sábado, 10 de dezembro de 2011

Interação e Ação na Igreja

Texto Base:

"Depois disto partiu Jesus para o outro lado do mar da Galiléia, que é o de Tiberíades. E grande multidão o seguia, porque via os sinais que operava sobre os enfermos. E Jesus subiu ao monte, e assentou-se ali com os seus discípulos. E a páscoa, a festa dos judeus, estava próxima. Então Jesus, levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão vinha ter com ele, disse a Filipe: Onde compraremos pão, para estes comerem? Mas dizia isto para o experimentar; porque ele bem sabia o que havia de fazer. Filipe respondeu-lhe: Duzentos dinheiros de pão não lhes bastarão, para que cada um deles tome um pouco. E um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe: Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantos? E disse Jesus: Mandai assentar os homens. E havia muita relva naquele lugar. Assentaram-se, pois, os homens em número de quase cinco mil. E Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos discípulos, e os discípulos pelos que estavam assentados; e igualmente também dos peixes, quanto eles queriam. E, quando estavam saciados, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca. Recolheram-nos, pois, e encheram doze alcofas de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido” (João 6.1-13).

INTRODUÇÃO

Toda ação de Deus na história conta, antes ou depois, da ação do homem. Foi assim em diversos casos ao longo da história bíblica.

 Nos tempos de Ezequiel – “profetiza”;
 Na pesca maravilhosa – “lançai a rede”;
 Na ressurreição de Lázaro – “tirai a pedra”;
 Na multiplicação dos pães e peixes – “dai-lhes vós mesmos de comer”.

Portanto, em vários aspectos, existe, ou pelo menos deve existir, interatividade entre Deus e o homem naquilo que Ele está fazendo. Havendo interatividade, sempre haverá ação por parte daqueles que fazem parte ou entendem diretamente a necessidade do Reino de Deus. Vamos tentar desenvolver essa temática a partir do episódio da primeira multiplicação de pães.

I – A ANÁLISE DA SITUAÇÃO FEITA POR JESUS

Na mente de Jesus, a multidão ali presente precisava de solução. Uma simples leitura do texto revela-nos que Ele já agira em parte do problema. A visão da multidão causou-lhe comoção, foi quando agiu – curou os enfermos.

1. A Constante Presença da Multidão no Ministério de Jesus.

Por onde quer que Jesus seguisse, uma grande multidão se avolumava em torno de si, tanto para ouvir suas mensagens, ou para receber uma cura, ou ainda testemunhar um grande milagre e muitos outros simplesmente para comer o era servido nos locais onde Ele se reunia.

2. A Intrigante Pergunta de Jesus aos Discípulos.

Quem mais poderia trazer alento a multidão cansada senão Jesus? Mas Jesus pergunta a Filipe: “Onde compraremos pão, para estes comerem?” A pergunta desperta um pouco de desconfiança nos discípulos. Será que o Mestre está realmente perguntando “onde compraremos?” ou “como compraremos?”

A maravilha do texto revela que Jesus “dizia isto para o experimentar; porque ele bem sabia o que havia de fazer”. Este milagre é tão importante que é o único texto narrado pelos quatro evangelistas. Com exceção de algumas variações, todos concordam que o milagre que Jesus operou naquele dia foi fruto de uma interação entre Ele e os seus discípulos.

3. A Resposta Final de Jesus.

“O povo tem de comer!” Essa seria a última palavra de Jesus diante da aparente dúvida dos discípulos. Você teria coragem mesmo de oferecer cinco pães e dois peixes para alimentar uma multidão de aproximadamente quinze mil pessoas, incluindo homens, mulheres e crianças? Cumpriria esse papel interativo na obra de Deus? Desafiaria a lógica para experimentar um milagre na sua vida?

