terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A Grande Obra de Neemais (5ª parte)


MÉTODOS DO INIMIGO PARA ACABAR COM A OBRA

“Sambalate e Gesem mandaram dizer-me: Vem, encontremo-nos numa das aldeias da planície de Ono. Eles, porém, intentavam fazer-me mal” (Ne 6.2).

“Lembra-te, meu Deus, de Tobias e de Sambalate, conforme estas suas obras, e também da profetisa Noadias, e dos demais profetas que procuravam atemorizar-me” (Ne 6.14).

"Ao que cuida em fazer o mal, mestre de intrigas lhe chamarão" (Pv 24:8).

Há pessoas cujo negócio é praticar maldade. Eles cogitam, planejam e tramam maldades. São "inventores de males" (Rm 1:30). São derrubadores dos Ministros de Deus. Neemias enfrentou tão grande oposição que no final do versículo 19, do Capítulo 6, diz: “Tobias me mandou muitas cartas com ameaças, a fim de deixar com medo”.

O ladrão estuda para descobrir um jeito de entrar numa casa despercebido. O assassino cuidadosamente planeja como matar alguém sem deixar pistas. O caloteiro procura descobrir maneiras para enganar uma pessoa inocente. O estuprador reflete sobre planos para achar e atacar sua vítima sem ser preso. O batedor de carteiras considera vários ângulos de abordagem para conquistar seu alvo. Grandes mafiosos em prostituição e pornografia utilizam advogados caros para escapar das conseqüências dos seus atos.

O inimigo é muito astuto. Ele usa de várias estratégias, truques sujos, para nos afastar da obra do Senhor. É necessário que tenhamos sabedoria vinda de Deus para podermos enfrentar o inimigo. Precisamos estar preparados para todas as investidas do adversário (1Pe 5:8-9).

Vejamos os métodos usados pelo inimigo para desestabilizar a frente de atividades empunhada por Neemias:

1. Escárnio – Neemias e seu povo foram escarnecidos (Ne 4:1-3).

Uma das armadilhas mais usadas por Satanás é o descaso, e foi essa a primeira que ele usou contra Neemias. Vejam o que as pessoas diziam:

a) Fracos Judeus (Ne 4.2).

Vocês são fracos, desqualificados, não são especialistas em muros. Vocês acham que vão mesmo terminar esta obra? Desistam vocês nunca irão terminar isso, seu Deus não liga para vocês, para que vão oferecer sacrifícios a esse Deus?

Satanás usará sempre esses termos para desencorajar um obreiro que diuturnamente faz a obra que Deus o incumbiu de fazer. Um obreiro que tem convicção de sua chamada sabe perfeitamente que sua fortaleza está no Senhor e na força do Seu poder.

b) Pedras queimadas (Ne 4.2).

Quando as pedras calcárias são queimadas tornam-se muito moles e perdem a durabilidade. Então estavam dizendo: “Este muro vai cair logo não vai durar, até um animal noturno derrubará seu muro, vocês estão perdendo seu tempo, desistam nós somos mais fortes do que vocês, vamos entrar a qualquer hora aí”.

A estratégia do inimigo é dizer que o trabalho está fraco e que é melhor parar tudo. Às vezes o obreiro coloca na cabeça que o trabalho não vai mesmo para frente e que é melhor entregar. Tudo não passa de uma estratégia de Satanás para que pecamos a visão da nossa chamada.

c) Provocadores de ira (Ne 4.5).

Enquanto os homens estavam trabalhando para reconstruir seus muros o inimigo lá estava, provocando, tentando desviar suas atenções da obra, tentando irritá-los a tal ponto que desistissem de tudo.

Quando alguém está querendo viver uma vida que agrada a Deus, passa a ser motivo de zombaria.

Muitas vezes quando um jovem declara que sente o chamado para o ministério os seus “amigos” riem dele.

2. Ataques Diretos - Neemias sofreu ataques frontais (Ne 4.7-8).

a) O inimigo uniu forças (Ne 4.8).

Os arábicos eram liderados por Gesém (Ne 2.19). Os amonitas eram liderados por Tobias (Ne 2.19). Os asdoditas (Filisteu) provavelmente foram incitados por Sambalate.

b) O inimigo agora quer o confronto (Ne 4.8).

O inimigo viu que o escárnio não havia funcionado. Se as estratégias do inimigo contra o nosso ministério ainda não funcionaram, saiba de uma coisa: Ele não desiste nunca!

O inimigo viu que os muros já estavam até a metade, não podiam esperar mais pelas raposas.

