domingo, 18 de novembro de 2007

Alegria na Dor

Por muito tempo relutei em aceitar a idéia de Deus ter planos nos nossos sofrimentos. Achei que fosse bobagem. Imaginei não ser possível tirar algo de bom de misérias.

Porque Deus escolheria um caminho tão árduo? Qual o seu propósito em nos conduzir a desertos tão áridos? Jamais consegui ver luz nessas trevas todas.

Até que li nas Escrituras sobre Israel, o povo escolhido por Deus para ser testemunha eterna de Sua grandeza, misericórdia e amor. Esse povo que, a partir de Abraão, teve uma história repleta de milagres, sacerdotes, profetas, juízes, reis, guerras, vitórias, esteve diversas vezes, por muitos anos, exilado como escravo.

O povo era incontável como a areia do mar, mas quebrou sua aliança com Deus. A aliança que incluía bênçãos do céu, da terra e de todos os lados. A aliança que guardava Israel dos seus inimigos. A aliança que proclamava o amor de Deus por aquele povo, às vezes, tão rebelde.

Cada profeta que houve em Israel não apenas mostrava a condição do povo que desobedecia a Deus, mas expunha também o coração de Deus, um coração que sofria vendo Sua aliança sendo esquecida e aos poucos apagada para sempre das gerações posteriores.

Deus sofria.

Deus sofria porque, apesar de ser Deus, Ele sabia que aquele momento era necessário para Israel entender de vez quem estava no controle. Deus sofria porque, Sua onisciência e onipotência que lhe são exclusivos, permitia-lhe contemplar toda a dor encerrando, levando o povo à cura da idolatria e perversidade para com Deus.

Dos profetas com essa visão, Jeremias é o que mais abre o coração de Deus ao povo. Depois de escrever suas profecias cheias de tristezas e experimentar diversos escárnios, tipificando o próprio Deus, ele detém seu olhar em algo de Deus que jamais terá fim. Sim, algo tão novo e tão intenso, que faz com que Deus jamais desista daqueles que um dia amou e aceitou.

“Suas misericórdias”, disse ele, “não têm fim; novas são a cada manhã”.

Israel desceu ao cativeiro e sofreu vários anos longe de sua terra, mas ao contrário do que muitos pensam, Deus estava com eles todo o tempo. Deus permitiu que muitas coisas horríveis acontecessem com Israel, mas prometeu esperança para sua volta.

Setenta anos depois o povo voltou, edificou a cidade e adorou a Senhor Deus. Como um pai se agracia em ver o filho voltando pra casa, Deus estava feliz de ter seus filhos, muitos filhos em casa, de novo, para sempre...

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