sábado, 3 de março de 2012

Escola Bíblica Dominical (parte 5)

A FORMAÇÃO INTEGRAL DO PROFESSOR DA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL

O professor da EBD, além de ser uma pessoa dedicada ao ensino, precisa ter uma formação mais ampla para que possa atender às demandas na Igreja local, por parte de um alunado cada vez mais exigente, em termos de conhecimento e cultura, sem perder a visão de que é um servo de Deus, e necessita dramaticamente da Graça de Deus e da Unção do Espírito Santo, para cumprir bem a sua tarefa no novo milênio.

1. Requisitos para o Ingresso no Corpo Docente.

No recrutamento de professores deve ser verificado se o candidato: 1) É crente salvo; 2) É assíduo e pontual; 3) Saúde e equilíbrio emocional; 4) Boa apresentação; 5) Voz firme, agradável, convincente; 6) Naturalidade e desembaraço; 7) Firmeza e perseverança; 8) Imaginação, iniciativa e liderança; 9) Vocação para o magistério; 10) Exemplaridade moral; 11) É membro da Igreja; 12) Tem bom testemunho (fiel, maduro, submisso); 13) Quer e pode servir ao Senhor; 14) É aplicado ao estudo da Palavra de Deus; 15) É batizado com o Espírito Santo; 16) Pode freqüentar reunião de Estudo Semanal; 17) Tem ou pode fazer de imediato um curso de Preparação de professores; 18) Tem ou pode começar logo um Curso Básico Teológico; 19) Assume a EBD como prioridade, suas reuniões, seus cultos evangelísticos, etc.; 20) Órgãos de fonação, visão e audição em boas condições; 21) Linguagem fluente, clara e simples (o tom de voz deve ser igual ao de uma conversa; não gritar; a linguagem deve ser simples e gramaticalmente correta; evitar o uso de gírias e expressões ou palavras vulgares); 22) Confiança em si mesmo, com perfeito controle emocional; 23) Habilidade de criar e manter boas relações com seus alunos (sociabilidade).

2. A Formação Didática-Pedagógica do Professor.

Neste preparo é necessário:

Saber planejar bem suas aulas: Ao planejar, devemos responder às seguintes perguntas: 1) O que pretendemos alcançar? 2) Como alcançar? 3) Em quanto tempo? 4) Como avaliar o que foi alcançado?

Saber porque planejar: 1) evitar a rotina e a improvisação; 2) contribuir para a realização dos objetivos visados; 3) promover a eficiência do ensino; 4) garantir a economia de tempo e energia.

Ter conhecimento de psicologia educacional: entender que os alunos são diferentes em tudo e que as diferenças variam conforme seu desenvolvimento físico, mental, social e espiritual.

Valorizar o processo de comunicação humana: não se limitar a transmitir a mensagem apenas intelectualmente, mas valorizar os aspectos emocional e volitivo da comunicação. As seguintes perguntas devem ser respondidas: 1) O que sei é o que desejo que esses alunos saibam também? 2) O que sinto é o que desejo que eles sintam também? 3) O que faço é o que quero que eles façam?

Preparo didático: consiste na técnica de dirigir e orientar a aprendizagem; são técnicas de ensino. 1) Domínio dos métodos de ensino-preleção: perguntas e respostas; discussão; narração; leitura; dinâmica de grupo. 2) Domínio dos meios auxiliares de ensino multimídia: quadro de giz; flanelógrafo; flip-chart. 3) Conhecer os sistemas de avaliação (qualidade e quantidade): avaliação do corpo discente, docente e da organização administrativa e pedagógica.

Precisa estar motivado: saber e dominar o que vai ensinar.

3. Identificando os Autênticos Educadores da EBD.

Há diferença entre professores e educadores no que se refere à práxis do ensino cristão? Como podemos distingui-los, identificá-los? É suficiente dominar métodos, procedimentos e técnicas didáticas ou ser um expert em comunicação? Óbvio que não! Este tema, discutido e refletido no âmbito da educação secular, assume maior importância e dimensão no da educação cristã. Nenhum educador cristão deve fracassar diante da tentação de apenas manter seus alunos informados a respeito da Bíblia e da vontade de Deus. Antes, deve torná-los, através da influência do próprio exemplo, praticantes da Palavra e perseguidores da vontade divina.

Convicção de sua chamada: com o intuito de edificar e aperfeiçoar sua Igreja, Cristo concedeu vários dons aos homens e, dentre eles, o de mestre (Ef 4.11,12). E quem são os mestres? Mestres são aqueles que recebem de Deus um dom especial para esclarecer, expor e proclamar a Palavra de Deus. Isto significa que, além da vocação e das aptidões naturais para o magistério, o ensinador cristão precisa ter convicção plena de sua chamada específica para o ministério de ensino cristão.