Decisão do inimigo: vamos atacar! E a estratégia covarde do inimigo se configura no fato de que o ataque seria secreto (Ne 4.11). É assim que Satanás trabalha para nos derrubar na Obra!

c) Como reagiu Neemias aos ataques do inimigo?

Neemias se preparou para o ataque (Ne 4.9). Um obreiro não assiste passivamente a chegada do adversário sem nada fazer. Ele foi comissionado para proteger o rebanho, custe o que custar.

Neemias orou ao Deus dos céus (Ne 4.9). Quem entra numa peleja espiritual precisará estar protegido com toda a armadura de Deus.

Neemias distribuiu o povo (4.13). O obreiro inteligente não trabalha sozinho. O povo todo será vencedor da grande batalha travada!

Neemias armou o povo (4.13). Não é só o obreiro que deve estar armado. O povo orientado pela Palavra empunhará a Espada do Espírito, o Escudo da fé e rebaterá todos os dardos inflamados do maligno.

Neemias elaborou um plano: metade trabalhava a outra metade vigiava (Ne 4.16). Os carregadores mantinham uma mão com espada e a outra com a carga (Ne 4.17), os edificadores traziam a espada na cinta (Ne 4.18), todos estavam prontos (Ne 4.23). A organização e decisão conjunta faz o sucesso da obra!

Neemias colocou todos em estado de vigilância (Ne 4.21). Ele orientou o povo a ficar na cidade e trabalhar o dia e servir de guarda durante a noite. O obreiro é alguém que está na torre de vigia, porém, é auxiliado por outros companheiros corajosos a enfrentar todo e qualquer combate.

Neemias exigiu todo o cuidado (Ne 4.22-23). O obreiro e seu rebanho devem estar sempre de com os olhos espirituais abertos.

Neemias pediu que em tudo agissem com sabedoria (Ne 6.1-4). Uma obra, uma batalha só se realiza com sabedoria que vem do alto. Nós a encontramos na Palavra e na comunhão diária com Deus, nosso Pai.

Essa obra que estamos fazendo não tem espaços para medrosos, covardes, incrédulos e mundanos. Só há espaços para pessoas comprometidas.

O vale de Ono ficava a aproximadamente 32 Km de Jerusalém, a intenção de Sambalate e seus amigos era a de afastar Neemias da obra, para que na sua ausência atacassem a cidade e até mesmo com a intenção de matá-lo no vale (Ne 6.1-4).

d) Uma grande obra!

Satanás vai nos fazer convites para nos desviar da obra do Senhor, ele vai insistir. Certamente colocará em nossos caminhos a mulher adúltera, o desejo de enriquecermos e a priorizarmos nossos interesses em detrimento ao reino de Deus. Neemias disse: "Estou fazendo grande obra".

3. Calúnia – Neemias foi caluniado (Ne 6.5-9).

Mais uma investida para afastar Neemias da obra, dessa vez foi a calúnia, a carta foi lida em público com o objetivo de minar sua autoridade, dizendo que ele havia comprado os profetas para falarem dele ao povo e proclamá-lo rei.

A verdade é que quando estamos querendo arrumar nossas vidas diante de Deus, quando estamos querendo erguer novamente os muros da separação do mundo, do pecado e vivermos uma vida santa e que agrada a Deus, Satanás vai tentar nos caluniar, usando pessoas para julgar nossos motivos e intenções. Não desanimemos, pois, “Deus fortalecerá suas mãos”.

4. Traição – Neemias foi traído (Ne 6.10-13).

O profeta diz a Neemias: Deus me revelou que os inimigos vão tentar te matar ainda esta noite, vamos, pois ao templo e nos escondamos lá.

Neemias conhecia seu Deus e sabia que Ele não iria dar uma profecia que contrariasse a lei de Moisés, que impedia que um leigo entrasse no templo.

Quando alguém está andando com Deus e conhecendo a sua palavra, não vai dar ouvido a falsos profetas e a falsas doutrinas (Hb 4:12; 5:14).

a) A maneira como Neemias reagiu

Neemias não deu ouvidos às acusações, mas deu prioridade ao seu objetivo que era a reconstrução dos muros (Ne 6.3).

O obreiro não deve dar prioridade às acusações, antes, deve dar prioridade às coisas que Deus quer fazer em sua vida e ministério.

b) A maneira como José reagiu

José foi vendido pelos seus irmãos, trabalhou na casa de Potifar e a mulher deste o caluniou, e, ele acabou indo para a cadeia injustamente (Gn 39.14-20).

A injustiça é um dos elementos mais poderosos para tornar a pessoa deprimida. Mesmo assim, José não se deixou abater. O segredo da vida de José é que ele confiava em Deus e considerou as acusações como circunstâncias e temporais.