II – A ANÁLISE DA SITUAÇÃO FEITA PELOS DISCÍPULOS

Quão diferente é a mente de Jesus da de seus discípulos. A resposta rápida nem sempre revela soluções a necessidade apresentada. Quantas pessoas conhecemos que tem uma resposta na ponta da língua, mas que dificilmente suas respostas revelam soluções? Por isso, o obreiro de Deus deve pronto para ouvir, mas tardio para falar (Tiago 1.19). Falar pode revelar insensatez, precipitação, despreparo e mente neófita (Provérbios 29.20).

1. Jesus fez a pergunta para um de seus discípulos.

O princípio de interação de Jesus é revelada em cada aspecto do texto que tomamos por base. Jesus sabia o que havia de fazer, mas era-lhe importante saber o que eles fariam em seu lugar. Jesus queria saber onde estava a padaria mais próxima e eles, preocupados com o dinheiro. Vez ou outra lidamos com conflitos assim na Igreja – o fato de considerarem pouco o que fazem.

Gosto sempre de frisar a história de dois porteiros de uma igreja. Os dois porteiros eram responsáveis pelo mesmo trabalho na Igreja, mas havia enormes diferenças entre eles. Um era dedicadíssimo ao que fazia, chegava cedo aos cultos, arrumava a mesa com os panfletos e sempre recepcionava a todos com um caloroso bem-vindo. O outro por sua vez, achava que seu trabalho poderia ser substituído por um dispositivo eletrônico que detectava a presença de pessoas ligado a um sistema de som de liberava uma voz dizendo: boa-noite, bem-vindo.

2. Em meio aos piores, tem os melhores.

É lógico que numa comunidade sempre existem aqueles que salvam o trabalho em que estão inseridos. O primeiro discípulo subestimou a pergunta de Jesus, já um segundo foi estrategista, audacioso, corajoso, desafiador, que em análise são características de interação com a situação em que está vivendo.

“E um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe: Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantos?”

Na Igreja, sempre tem um com mais desprendimento e atitude que outros. O bom mesmo seria que todos agissem de acordo com a necessidade, mas isso não é uma realidade em todos os oficiais.

III – A INTERAÇÃO ENTRE JESUS E OS DISCÍPULOS

A narrativa joanina difere das sinóticas em diversos pormenores. Não lhe faltam evidências autênticas de uma testemunha ocular.

 “A páscoa estava próxima”. Este detalhe explica a presença de uma grande multidão, e sugere algo para compreender o sentido espiritual do milagre. Jesus vê a turba chegando, e propõe que se coma.
 Tomando a iniciativa, Ele fala sobre o assunto com Filipe, possivelmente com o intuito de prová-lo, “porque ele bem sabia o que estava para fazer”. Filipe responde de uma maneira eficiente e calculada. Na sua resposta, ele não avalia a situação à luz da fé, nem contempla a capacidade do Senhor de satisfazer as necessidades do povo. Alguém sugere que a exatidão da resposta pressuponha uma consideração prévia do problema, e que a importância citada represente o total dos seus recursos materiais.
 “Um rapaz” (gr. paidarion, rapazinho). “Cevada”, comida dos pobres. O detalhe salienta mais ainda a insuficiência dos recursos dos discípulos. Jesus manda aos discípulos que façam assentar-se o povo.
 “Povo, homens”. É possível que a referência específica aos homens indique chefes de famílias, e que todo o povo se sentou em famílias. Jesus abençoa a parca provisão, que se multiplica milagrosamente para o povo (11).
 João preserva a ordem de Jesus que recolham os pedaços, em conseqüência da qual doze cestos ficaram cheios dos pedaços de pão (12,13). A turba fica sobremaneira impressionada e reconhece a significação messiânica do milagre: Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo (14).

1. Reconheça que você foi honrado por ser lembrado para um trabalho. Se alguém comissionou você na realização de um trabalho foi porque considerou-o digno para o tal.

2. Reconheça que você tem um trabalho. Existem pessoas multiuso na Igreja. Destaca-se em tudo o que faz, mas a excelência deve ser revelada principalmente no trabalho confiado.

