quarta-feira, 3 de março de 2010

Jesus, Sua Presença é Inconfundível


O rabino Gamaliel, descrevendo a carreira de Teudas, um falso messias, cuja insurreição fracassada terminou com a morte deste, disse: "todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos e reduzidos a nada" (At 5.36). Não passara muito tempo desde a morte de Jesus, porém, e seus seguidores estavam mais unidos que antes. E, poucas semanas mais tarde, ao invés de "reduzidos a nada", eram milhares. No decurso do tempo, sua fé espalhou-se até Samaria e, finalmente, aos confins da Terra.

O que explica ter-se dispersado o movimento Teudas, enquanto o de Jesus desenvolveu-se até alcançar o mundo inteiro? Teudas permanceu-se no túmulo, e Jesus resssuscitou de entre os mortos! A crucificação tornou pesado o coração dos discípulos. O peso da cruz de Cristo transformou a nossa vida e trouxe-nos o júbilo de salvação.

"E eis que no mesmo dia iam dois deles para uma aldeia, que distava de Jerusalém sessenta estádios, cujo nome era Emaús. E iam falando entre si de tudo aquilo que havia sucedido. E aconteceu que, indo eles falando entre si, e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou, e ia com eles. Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que o não conhecessem. E ele lhes disse: Que palavras são essas que, caminhando, trocais entre vós, e por que estais tristes? E, respondendo um, cujo nome era Cléopas, disse-lhe: És tu só peregrino em Jerusalém, e não sabes as coisas que nela têm sucedido nestes dias? E ele lhes perguntou: Quais? E eles lhe disseram: As que dizem respeito a Jesus Nazareno, que foi homem profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os principais dos sacerdotes e os nossos príncipes o entregaram à condenação de morte, e o crucificaram. E nós esperávamos que fosse ele o que remisse Israel; mas agora, sobre tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram. É verdade que também algumas mulheres dentre nós nos maravilharam, as quais de madrugada foram ao sepulcro; e, não achando o seu corpo, voltaram, dizendo que também tinham visto uma visão de anjos, que dizem que ele vive. E alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; porém, a ele não o viram. E ele lhes disse: O néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras. E chegaram à aldeia para onde iam, e ele fez como quem ia para mais longe. E eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque já é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com eles. E aconteceu que, estando com eles à mesa, tomando o pão, o abençoou e partiu-o, e lho deu. Abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu-lhes. E disseram um para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras? E na mesma hora, levantando-se, tornaram para Jerusalém, e acharam congregados os onze, e os que estavam com eles" (Lc 24.13-33).

I - CRISTO PRESENTE, MAS NÃO RECONHECIDO

1. O Raciocínio dos Dois Discípulos.

Um deles chamava-se Cleopas; o nome do outro não é mencionado. Estavam saindo de Jerusalém, provavelmente buscando alívio à ansiedade e tristeza na caminha. Seu destino era Emaús, provavelmente o lugar onde moravam.

2. O estranho e suas perguntas.

"Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que o o não reconhecessem". Por que não não conseguiram reconhecê-lo? Primeiro, porque a ressurreição operara misteriosa mudança na pessoa de Jesus, de modo que as pessoas podiam olhar para Ele sem reconhecê-lo imediatamente. Em segundo lugar, os dois discípulos não sabiam que Ele vivia, e, consequentemente, não esperavam vê-lo. Sem fé, não podemos ver o Cristo vivo. Jesus não fez a pergunta (v. 17) visando informar-se; era seu meio de levar aqueles homens sobrecarregados a derramar o que tinham no coração. às vezes, o melhor que podemos fazer às pessoas tristes, é deixar que falem.

