quarta-feira, 7 de abril de 2010

Deixe Ele Entrar!


A porta está trancada. Uma fechadura no meio (daquelas que exigem quatro voltas na chave) e duas de reforço, uma em cima e outra em baixo. Na altura de sua cabeça, você colocou um olho mágico para olhar de dentro para fora sem ser notado.

Você não quer visitas, não quer amolação, não quer incômodo, não quer pensar, não quer mudar.

De repente, alguém bate à porta, balança o sininho que você esqueceu de retirar, aperta a campainha que você esqueceu de desligar, bate palmas, grita o seu nome.

Você se aborrece, você se irrita, você tapa os ouvidos, você não se levanta, você não abre a porta.

Não adianta nada. Os sons continuam: o barulho do sininho, o barulho da campainha, o barulho das palmas e, pior de tudo, o barulho da mão fechada de encontro à porta fechada.

Você se levanta muito a contragosto, dirige-se até a porta, abre a tampinha do olho mágico e vê quem está batendo, quem está chamando por você. Você se admira, pois quem está do lado de fora é alguém que você julgava estar do lado de dentro. Você fica parado, estupefato, horrorizado e indeciso.

Indeciso porque, já que ele está do lado de fora e não do lado de dentro, quem sabe seria melhor que ele não entrasse. A pessoa que ainda está batendo e ainda está chamando por seu nome é fora de série, mas, ao mesmo tempo, incomoda e cobra muito. Ela dita regras de fé e de comportamento. Talvez fosse melhor dispensar os benefícios e ficar livre de suas cobranças.

Você tira a tranca. Põe a mão na chave de quatro voltas e pára. “Abro ou não abro?”, você se pergunta.

Você dá as quatro voltas, gira o botão das fechaduras de reforço e abre a porta de par a par. E aquele que você supunha estar do lado de dentro, mas estava do lado de fora, entra em sua casa, desta vez para ficar. Graças à sua decisão de abrir a porta. Então você se recorda das palavras que esta mesma pessoa disse a uma Igreja Cristã no sudoeste da Turquia: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo” (Ap 3.20).

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