3. Reconheça que o trabalho deve ser feito. O simples fato de pensar que pode ser substituído quando estiver ausente, ou que qualquer um pode fazer o seu trabalho, denota irresponsabilidade, desafeto, incompetência e desonra por quem considerou você digno de tal trabalho.

IV – CARACTERÍSTICAS DE UMA BOA INTERAÇÃO

1. Fale com as pessoas. Nada há tão agradável e animado quanto uma palavra de saudação, particularmente hoje em dia quando precisamos mais de “sorrisos amáveis”.

2. Sorria para as pessoas. Lembre-se que acionamos 72 músculos para franzir a testa e somente 14 para sorrir.

3. Chame as pessoas pelo nome. A música mais suave para muitos ainda é ouvir o seu próprio nome.

4. Seja amigo e prestativo. Se você quiser ter amigos, seja amigo.

5. Seja cordial. Fale e haja com toda sinceridade: tudo o que você fizer, faça-o com todo o prazer.

6. Interesse-se sinceramente pelos outros. Lembre-se que você sabe o que sabe, porém você não sabe o que os outros sabem.

7. Seja generoso em elogiar, cauteloso em criticar. Os lideres elogiam, sabem encorajar, dar confiança e elevar os outros.

8. Saiba considerar os sentimentos dos outros. Existem três lados numa controvérsia: o seu, o do outro, e o lado de quem está certo.

9. Preocupe-se com a opinião dos outros. Três comportamentos de um verdadeiro líder: ouça, aprenda e saiba elogiar.

10. Procure apresentar um excelente serviço. O que realmente vale em nossa vida é aquilo que fazemos para os outros.

CONCLUSÃO

A Interação e Ação na Igreja é um tema muito abrangente, pois fala-nos de um estilo de vida. Talvez nessa ânsia, Davi se propôs a dizer-nos: “Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!” (Sl 133.1). Para o salmista era incomparável a alegria em ver os irmãos unidos em tudo o que fazia.

Em primeiro lugar, a proposta desta Interação na Igreja é estabelecer uma Unidade na Fé. Quando a Igreja compartilha da mesma fé em Cristo Jesus, tudo se torna diferente. É Paulo quem torna vívida a questão quando escrevendo aos Coríntios, exorta: “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes, sejais unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer” (1Co 1.10).

Em segundo lugar, o objetivo desta Interação na Igreja é promover o crescimento num todo. Mais uma vez, a lição é extraída dos ensinos de Paulo: “De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele” (1Co 12.26). É através da verdadeira unidade na Igreja que todos sabem de todos, objetivando o crescimento. Quando alguém tem uma necessidade, ele tem um direito; e aquele que atenta para alguém com direito, tem um dever. Assim deve ser a tônica da Igreja em todos os tempos.

Em terceiro lugar, o alvo da Interação na Igreja é a completa identificação com a Obra de Cristo. Usando o mestre Paulo ainda mais, assim foi escrito a Igreja em Éfeso: “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos” (Ef 4.4-6). Perceberam quantas vezes a expressão “um só” aparece no texto? Ela não aí por acaso. Ele brinda-nos na Obra de Cristo.

Em quarto e último lugar, somente através da Interação na Igreja alcançaremos os propósitos estabelecidos por Deus a Ela. Será que uma única pessoa conseguiria pregar o evangelho de Cristo a todo mundo em todas as épocas? Será que alguém conseguiria discipular sozinho as pessoas que aceitam ao evangelho? Será que Deus espera que somente uma pessoa faça tudo o que tem de ser feito em todo o seu Reino? A resposta a estas perguntas é gritante “NÃO”. Dependemos dos outros em todos os sentidos e o que torna propício o benefício de outros é a interação. Por isso, faça-se um em Cristo, pois Ele um dia há de “congregar em si todas as coisas” (Ef 1.10). Viva em interação!

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