Não importa o tipo e a força da acusação, as promessas de Deus para a sua vida são maiores do que as acusações.

c) A maneira como Mardoqueu reagiu

Estavam os judeus sob o domínio do rei Assuero e havia na província do rei, um homem mal chamado Hamã. Ele aproveitou uma oportunidade estratégica e inteligente e persuadiu o rei a assinar um edito para matar todos os judeus daquele reino (Et 3.8-12). O rei marcou então uma data para que todos os judeus fossem mortos.

Aparece o personagem Mardoqueu que enfrentou a acusação com estratégia. Procurou alguém que pudesse resolver o problema: a rainha Ester (Et 4.7-10). Esta, por sua vez, correu o risco de morrer, pois, se apresentou ao rei sem ter sido chamado por este (Et 4.16). O resultado foi que Ester preparou um banquete e desmascarou a maldade de Hamã (Et 7.1-10).

Temos que ser estratégicos para neutralizar a acusação.

d) Diante das terríveis investidas do inimigo o soldado do Mestre não desiste!

Mesmo em meio a zombaria, ataques, calúnia e traição a obra que Neemias se dispôs a fazer, foi concluída em 52 dias.

O obreiro não se deve preocupar se ao tentar fazer o trabalho com lealdade, sofrer ataques. Isso sempre acontecerá. Esses ataques podem vir até de dentro da sua própria casa ou igreja.

É necessário ter sempre em mente esta grande verdade: “O Deus dos céus é quem nos dará bom êxito”.

5. Além de Sambalate e Tobias há outros exemplos de Mestres de Intrigas, Inventores de Males, que são Qualificados como Derrubadores de Líderes.

a) Rei Saul

Motivado principalmente pela inveja, Saul se dedicou a prejudicar Davi (1Sm 18:6-9). Ele ofereceu a Davi sua filha, Mical, como esposa, pedindo cem prepúcios de filisteus como dote. "Porquanto Saul tentava fazer cair a Davi pelas mãos dos filisteus". O plano fracassou, pois Davi e seus homens mataram duzentos filisteus e não apenas cem (1Sm 18.20-27). Saul tentou matar Davi com sua lança, mas Davi escapou. Ele enviou servos para vigiar a casa de Davi e o matar de manhã. Mical ajudou Davi fugir (1Sm 19.10-17). Correndo de um lugar para outro para ficar fora do alcance de Saul, Davi sabia "que Saul maquinava o mal contra ele" (1Sm 23.9). As ciladas de Saul fracassaram porque Deus estava com Davi.

b) Hamã

Um agagita e inimigo dos judeus, Hamã se tornou primeiro ministro do governo persa. Hamã tramou um plano para exterminar por completo o povo judeu. Ester, uma judia bonita que havia se tornado rainha da Pérsia arriscou a sua vida para expor o plano mal de Hamã. Ester abordou "o rei e se lhe lançou aos pés; e, com lágrimas, lhe implorou que revogasse a maldade de Hamã, o agagita, e a trama que havia empreendido contra os judeus" (Et 8:3). O decreto feito sob a influência de Hamã foi contrariado por outro decreto real.

c) Líderes gananciosos

O profeta Miquéias dirigiu suas palavras alguns nobres ou líderes entre os israelitas que tramavam maldade para se enriquecer. "Ai daqueles que, no seu leito, imaginam a iniqüidade e maquinam o mal! À luz da alva, o praticam, porque o poder está em suas mãos. Se cobiçam campos, os arrebatam; se casas, as tomam; assim, fazem violência a um homem e à sua casa, a uma pessoa e à sua herança" (Mq 2:1-2). Esses homens cobiçosos ficaram acordados à noite planejando sua maldade. "Sua maldade é planejada e proposital, pois, ao invés de se retirarem para dormir a noite, eles ficam acordados tramando e preparando seus planos maus" (H. Hailey).

d) Os principais sacerdotes e escribas

Esses líderes judeus na época do ministério de Jesus estudaram e consultaram entre si, planejando a morte de Jesus. "Então, os principais sacerdotes e os anciãos do povo se reuniram no palácio do sumo sacerdote, chamado Caifás; e deliberaram prender Jesus, à traição, e matá-lo" (Mt 26:3-4). Os principais sacerdotes concordaram em pagar para Judas 30 moedas de prata para que ele traísse Jesus (Mt 26:14-16). Os mesmos líderes, mais tarde, procuraram "algum testemunho falso contra Jesus, a fim de o condenarem à morte" (Mt 26:59).

Esses são poucos dos muitos exemplos na Bíblia de pessoas que podem ser chamadas "mestres de intrigas". Deus considera abominável o "coração que trama projetos iníquos" (Pv 6:18).

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