Dedicados ao ministério de ensino: muitos são freqüentemente colocados à frente de uma classe por seus líderes, mas não receberam de Deus a confirmação de sua chamada. Não sabem realmente porque foram colocados naquela função. Como identificar os professores genuinamente chamados para serem educadores? Os chamados, enquanto ensinam, sentem seus corações inflamarem pela atuação poderosa do Espírito Santo. Eles amam intensamente sua missão. Têm dedicação em sua prática docente: “se é ensinar, haja esmero ao ensino” (Rm 12.7b). E o que significa esmero? Esmero significa integralidade de tempo no ministério de ensino, ou seja, estar com a mente, o coração e a vida totalmente voltados para esse mister. Ser ensinador cristão é diferente de ocupar o cargo de professor; envolve chamada específica e capacitação divina.

Comunhão real com Cristo: essa é outra característica que diferencia o educador cristão de um simples técnico de ensino – o relacionamento real com o Senhor Jesus. Em outras palavras, significa que Cristo é, em primeiro lugar, seu salvador pessoal, salvou-o de todo o pecado e é também Senhor e dono da sua vida. Há professores que não têm certeza da própria salvação; como poderão ensinar Soteriologia? Outros não oram, não lêem a Bíblia e não têm vida devocional. São técnicos! No magistério cristão, de nada adianta ensinar o que não sente e não vive. O educador deve ensinar aquilo que está disposto a obedecer.

Seguem o exemplo de Cristo: a melhor maneira de unirmos as funções de professor e educador é seguirmos o exemplo de Jesus. Ele foi, em seu ministério terreno, o maior professor e pedagogo de todos os tempos; usou todos os métodos didáticos disponíveis para ensinar: 1) fazia perguntas para induzir a audiência a dar a resposta correta que Ele buscava; 2) indagava indiretamente exigindo que seus discípulos comparassem, examinassem, relembrassem e avaliassem todos os conteúdos; 3) exemplificava com parábolas, contava histórias e usava vários métodos criativos. Conforme declarou LeBar, citado por Howard Hendricks no Manual de Ensino (CPAD):

Jesus Cristo era o Mestre por excelência, porque ele mesmo encarnava perfeitamente a verdade. Ele entendia perfeitamente seus discípulos, e usava métodos perfeitos para mudar as pessoas individualmente e sabia como era a natureza humana e o que havia genericamente no homem (Jo 2.24,25). Ensinava complexidades usando a linguagem simples das coisas do dia-a-dia. Sua linguagem sempre era tangível à experiência das pessoas – emprego, problemas pessoais, costumes, vida familiar, natureza, conceitos religiosos etc. Seus instrumentos pedagógicos eram os campos, as montanhas, os pássaros, as tempestades, as ovelhas. Em suma, qualquer coisa que estivesse ao seu alcance Ele usava como ferramenta de ensino.

Nunca cessam de aprender: um autêntico educador, ao contrário de certos professores que se sentem “donos do saber”, são humildes e estão sempre com disposição para aprender. Ele não se esquece que o homem é um ser educável e nunca se cansa de aprender. Aprendemos com os livros, com nossos alunos, com as crianças, com os idosos, com os iletrados, enfim, aprendemos enquanto ensinamos. Não há melhor maneira de aprender do que tentar ensinar outra pessoa. O professor-educador deve estar atento a qualquer oportunidade de aprender. Quando não souber uma resposta, é melhor ser honesto e dizer que não sabe. A ausência do orgulho diante da realidade de “não saber”, facilita e promove a aprendizagem.

Exercem liderança positiva: é outra peça-chave na constituição dos educadores cristãos autênticos. Tendo consciência ou não, quem ensina sempre exerce liderança sobre quem aprende. Essa liderança será positiva ou negativa, em função da postura espiritual assumida pelo educador. Os ensinamentos, conceitos, princípios e conselhos ministrados aos seus alunos, dificilmente deixarão de influenciá-los. De que modo pode o professor evidenciar liderança positiva? Eis algumas dicas: 1) apoiando o pastor de sua igreja; 2) dando assistência aos cultos; 3) participando efetivamente no sustento financeiro da obra de Deus (dízimos e ofertas); 4) integrando-se à igreja: presença e atividades nos cultos; 5) mantendo-se distante dos “ventos de doutrinas”; 6) sendo eticamente correto; 7) vivendo o que ensina (personificar a lição); 8) ter um lar cristão exemplar; 9) apoiar a missão e a visão da igreja local; 10) não usar a sala de aula para promover revoltas e dissoluções; 11) colocar como alvo o nascimento de uma nova classe a cada ano; e 12) geração de novos professores a cada ano.

Cabe aos educadores cristãos a responsabilidade de instruir, guiar e orientar o caminho de outros servos de Deus. O professor que não se limita a dar instruções, precisa ser cada vez mais consciente de sua tarefa, não no sentido de mera assistência, mas em suas atitudes e atos em relação à obra de Deus e a Cristo. O resultado desta missão será energicamente cobrado. Chegará o dia em que cada obreiro do ensino dará contas de si mesmo a Deus (Rm 14.12).

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