II - CRISTO ENSINADO SEM SER RECONHECIDO

1. As Escrituras Fechadas.

Cleopas surpreendeu-se que alguém demonstrasse ignorância sobre Jesus de Nazaré e seu trágico fim. O estranho deixa-se informar como se nada soubesse, a fim de levar os seus discípulos a declarar-se. Então, derramaram sua história. AquEle que haviam crido ser o Messias fora crucificado, e com Ele sua esperança e fé. Contaram-lhe dos anjos que algumas mulheres haviam visto, e como alguns dos discípulos encontraram vazio o túmulo, "porém a ele não o viram".

Notamos simplicidade e sinceridade nas suas palavras. Duvidavam da ressurreição do Mestre, e até do testemunho das mulheres. Somente o Senhor em pessoas poderia transformar estes duvidosos, tristes e cautelosos discípulos em corajosos testemunhas da ressurreição.

Sua descrença devia-se a não entenderem a cruz. Esperavam ver seu Mestre assentando num trono, mas ELe foi pregado numa cruz; imaginavam-no com a coroa de Davi, mas foi-lhe dada uma coroa de espinhos; esperavam fosse saudade como Rei pelos líderes da nação, mas ouviram deles apenas denúncias e zombarias. Era-lhes a cruz, tragédia, a morte de suas descrenças.

2. As Escrituras Abertas.

Mostra-lhes o Mestre que era necessário ao Messias sofrer para ser então exaltado. Os discípulos tomavam-no agora por um escriba. Abrindo as Escrituras, Ele conduziu os discípulos à Lei, aos Salmos e aos Profetas, reunindo profecias várias concernente ao Messias juntando-as de forma a produzirem um retrato de Jesus de Nazaré. É fácil imaginar o espanto dos discípulos: "Nunca tínhamos entendido as profecias desta maneira!"

III - CRISTO REVELADO E RECONHECIDO

Depois de abrir os olhos espirituais dos discípulos, abre-lhes o Senhor os olhos físicos.

1. O Convite Sincero.

O estudo começara pela manhã, mas caía a tarde antes de percorrem os doze quilômetros que os separava de Emaús. O tempo passara rapidamente. A presença de Jesus tornara curta a viagem. "E chegaram à aldeia para onde iam, e ele fez como quem ia para mais longe". Era um gesto cortês: embora não quisesse forçar a sua presença, desejava ficar na companhia deles. O convite logo surgiu: "Fica conosco, porque já é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com eles".

2. A Maravilhosa Revelação.

À mesa, pediram-lhe que orasse, talvez a bênção judaica tradicional: "Bendito és Tu, Senhor do Universo, que fizeste o pão surgir da terra". Então partiu o pão, e o deu a eles. Por certo, havia algo especial neste geste, porque João lembra o lugar "onde comeram o pão, havendo o Senhor dado graças" (Jo 6.23). Seja como for, algo de familiar no gesto ou no tom de voz rompeu a influência que tolhia os olhares dos dicípulos, e reconheceram o Mestre.

Agora que estavam convictos da sua ressurreição, sua presença física não era mais necessária: "E Ele desapareceu-lhes". Durante dias, Jesus aparecia e desaparecia diante dos seus discípulos; agora precisavam acostumar-se a conhecê-lo como presença invisível. Seus frequentes aparecimentos e desaparecimentos treinavam-nos para este modo de vida (Jo 20.29; 1Pe 1.8).

3. O Feliz Reconhecimento.

"Porventura não ardia em nós o nosso coração, quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras?". Antes, imaginavam-no um escriba, embora lhes comovesse o coração; agora, sabiam ser aquEle que dissera: "As palavras que eu vos tenho dito, são espírito, e são vida".

4. A Alegre Proclamação.

O reconhecimento de Cristo deu-lhes energia e eloquência renovadas. Tornaram-se testemunhas - transbordavam de vontade de passar adiante as boas novas. Apressaram-se em chegar ao lugar de reunião dos apóstolos, e contaram "como deles foi conhecido no partir do pão".

