quinta-feira, 25 de março de 2010

Aconselhamento Cristão (8ª parte)


ELEMENTOS USADOS NO PROCESSO DE ACONSELHAMENTO

Ajudar outra pessoa, seus problemas psicológicos não é fácil. Não podemos apresentar uma fórmula única para o aconselhamento em geral, que alcance sempre os fins desejados. Cada caso é diferente; porém, existem alguns princípios e elementos que podem ser de muita ajuda ao conselheiro, se ele os adaptar para compreender melhor o processo do aconselhamento.

1. Levantamento de antecedentes

Em muitos casos, o conselheiro tem que recolher dados e saber fatos da vida do aconselhado para encontrar as raízes do seu problema, especialmente se ele usa a técnica diretiva ou o método eclético.

É aconselhado para quem usa o método diretivo que na primeira parte da entrevista o conselheiro deve levantar dados sobre o panorama geral da vida do aconselhado. Pode formular perguntas como: Quais são os dados pessoais do aconselhado? Qual é o seu grau de escolaridade? É casado? Quantos filhos têm? Relaciona-se bem com o(a) esposo(a)? Qual é o seu trabalho? Qual é a sua situação econômica? Como está de saúde? Como se relaciona com os outros? Como está a sua vida espiritual? Como está o seu relacionamento com a igreja? Quais são as suas pretensões? Quais as suas fontes de satisfação?

Depois de aconselhar uma pessoa, muitos pastores-conselheiros escrevem os dados acima e os dados do aconselhamento em cartões de arquivo, e antes de ter outra entrevista com o aconselhado, recapitulam bem esses dados.

2. Percepção do caráter do aconselhado

O conselheiro perito pode estudar o caráter ou a personalidade das pessoas, observando sua postura, seus gestos, o tom de sua voz, sua maneira de vestir-se, e até alguns movimentos do corpo, que parecem ser casuais. A personalidade do indivíduo se expressa em todas as suas atividades. Por exemplo, pode-se saber muito acerca do aconselhado observando-se como ele olha as outras pessoas, como fala e como estende a mão.

3. Compreensão das pessoas que sofrem de tensão nervosa

A tensão é algo que varia de pessoa a pessoa. Pode ser que o que esteja causando tensão em uma pessoa, não cause tensão em outra.

Muitas pessoas que sofrem de tensões, tendem a atribuir poderes quase sobrenaturais aos conselheiros e a outras pessoas que ocupam posição de autoridade. Aproxima-se do conselheiro na expectativa de que ele possa solucionar seus problemas. Escutam com grande interesse o que uma pessoa dotada de autoridade diz, e às vezes lembram e comentam coisas ditas casualmente por elas, como se isso proporcionasse grande esperança ou desespero.

Em muitos casos, as pessoas que sofrem de tensão aguda não são capazes de ver claramente a realidade. Normalmente, essas pessoas vão à igreja, mas não tiram nenhum proveito do culto, pois não podem concentrar seus pensamentos em assuntos espirituais, e lhes custa muito orar.

Porém, assim mesmo, algumas pessoas se voltam para Deus com grande expectativa. A profunda fé em Deus pode aliviar imensamente a tensão nervosa. É muito grande o número de pessoas que testificam como o salmista: “Na minha angústia eu clamei, e o Senhor me ouviu, e me livrou de todas as minhas angústias”.

4. Identificação de problemas que podem prejudicar o processo de aconselhamento

Alguns dos empecilhos mais comuns:

a) Rodeios e resistências

Em regra geral, as pessoas começam o diálogo falando acerca de coisas que não tem nada a ver com o seu problema. Às vezes, essas pessoas temem ser censuradas, mal compreendidas, ou que o conselheiro divulgue aquele assunto confidencial. Não é fácil expor seus erros diante de alguém, mesmo que esse alguém seja a pessoa que lhes irá aconselhar.

O conselheiro deve ser sensível aos verdadeiros sentimentos do aconselhado. Tem que escutar com paciência e não julgar. E deve estar sempre atento para perguntar a si mesmo: “será este o verdadeiro problema dessa pessoa?”.

Quando há muita resistência por parte do aconselhado, pode ser indício da gravidade do seu problema.

b) Silêncio

Se o aconselhado se manter em silêncio, o conselheiro deve fazer o seguinte: não esquecer que o tempo de duração do silencio é muito menor que lhe parece. A pausa proporciona ao aconselhado, a oportunidade de alcançar uma maior compreensão do seu caso.

Se a pausa se prolongar demasiadamente, o pastor poderá perguntar com polidez: “porque você continua calado?”, ou pode perguntar algo acerca do que estão conversando.

c) Insucessos, e o desejo de interromper a ajuda prematuramente

Não é de se estranhar que ocorra um ou mais fracassos durante o processo de aconselhamento.

O que o conselheiro deve fazer quando o aconselhado cortar a ajuda prematuramente? Deve respeitar o direito que o aconselhado tem de tomar decisões, mas é sempre conveniente dizer que a porta continuará aberta para que ele retorne, caso seja necessário. Todavia o pastor não deve insistir para que o aconselhado continue a procurar a sua ajuda.

Quando os fracassos surgirem, o conselheiro deve apoiar o aconselhado e encorajá-lo a continuar procurando a solução do problema.

5. Fatores a serem considerados para se tomar uma decisão:

Quando uma pessoa toma uma decisão deve perguntar-se: “Quais estão sendo os meus motivos? O que a minha consciência está me dizendo? Isto está dentro das normas cristãs? Quais são os benefícios que isto gerará em longo prazo? Quais poderão ser as conseqüências negativas? Que efeito esta decisão produzirá nas demais pessoas? Em minha família? Em meu grupo? Em minha igreja? Serei capaz de realizar isso que decidi fazer? Estas e outras perguntas nos ajudarão a tomar decisões inteligentemente”.

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