremos aproveitar também este momento para tornar a afirmar que, se todos alcançarmos a experiência do batismo com o Espírito Santo, jamais nos dividiremos; seremos mais do que irmãos, seremos uma só família.

Sei que a Bíblia fala acerca do batismo com o Espírito Santo e da cura divina, - respondeu o pastor Nilson, já alterando o timbre da voz. - Porém essas coisas foram para aquele tempo. Seria um absurdo que pessoas bem informadas viessem a acreditar que isso possa acontecer em nossos dias. Hoje, temos que ser realistas e procurar não nos envolver com sonhos e falsas profecias. Quanto aos senhores missionários, se não vos corrigirdes e reconhecerdes que estais errados, é meu dever comunicar a todas as igrejas Batistas o que está acontecendo, para que se previnam contra as vossas falsas doutrinas.

Gunnar Vingren e Daniel Berg ouviram tudo aquilo com a serenidade que os caracterizava. Após todos ficarem em silêncio por alguns instantes, Vingren tornou a falar. Afirmou lamentar muito que assuntos de tal importância tivessem motivando uma discussão de caráter pessoal. Falou também que todos ali eram servos de Deus, e pregavam acerca do mesmo Deus. E finalmente concluiu:

- Na minha opinião, somos colegas, e não concorrentes. Saber-se quem leva as almas a Deus é coisa secundária. O que importa é que o número de almas salvas aumente cada vez mais. Não direi que o irmão não esteja na verdade, mas afirmo que não achou toda a verdade. Nós pregamos a verdade do batismo com o Espírito Santo e da cura divina, que Jesus pode realizar ainda em nossos dias.

Daniel Berg

Após ouvir o que Vingren dissera, o pastor Erik Nilson encarou os presentes. Todos os irmãos permaneciam em silêncio absoluto. Fitando os rostos impassíveis e serenos, o pastor olhou firmemente para um diácono - um dos mais antigos membros da igreja Batista em Belém - e esperou encontrar nele o apoio que até então não encontrara em nenhum dos irmãos presentes. Mas foi para surpresa do pastor Nilson que esse irmão, em nome dos demais, disse:

- Agora somos pentecostais!

Pedindo inicialmente que o pastor Nilson não os considerasse traidores do Evangelho, o diácono afirmou que os irmãos reunidos ali jamais tinham tido tanta fé. A explicação para aquela mudança era que eles haviam encontrado a fé e o poder do Espírito Santo!

- Não temos queixa, pastor, - falou o diácono - de antes o irmão não nos haver falado acerca destas verdades, pois o senhor as desconhece e, não as conhecendo, não nos poderia ensiná-las. Porém desejaríamos que o irmão também recebesse estas bênçãos de Deus, a fim de nos entendermos melhor, e podermos sentir a mesma comunhão uns com os outros. Todos os irmãos aqui presentes encontram-se em um plano mais elevado, e mais perto do Céu. O irmão disse que é realista; pois bem, vou citar agora alguns casos reais ocorridos entre nós, algumas provas concretas do poder de Deus em nosso meio.

O diácono passou a relatar vários casos de cura ocorridos entre os irmãos. Certa irmã, que andava amparada por duas muletas, ouvia a pregação dos missionários acerca da cura divina, e, orando com fé, fora completamente curada! A irmã ainda usava as muletas, mas dependuradas na parede de sua casa, em local bem visível, para que todos vissem de que modo mara¬vilhoso Jesus a curara! O caso da irmã Ce-lina também foi citado, juntamente com outros.

- Caro pastor, - concluiu o diácono -não queremos nem podemos acusá-lo de nada. 0 irmão tem trabalhado a fim de ganhar almas para Jesus, tem orado para que Deus dê força aos enfermos, para que eles possam suportar suas enfermidades, mas não orou para que Jesus os curasse; tampouco nos doutrinou acerca do batismo com o Espírito Santo, porque o senhor não crê nestas verdades. Porém, o irmão é testemunha ocular de alguns casos que acabei de citar.

Após ouvir as surpreendentes palavras do diácono e concluir que não encontraria ali o apoio de ninguém, o pastor Nilson dirigiu-se a Vingren e Daniel, e lhes disse:

- Já tomei a decisão que tinha de tomar. A partir deste momento, os senhores não podem mais ficar morando aqui. Procurem outro lugar; depois de tudo o que aconteceu, não os quero mais neste porão.

Em seguida, dirigiu-se ao pequeno grupo de crentes e perguntou:

- Quantos estão de acordo com essas falsas doutrinas?