É importante notar: "Já apareceu a Simão". A ressurreição não transformou o Mestre - Ele continuou sendo o Salvador, compassivo com os errantes e caídos.

IV - DOZE QUILÔMETROS DE EMOÇÃO

"Não nos ardia o coração dentro de nós" (Lc 24.32). Na verdade, não são doze quilômetros, mas vinte e quatro, porque há de se considerar a ida e a volta. Doze quilômetros é a distância entre Jerusalém e a aldeia de Emaús.

Por este caminho, num domingo à tarde, passam dois homens cabisbaixos, sem entusiamo, confusos e semi-arrasados, ainda sob o impacto dos acontecimentos da última e terrível sexta-feira. Eles de desabafam mutuamente e trocam opiniões sobre o desfecho tão inesperado de uma esperança tão esperada. Estranhamente não dão sufuciente importância ao testemunho das mulheres que haviam ido ao túmulo de José de Arimatéia na macdrugada daquele dia, encontrando-o vazio, nem ao veredito de lagumas cabeças pensantes que verificaram in loco a exatidão do que disseram aquelas distintas senhoras. Por esta razão encontram-se ainda tristes e sem ânimo algum. O estado de espírito começa a se alterar e algo passa a arder dentro deles quando um estranho se aproxima e põe-se a caminhar passo a passo com os dois. Este terceiro homem mostra simpatia, cria condições de diálogi e em pouco tempo pega a liderança da conversa. Porta-se com firmeza, chama-os de néscios e tardios de coração para crer nas Escrituras e faz inúmeras citações em ordem e de cor sobre a natureza do Messias que havia de vir veio. Nisto acabam-se os doze quilômetros. O estranho faz menção de passar adiante, mas os dois se opõem e o constrangem a ficar com eles, porque é tarde e o dia já declina. A esta altura, os homens não estão mais totalmente alquebrados e seus corações entram em trabalho de parto. Eles sabem o nome da criança que vai nascer. Ela se chama alegria - uma alegria exuberante que ninguém poderá tirar.

Os três se sentam à mesa. Ali está o pão. O estranho toma a dianteira e age como se fosse o dono da casa: apanha o pão, abençoa-o, parte-o e lhes dá, um pedaço apara cada um... Então vêm imediatamente à tona as imagens guardadas no subconsciente - a cerimônia da instituição da Ceia do Senhor na quinta-feira passada, a cerimônia da segunda multiplicação de pães, a cerimônia da primeira multiplicação de pães... Pronto, agora os dois discípulos de Emaús sabem porque os seus corações, há pouco tardos para crer, estão ardendo de emoção: aquele estranho era o próprio, era o Ressuscitado. Jesus desaparece da presença deles e de Emaús.

Apesar de ser tarde e do dia ter declinado, o caminho entre Emaús e Jerusalém está sendo palmilhado outra vez. Dois homens de fronte erguida, cheios de surpresa, semi-esclarecidos e fortalecidos em seu ânimo, dirigem-se apressadamente de volta a Jerusalém. Eles têm algo a contar. Surpreende-se por achar os onze apóstolos e outros reunidos num único lugar. Abrem a boca para contar a sensacional notícia, mas o grupo fala primeiro e diz que o Senhor ressuscitou e já apareceu a Simão. Então, os dois de Emaús soltam a boa-nova que estava caindo da língua. Não há notícia de primeira mão nem para os de Jerusalém nem para os de Emaús. Há apenas exultação mútua. Fazem eles ainda o confronto de todas as aparições de Jesus naquele primeiro dia de uma nova semana, quando o Senhor mesmo, em carne e osso, com as marcas dos cravos e da lança, coloca-se no meio deles e lhes diz: "Paz seja convosco" (Lc 24.13-43).