Dezoito pessoas levantaram suas mãos, e foram avisadas de que seriam imediatamente excluídas de comunhão da igreja. Essa exclusão foi ilegalmente efetivada pelo seminarista Raimundo Nobre.

Vingren e Daniel Berg agradeceram ao pastor Erik todos os favores que este lhes havia prestado, e desejaram que em breve ele fosse também alcançado pela bênção do batismo com o Espírito Santo. Sem dizer palavra, o pastor virou-lhes as costas e retirou-se.

Surge a nova igreja

Os dois missionários estavam agora sem ter para onde ir. Porém não se abalaram diante daquela situação. O Senhor Jesus, que os tinha dirigido até aquele mo¬mento, certamente continuaria com eles e os conduziria triunfalmente na gloriosa jornada que iniciavam. Antes mesmo de Daniel e Vingren expressarem qualquer palavra com relação ao futuro que lhes aguardava, um irmão se adiantou e falou em nome dos demais.

- Irmão Vingren e irmão Daniel, compreendemos a vossa preocupação. Quero dizer, porem, que tenho à vossa disposição uma grande sala em minha casa, que pode ser utilizada para realização de cultos. Quanto ao problema da moradia, minha casa tem espaço suficiente para ambos.

Felizes diante da imediata providência de Deus, os missionários aceitaram o convite. Naquela mesma noite, na casa da irmã Celina de Albuquerque, na rua Siqueira Mendes, 67, no dia 18 de junho de 1911, sob a direção de Vingren e Daniel, foi realizado oficialmente o primeiro culto pentecostal no Brasil. A igreja foi organizada com o nome de Missão de Fé Apostólica.

E assim, sob o límpido céu equatorial, como trigo semeado entre pedras e espinhos, alva e resplandecente como um lírio, começou a florescer nas cidades e nas selvas do Pará e do Amazonas, a igreja que, em 11 de janeiro de 1918, seria denominada Assembléia de Deus. E nada, nada con-seguiu deter seu avanço. Ataques, acusações e folhetos caluniosos só serviram para aumentar o número de pessoas que vinham assistir aos cultos pentecostais e ouvir Gunnar Vingren e Daniel Berg falarem acerca do batismo com o Espírito Santo e da cura divina, e sobretudo verem a mani-festação do poder de Deus entre os irmãos.

Colportando as sementes de vida eterna

Quando as Bíblias e os Novos Testamentos, pedidos por Daniel Berg, chegaram dos Estados Unidos, iniciou-se então em Belém o que podemos denominar de a primeira atividade de colportagem dos pentecostais. Para desenvolver a colportagem a contento, Daniel Berg deixou o emprego na fundição, e logo constatou que não era difícil vender sua preciosa merca-doria, pois, naquela época, Bíblias e Novos Testamentos em português eram raridade no Brasil. Ele saía pela manhã com sua maleta de colportor, caminhando por ruas e estradas, batendo em dezenas de portas, oferecendo Bíblias e Novos Testamentos, e ao mesmo tempo convidando as pessoas a comparecerem ao culto, à noite.

E os frutos daquela semeadura começaram a surgir. Após crerem no Evangelho de liberdade e transformação, homens que negociavam com cigarros e bebidas alcoóli¬cas queimavam essas mercadorias e passavam a negociar em outro ramo de comercio. Ao crerem no poder de Jesus Cristo, enfermos eram alcançados pela cura divina.

Para intensificar suas atividades de evangelismo e colportagem, Daniel resolveu seguir ao longo da estrada de ferro Belém-Bragança, onde dezenas de cidades e vilas jamais haviam sido evangelizadas. Após despedir-se da igreja e de Gunnar Vingren, o qual estava desenvolvendo um considerável ministério como pregador, dirigente e fundador de trabalhos, Daniel Berg partiu, levando consigo duas malas cheias de Bíblias, e no coração a poderosa chama do Espírito Santo. Partiu pouco antes do amanhecer, quando pelos caminhos ainda soprava a brisa suave da madrugada, e os pássaros saudavam docemente a pálida luz da aurora, que pouco a pouco inundava a vastidão do céu.

Sabedores de que a Palavra da Verdade caminharia junto com aquele homem destemido, e em breve resplandeceria em milhares de corações, os padres daquelas cidades e vilas ordenaram que ninguém conversasse nem acolhesse em suas casas um homem alto, forte, que carregava consigo duas malas contendo livros e insistia sempre em conversar com aqueles a quem se dirigia. Daniel entendeu rapidamente a situação. Ao andar pelas ruas do primeiro lugarejo que encontrou no início de sua viagem, observou que todos o olhavam, curiosos e apreensivos.

Após caminhar por algumas horas, o missionário resolveu descansar sob uma frondosa árvore. Era quase meio-dia, e o calor se intensificara. Na limpidez do céu azul, o sol brilhava implacável. Sob aquela sombra acolhedora, Daniel pediu a Deus que interferisse poderosamente em seu favor, esmiuçando as muralhas da descrença e penetrando na dureza dos corações. Fez uma ligeira refeição e esperou que a leve brisa da tarde começasse a soprar.

Deus o conduziu, da sombra daquela árvore a uma casa onde uma senhora idosa jazia sobre o leito, gravemente enferma. E ali, entre velas e algumas pessoas que rezavam ajoelhadas diante de uma imagem, Deus manifestou o seu poder através de Daniel Berg. Ajoelhado à cabeceira da cama daquela mulher que momentos antes havia sido desenganada pelo médico, o missionário começou a conversar com a enferma.

- A senhora tem fé em Deus e em seu Filho Jesus Cristo?

Ela não pronunciou nenhuma palavra, mas acenou afirmativamente com a cabeça.

- Afirmo-lhe que Jesus se encontra pre¬sente neste quarto e está pronto a curá-la continuou Daniel. - A única coisa que a senhora tem a fazer é crer nele. Desprenda-se da contemplação desta imagem, afaste o seu pensamento dela e dirija-o a Jesus, agora. Foi para dar salvação e paz a todos, sobretudo a pessoas como a senhora, que Ele morreu na cruz. Creia nestas verdades, e será curada e liberta do pecado.

Todos os presentes estavam admirados, ouvindo atentamente as palavras que aquele estranho, ajoelhado ao lado da cama, dizia à enferma.

- Mas isto parece ser coisa muito simples! - respondeu a mulher. - Será possível chegar a Jesus tão facilmente?

- Sim, é absolutamente possível. Nós, os seres humanos, costumamos colocar obstáculos no caminho de Deus, e, conseqüentemente, impedimos que Ele faça a obra em nossa vida. Porém, se a senhora quiser, eu posso pedir a Ele que a cure e que escreva o seu nome no Livro da Vida.

A enferma aceitou. Daniel Berg então pediu que todos curvassem a cabeça reverentemente, e, orientando a enferma a acompanhá-lo em oração, ergueu sua voz aos céus. Após a oração, confessando estar sentindo um indizível refrigério em sua al¬ma, a senhora adormeceu.

Ao sair daquela casa, o missionário dei¬xou uma nova criatura em Jesus Cristo. Tempos depois, vários parentes daquela senhora se converteram ao Evangelho, e o seu lar foi transformado em uma Assembléia de Deus!

Resgatando almas para Jesus

Muitas foram as experiências vividas por Daniel Berg durante sua longa caminhada margeando a estrada de ferro Belém-Bragança. Por ele ter sido perseveran¬te, e acreditado que a chama pentecostal em breve irromperia em inúmeros pontos do Brasil, e por não se ter entristecido com as afrontas e agressões físicas, as sementes plantadas germinaram e floresceram. E os frutos do seu labor perseverante estão sendo colhidos há mais de 70 anos em todo o território brasileiro.

Evangelizando as cidades e os lugarejos que encontrava ao longo da Belém-Bragança, "o estrangeiro que vendia Bíblias" caminhava anunciando a Luz Eterna que redime os corações. E era ouvindo a Palavra de Deus que muitos adversários do Evangelho se convertiam e saíam por sua vez, a levar a outros a mensagem de salvação. Como fruto daquela dificultosa viagem, em pouco tempo vinte Assembléias de Deus surgiram entre Belém e Bragança.

E assim, apesar das barreiras erguidas por todos os lados; apesar das perseguições e das agressões físicas (certa vez jogaram lama no rosto de Daniel, quando ele estava pregando), a obra de Deus cresceu portentosamente, avivada pela chama do Espírito Santo.

De Bragança, Daniel partiu para levar o Evangelho aos moradores de centenas de casebres construídos em plena selva. Deixou ruas e estradas para trás, e passou a caminhar por veredas estreitas, por caminhos desconhecidos, por trilhas abertas na floresta tropical. Ali, gigantescas árvores erguiam possantemente, formando, no alto, em todas as direções da selva, um teto de folhagem que só permitia, num e noutro lugar, a filtragem de alguns raios solares. Não existe sol do meio-dia nas florestas. A fraca luminosidade sob as árvores dá a impressão de se estar sempre em pleno entardecer.