V - ENSINAMENTOS PRÁTICOS

1. O Senhor aproxima-se dos corações feridos.

"E, falando eles destas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio deles". O que atrai Jesus ás pessoas hoje? O desejo por Ele, o arrependimento, o estudo das suas verdades, a tristeza. Ele percebeu a necessidade dos dois discípulos - sua fé estava sendo duramente provada. O Mestre aproxima-se dos corações que lamentam a sua ausência. Vem a galardoar o amor consistente e fervoroso, e a revivar o amor que se tornou trêmulo e frio.

2. Olhando sem ver.

"Os olhos deles estavam como que fechados, para que não o conhecessem". Por que não o reconheceram? Primeiro, proque suas mentes estavam ocupadas consigo mesmos - com sua amargura e decepção. Em segundo lugar, resistiam ao ensinamento da necessidade da morte do Messias. O anseio pelo futuro reino de glória obscurecera-lhes amente sobre a necessidade da cruz. Em terceiro lugar, não haviam acreditado no testemunho das mulheres. Assim, não estavam em condições de reconhecerem a Cristo.

Cristo, de igual maneira, aproxima-se de nós nas variadas circunstâncias da vida. A tristeza, a amargura, a decepção e a descrença impedem-nos de reconhecê-lo. Nossos caminhos seriam menos solitários se aceitássemos plenamente a promessa: "Eis que estou convosco sempre".

3. Conte tudo a Jesus!

Com suas perguntas, o Mestre procurava levar os discípulos a expressar suas dúvidas, temores e esperanças arruinadas. Derramando o coração diante dEle, trocamos o nosso fardo pela paz que ultrapassa todo entendimento.

4. Permanecendo no Senhor.

O agradável caminhar com Jesus chegou ao fim, e os discípulos e teriam perdido não o tivessem convidado a permanecer com eles. Em tempos de avivamento espiritual, a consciência da presença do Senhor chegará ao fim, se não nos esforçarmos por conservá-la. Os grandes avivamentos são frequentementes seguidos por depressão. Faremos bem ficando vigilanes,para depois de o Senhor nos inspirar às alturas, não cairmos de lá. Clamemos: "Fica conosco".

Emoções transbordantes deixam as pessoas mais duras e piores do que eram antes, a não ser que obetenham maturidade através do esforço espiritual constante.

5. O desejo sincero faz lugar para o Senhor.

O Senhor emprega vários meios para fazer com que desejemos tê-lo conosco. Jesus desejava ficar com os discipulos, mas não entraria no lar deles sem convite. Então, fez como se fosse prosseguir viagem. Cristo às vezes tarda em responder à nossa oração - fazendo como se fosse prosseguir viagem - a fim de que nosso desejo aumente, e nos tornemos capazes de receber bençãos maiores. É sua vontade abençoar-nos ao máximo, porém não o fará se não demonstrarmos desejar a benção. Não dará de si mais do que almejamos, razão pela qual procura intensificar-nos o desejo.

6. Constrangendo ao Senhor.

"E eles o constrangeram". Como poderíamos constranger o Senhor? Jacó o fez, e venceu. Os homens fazem uso das energias existentes na natureza após desobirrem suas leis e obedecer a elas. De igual modo, constrangemos a Deus descobrindo a sua vontade, submetendo-nos a ela e orando de acordo.

7. Reacendendo a chama do coração.

Um antigo himo levanta a questão: "Onde está a bem-aventurança que conhecia quando vi o Senhor pela primeira vez?" A resposta é: "Exatamente onde você o deixou". Jesus escreveu à igreja de Éfeso: "Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor". Qual seria o remédio? "Arrepende-te, e volta à prática das primeiras obras". Se o coração ardente esfriou por causa da desobediência, podemos voltar ao Senhor. Ele nos estará esperando no lugar onde o deixamos. No mesmo lugar nos estará aguardando a nossa benção.

Jesus reacendeu a chama da fé nos corações dos dois, explicando-lhes a necessidade da cruz e abrindo-lhes a Palavra. São dois meios eficazes: uma nova visão do Calvário e a apreciação da Palavra.

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