Conduzindo duas malas repletas de Novos Testamentos e Bíblias, Daniel caminhou pela selva à procura de almas para o reino de Deus. Logo aprendeu que os moradores daquela região costumavam construir suas casas nas proximidades de clareiras e nas margens dos rios.

Próximo a uma daquelas humildes casas de palha, certa vez ele se deparou com um grupo de crianças que brincavam. Depois de conquistar-lhes a confiança, Daniel ficou sabendo, através delas, que a mãe de um rapazinho ali presente havia morrido naquele dia. Conduzido por esse rapaz, Daniel entrou naquela casa onde algumas pessoas choravam ao redor da morta. Leu um trecho da Bíblia sobre a ressurreição; orou; confortou o dono da casa e ganhou aquela família para Jesus.

O Evangelho anunciado sob perseguições

Antes de se afastar daquela localidade, Daniel foi vítima de um atentado, mas o Senhor fez com que os homens sanguinários o confundissem com um morador da¬quela região. Porém, apesar das perseguições e da neutralidade da autoridade policial local, um? pequena congregação da Assembléia de Deus surgiu ali.

Após certificar-se de que a igreja que por ele fora estabelecida estava firmada em Jesus Cristo e cheia do poder de Cristo, Daniel despediu-se dos irmãos e partiu, seguindo a direção que o Espírito Santo lhe indicava. Para atingir o lugarejo mais próximo, era necessário alugar um barco e atravessar um grande rio. Na outra margem erguia-se a selva e seus inumeráveis perigos.

O Evangelho nas selvas

Conversando com o barqueiro que o conduzia à margem, Daniel ficou sabendo que naquela região havia cobras gigantescas, onças pintadas e bandos de jacarés.

- Não conheço esta região, mas isso não me causa medo algum, pois Jesus está comigo - disse Daniel ao barqueiro. E passou a fazer uma apresentação mais detalhada de Jesus, como o melhor amigo. No final daquela conversa, o barqueiro aceitou Cristo como seu Salvador. Sentados diante um do outro, dentro do barco, Daniel leu um trecho da Bíblia e pediu que o Senhor resgatasse aquela alma do pecado e da ignorância.

Quando chegaram à outra margem, o dia começava a escurecer. Os sons característicos da selva saudaram Daniel Berg, que desembarcou rapidamente, pegou suas duas malas, rejeitou as armas que o barqueiro lhe ofereceu (ele estava conduzindo a mais possante de todas as armas - a Bíblia) despediu-se dele e rumou para o estreito caminho que se iniciava ali e se perdia no interior da selva.

Começou a andar apressadamente, pois em breve seria noite, e ele sabia que teria de atravessar um pântano. À medida que avançava, a vereda tornava-se mais estreita. Cipós cruzavam-se de uma árvore a outra, e havia galhos pelo chão, que lhe embaraçavam os passos. Mas ele caminhava sob a luz do Altíssimo, e seu coração descansava na confiança depositada em Deus. Alcançou o pântano, tirou os sapatos, arregaçou as bainhas da calça e iniciou a dificultosa travessia, atolando-se aqui, caindo ali, até chegar ao outro lado. Lavou-se rapidamente, calçou os sapatos e continuou pela floresta.

Os sapatos começaram a calejar-lhe os pés. Ele os tirou imediatamente. Foi incomodado pelas formigas, pisou em cactus, tentou livrar-se dos espinhos maiores, mas teve de continuar caminhando, pois a penumbra sob as árvores tornava-se cada vez mais densa, e havia os perigos noturnos da selva. Sentia dores na planta dos pés, mas não podia calçar os sapatos. Subitamente, estranhou ao ver que uma vala dividia o caminho. - "Quem teria interesse em cavar uma vala no meio da selva?" - pensou. Mas parou imediatamente de caminhar ao lembrar-se do aviso dos irmãos: "Quando encontrar uma vala na estrada, principalmente se for em terra mole, afaste-se dela, pois é o caminho da sucuri."

Ele ainda estava sob o efeito dessas palavras, quando a gigantesca cobra apareceu à sua frente. A uma distância de menos de dois metros, a sucuri ergueu a cabeça até a altura do rosto de Daniel, e começou a fazer movimentos com o corpo, tentando hipnotizá-lo, como fazia com todas as suas vítimas, antes de atacá-las. Paralisado pelo medo, o missionário começou a clamar angustiosamente em espírito, pedindo que o Senhor o livrasse daquele monstro pavoroso. O tempo parecia haver parado em toda a selva. Um suor frio descia lentamente pelo rosto de Daniel, e ele permanecia ali, parado diante da morte, clamando insistentemente a Deus. Súbito, todo o corpo da sucuri estremeceu; ela desviou sua cabeça para o lado, movimentou rapidamente seu enorme corpo, e sumiu por entre as árvores.

Daniel glorificou o nome do Senhor por aquele grande livramento, e reiniciou sua viagem, sentindo a alma leve e o coração cheio de júbilo e de gratidão a Deus!

Quando conseguiu alcançar uma vereda um pouco mais larga, a noite já se apossara completamente da floresta, e a escuridão era total. Caminhando descalço, Daniel temia pisar em algum inseto venenoso ou ser picado por uma cobra. De repente o urro de uma onça cortou o silêncio da noite. O missionário parou e esperou que a fera desse outro sinal. A onça urrou outra vez, em um lugar mais próximo dali. Subitamente começaram a ser ouvidos os latidos de um cão, mas logo se transformaram em ganidos, e em seguida silenciaram.

Daniel continuou a caminhar, os olhos prescrutando a densa escuridão da selva, os ouvidos atentos aos ruídos noturnos, esperando a onça urrar a qualquer momento.

Inesperadamente, uma pequena luz se movimentou por entre as árvores, e começou a se aproximar dele. Era uma lamparina de querosene. O homem que a conduzia olhou desconfiado para Daniel, mas logo adquiriu confiança ao ser cumprimentado pelo missionário. Após trocarem algumas palavras, o homem ergueu a lamparina acima de sua cabeça e apontou para os restos sanguinolentos de um animal que jazia morto há alguns metros dali, e disse:

- Era o meu cachorro. Ele nunca enfrentara a onça diretamente. Mas hoje algo o levou a enfrentar a fera até a morte.

Imediatamente Daniel entendeu que Deus usara aquele cachorro para livrá-lo das garras assassinas da onça. Após convidar o missionário a hospedar-se em sua casa, o caboclo falou:

- O senhor deve ter uma arma bem possante, pois só estando bem armado alguém teria coragem de andar por esses lados, cheios de cobras e onças.

- Sim, realmente eu ando bem armado. A minha arma é esta - respondeu Daniel, mostrando-lhe a Bíblia.

Caminharam até chegar diante de uma casinha humilde, de paredes de barro e de varas (taipa), com teto de palha. Ali morava aquele homem com a esposa e filhos. Eles arranjaram água para o missionário lavar os pés, ajudaram-no a se livrar dos espinhos maiores (no outro dia, o ajudariam a tirar os menores), prepararam-lhe uma rápida refeição e providenciaram um lugar onde ele pudesse repousar aquela noite. Naquela casa o Senhor mais uma vez livrou Daniel de ser picado por uma cobra. No dia seguinte, após presentear o caboclo com uma Bíblia, Daniel prosseguiu sua viagem, sabendo que deixara a semente do Evangelho plantada naqueles corações.

Caminhou até o anoitecer, quando pa¬rou para dormir em uma cabana sem teto. A chuva que caiu naquela madrugada deu-lhe a impressão de que a água arrastaria a cabana. Porém seu coração estava tranqüilo, pois ele sabia que as Bíblias estavam bem protegidas dentro da mala. Mas as roupas que usava só secaram algumas horas depois, quando ele reiniciou a viagem até chegar a um lugarejo, onde um pequeno grupo de irmãos o recebeu.

Naquele vilarejo, Daniel realizou cultos ouvindo urros de onças e gritos de outros animais bem próximo da casa onde os irmãos se reuniam. Segurando em uma das mãos a lamparina de querosene e empunhando a Bíblia com a outra, Daniel Berg lia a Palavra de Deus diante da pequena congregação. Por não dispor das mãos livres, os mosquitos picavam o seu rosto, pescoço e braços. Foi em um desses cultos que ele contraiu malária. Debilitado e sentindo febre e calafrios por todo o corpo, o missionário ficou acamado durante vários dias. No intuito de reanimá-lo, os irmãos chegaram até a preparar-lhe um jantar especial, cujo prato principal era uma das iguarias da selva: um macaco cozido! Agradecendo a gentileza dos irmãos, o missionário confessou não estar com apetite.

Alguns dias depois, Daniel foi reconduzido a Belém em companhia de dois irmãos (um deles fora enviado por Gunnar Vingren, que dias antes recebera uma carta de Daniel, onde este lhe falava do seu estado de saúde).

Os três viajantes atravessaram a selva, foram transportados pelo mesmo barqueiro que fizera a travessia de Daniel Berg, chegaram em terra firme e caminharam até a estrada de ferro onde Gunnar Vingren os esperava. Daniel foi conduzido à casa de Vingren, e lá ficou, tendo crises de febre até que o Senhor o curou. (Alguns meses depois, o missionário tornou a contrair a doença, mas, então o Senhor o curou de uma vez por todas.)

Deus ainda usou inúmeras vezes o seu servo no meio dos perigos da selva, dos rios caudalosos e de homens sanguinários, até chamá-lo, em 1963, para as mansões eternas. Mas nem o naufrágio que sofreu, pela correnteza de um perigoso rio, ao navegar em uma pequena canoa, nem as dificuldades enfrentadas durante as viagens no barco Boas-Novas, nem as palavras e os gestos ameaçadores que lançaram sobre ele e Vingren, quando visitavam a ilha de Marajó, fizeram-no desistir do empreendimento maravilhoso de levar a Palavra de Deus aos corações de muitos daqueles que viviam em pequenas cidades e entre rios e florestas daquelas regiões longínquas.

Na condição de evangelista e primeiro colportor pentecostal no Brasil, Daniel Berg avançou pelas selvas adentro, alcançou casas isoladas e lugarejos de difícil acesso; caminhou centenas de quilômetros a pé, navegou pelos rios do Amazonas e do Pará, sob o sol, sob a chuva, de noite e de dia, por veredas estreitas e mato fechado, enfrentando os mosquitos transmissores da malária, os perigos e as surpresas da floresta e do coração do homem mau, e realizan¬do um trabalho superior ao de Fernão Dias Paes Leme, o bandeirante caçador de esmeraldas, pois pescava almas preciosas para o reino de Deus.

À semelhança do grande bandeirante, ele também desbravou o desconhecido, mas tão-somente à procura de almas, de "esmeraldas" resgatadas das impurezas da terra para serem conduzidas aos tesouros do Céu. E dele pode-se dizer o mesmo que Olavo Bilac disse de Fernão Leme:

"Cada passada sua era um caminho que surgia." Pelas veredas do Evangelho dificultosamente abertas, germinaram, como sementes férteis, suas gotas de suor, suas lágrimas, a fome, as vigílias. E hoje, sob as mãos abençoadoras de Cristo, quando a Assembléia de Deus cresce em todo o Brasil, as inúmeras atividades evangelísticas reascendem continuamente nos corações de todos os pentecostais, a esperança de um dia, nas ruas da Jerusalém Celestial, podermos nos encontrar com o nosso irmão Daniel, aquele que, para levar a semente de vida eterna ao coração de milhares de brasileiros, enfrentou os perigos das selvas amazônicas.

Jefferson Magno Costa - Eles Andaram com Deus (CPAD)

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A Verdadeira Felicidade

"Bem-aventurados..." (Mt 5.3)

Qual o padrão de felicidade que definimos para nós? Será o mesmo de Jesus? Na perspectiva de Jesus, a felicidade é bem diferente da nossa. Segundo Ele...

"Bem-aventurados os pobres de espírito... os que choram... os mansos... os que tem fome e sede de justiça... os misericordiosos... os limpos de coração... os pacificadores... os que sofrem perseguição... quando vos injuriarem e perseguirem..." (Mt 5.3-11).

Felicidade, na língua original, é makarios. Essa palavra é traduzido como um estado de felicidade inabalável. Não apenas na ausência de tribulações, mas em meio às tribulações. Lembro-me da história de um pintor que foi desafiado a pintar um quadro que expressasse felicidade e paz. Ele pintou um quadro bem grande e nele uma paisagem que era arrebatada por terríveis ventos, arrancando telhados, árvores, mas meio fora de foco um singelo passarinho sentado em seu ninho observava tudo isso sem sair sua casinha. Isso é felicidade!

Enquanto o mundo valoriza quem é ambicioso, cobiçoso, esperto, exaltado e cheio de lisura, Jesus valoriza "os pobres de espírito". Pessoas simples são alvos da felicidade segundo o padrão de Jesus. São possuidores do reino dos céus.

Enquanto o mundo acredita que felicidade é viver com um sorriso, Jesus acredita que feliz é quem "chora". Um dia serão consolados.

Enquanto o mundo admira os corajosos, brigões, quem tem a resposta na ponta da língua, Jesus admira "os mansos". Serão herdeiros da Terra.

Enquanto o mundo incentiva a luta pelos direitos humanos, Jesus incentiva "os que tem fome e sede de justiça". Um dia ficarão satisfeitos.

Enquanto o mundo prega o egoísmo e cada um por si e Deus por todos, Jesus prega que a misericórdia precede mais misericórdia ainda. Eles um dia alcançarão mais misericórdia ainda.

Enquando o coração dos homens é cheio de maldade e o mundo vê isso como qualidade, Jesus garante felicidade aos "limpos de coração". Eles verão a Deus.

Enquanto o mundo prega a paz por meio da guerra, Jesus convida-nos a sermos "pacificadores". Serão chamados filhos de Deus.

Enquanto o mundo prega os processos contra aqueles que nos fazem mal, Jesus diz que feliz mesmo é quem sofre perseguição por causa dEle. O testemunho dos antigos nos intimam a confiar mais nEle e no Seu poder.

Quer ser feliz? Siga a Jesus!

Campanha "O Evangelho Quadrangular"

Estamos comemorando 2011 como o Ano do Centenário das Assembleias de Deus no Brasil. Para reforçar e apregoar ainda mais aquilo que os antigos pregavam, resolvemos criar a Campanha "Evangelho Quadrangular" que acontecerá sempre às quintas-feiras no templo central da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, Ministério de Madureira. Criamos uma escala com todos os obreiros da sede e juntos pregaremos que "Jesus salva, cura, batiza com Espírito Santo e leva para o céu". Participe!

Jesus Salva!

  • 13/01 - Pr. Antonio Baltazar (O que é o Evangelho Quadrangular)
  • 20/01 - Ev. Antônio Rocha (A Salvação Prometida em Jesus)
  • 27/01 - Pr. Paulo Marcolino (A Esperança da Salvação)
  • 3/02 - Pr. Adonias Moeses (A Alegria da Salvação)
  • 10/02 - Pr. Deuing Munhoz (A Certeza da Salvação)
  • 17/02 - Pr. José Haroldo Amorim (Como o Homem Pode Ser Salvo)
  • 24/02 - Pr. Regilson Aguiar (Como Deus Recebe o Pecador)
  • 3/03 - Pr. Elias Antunes (A Salvação e a Adoção)
  • 10/03 - Pr. Manoel Porfiro (A Salvação e a Justificação)
  • 17/03 - Pr. Jeff Chandler (A Salvação e a Regeneração)
  • 24/03 - Pr. Ivan Alcides (A Salvação e a Santificação)
  • 31/03 - Pr. Zaqueu Martins (Jesus Suficiente Salvador)

Jesus Cura!


  • 7/04 - Pr. Lúcio Vilca (Jeová-Rafah, O Senhor que Cura)
  • 14/04 - Ev. Paulo Costa (Deus e o Propósito da Cura)
  • 21/04 - Ev. Antônio Carlos (Como Alcançar a Cura Divina)
  • 28/04 - Ev. Obedes Queiroz (Deus Quer Curar)
  • 5/05 - Pr. Daniel Martins (Naamã e Sua Cura Milagrosa)
  • 12/05 - Ev. Francisco Gonçalves (A Pregação do Evangelho e a Cura Divina)
  • 19/05 - Ev. Nilonei Ramos (O Dilema da Cura Não-Alcançada)
  • 26/05 - Pb. Arley Nascimento (Jesus e a Cura Divina)
  • 2/06 - Pb. Enoque do Carmo (Jesus e a Mulher Hemorrágica)
  • 9/06 - Pb. Luciano José (Jesus e os Dez Leprosos)
  • 16/06 - Pb. João Marinck (Jesus e o Cego de Jericó)
  • 23/06 - Pb. Fernando de Freitas (Jesus e a Viúva de Naim)
  • 30/06 - Pb. Claudecley Lamas (Jesus e a Ressurreição de Lázaro)

Jesus Batiza com o Espírito Santo!


  • 7/07 - Pb. Márcio Jean (Quem é o Espírito Santo)
  • 14/07 - Pb. Franciney Moreno (O Espírito Santo na Vida dos Profetas)
  • 21/07 - Pb. Uesley Henrique (O Espírito Santo na Vida dos Reis)
  • 28/07 - Pb. Francinaldo Fernandes (O Espírito Santo na Vida dos Sacerdotes)
  • 4/08 - Pb. Daniel Ribeiro (O Espírito Santo na Vida dos Juízes)
  • 11/08 - Pb. Afrânio Nobre (A Vida Cheia do Espírito Santo)
  • 18/08 - Pb. Adalto Cordeiro (A Promessa de Derramamento do Espírito Santo)
  • 25/08 - Pb. Daniel Diogo (A Obra do Espírito Santo na Vida do Crente)
  • 1/09 - Mss. Odair Oliveira (O Espírito Santo na Igreja)
  • 8/09 - Dcsa. Lucimara Nascimento (O Espírito Santo, Promotor de Avivamento)
  • 15/09 - Dcsa. Sirley (O Batismo com o Espírito Santo)
  • 22/09 - Dcsa. Dorislene Kátia (Como Ter a Vida no Espírito)
  • 29/09 - Dcsa. Kédma Christiane (O Consolador Prometido)

Jesus Leva para o Céu!


  • 6/10 - Pr. Antonio Baltazar (A Bendita Promessa do Arrebatamento)
  • 13/10 - Pr. Adonias Moeses (Como Será o Arrebatamento da Igreja)
  • 20/10 - Ev. Nilonei Ramos (Sinais da Vinda de Jesus)
  • 27/10 - Pr. Daniel Martins (Como Deve Ser a Igreja que Espera Jesus Voltar)
  • 3/11 - Pr. Ivan Alcides (A Certeza do Arrebatamento)
  • 10/11 - Pr. Zaqueu Martins (O Iminente Arrebatamento da Igreja)
  • 17/11 - Pr. Antonio Baltazar (O Amoroso Plano de Deus na Eternidade)
  • 24/11 - Pr. Adonias Moeses (A Gloriosa Expectativa da Redenção)
  • 1/12 - Ev. Nilonei Ramos (A Vida na Eternidade)
  • 8/12 - Pr. Antonio Baltazar (Novos Céus e Nova Terra)
  • 15/12 - Pr. Ivan Alcides (A Cidade Celestial)
  • 22/12 - Pr. Zaqueu Martins (O Triunfo Eterno da Igreja)
  • 29/12 - Pr. Daniel Martins (Santidade, o Passaporte para as Mansões Celestiais)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Para 2011

Chegamos ao final de mais um ano e estamos iniciando outro. Vencemos um desafio e já outro está em nossa frente. Nosso maior trunfo é a presença de Deus que nos faz descansar onde a maioria se desespera.

Dois mil e dez foi um ano maravilhoso. Tivemos grandes programações que envolveram o povo de Deus. A escolha do 2010 como o “Ano da Evangelização” foi confirmado por Deus que nos permitiu ver muitas almas se renderem a Cristo como Salvador e Senhor. Essa foi uma das maiores conquistas que alcançamos em Cristo.

Vimos o crescimento cultural do povo de Deus por meio de vários seminários, encontros, fóruns, semana teológica, duas formaturas de educação teológica (EEPOAD e FATAD) perfazendo um total de 70 formandos, cultos de ensino sempre lotados e escola dominical com números sempre crescente. Isso é sinal de avivamento. Glórias a Deus!

Congressos como os da UNIJOM (União Jovem de Madureira), CIBE (Confraternização de Irmãs Beneficentes Evangélicas) e do Departamento Infantil trouxeram grande despertamento espiritual à Igreja em Porto Velho.

Com louvor, conseguimos informatizar todo o corpo administrativo da Igreja através de sistema online, onde todas as congregações do Ministério de Madureira têm acesso ao banco de dados administrativos através da Internet. É o novo que chega e nos impulsiona a buscar mais. Isso é maravilhoso!

Mas ainda temos muito pela frente. O ano novo promete muita coisa. Para isso...

  • Corramos os riscos que estão à nossa frente. Não tenhamos medo do novo nem do difícil. Tudo calculado pode ser melhorado.
  • Dependamos de Deus em todas as áreas. Só Ele nos dá a coragem para derrubarmos os gigantes do ano que se inicia.
  • Assumamos as responsabilidades que nos foram outorgadas. Todos são chamados para fazer algo para Deus. Uns mais e outros menos, mas todos estão engajados.
  • Esperemos as adversidades. Todo Davi tem um Saul no encalço. Toda Ester tem um Hamã à espreita. Toda ovelha é alvo de um leão. Todo sucesso é precedido por desafios e inimigos. Com confiança em Deus, tudo pode ser superado.
Desejamos a todos os amigos um Feliz Ano Novo durante todos os 365 dias que temos pela frente. Paz do céu a todos!